22 de junho de 2026

Para não esquecer: 3 de março de 1969

Em 03 de março de 1969, morreu Higino João Pio, prefeito de Camboriú/SC, que foi preso, torturado e assassinado por forças da repressão política

por Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos

Para não esquecer: 3 de março de 1969

Em 03 de março de 1969, morreu Higino João Pio. Mesmo sendo prefeito de um dos maiores destinos turísticos do Brasil, Camboriú/SC, o AI 5 permitiu que fosse preso, torturado e assassinado por forças da repressão política. O mesmo ocorreu com muitos outros políticos importantes da época, que eram contrários ao regime ditatorial, como por exemplo, Rubens Paiva, no Rio de Janeiro/RJ.

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Higino nasceu no interior do Estado de Santa Catarina e mudou-se para Camboriú ainda bem jovem para trabalhar. Era um cidadão simples e extrovertido, gozava de notória credibilidade frente à população local de Camboriú/SC. Tornou-se o primeiro prefeito eleito de Balneário Camboriú, em 1965, pelo Partido Social Democrático (PSD), assim que o município se emancipou de Camboriú. Em virtude de disputas políticas locais, foi acusado de irregularidades administrativas sendo, em fevereiro de 1969, preso por agentes da Polícia Federal. Conduzido para a Escola de Aprendizes de Marinheiros de Florianópolis, Higino foi interrogado e mantido isolado. Morreu em 03 de março, uma quarta feira de cinzas, aos 47 anos de idade, após estrangulamento, em ação perpetrada por agentes do Estado, que alegaram suicídio.

O “modus operandi” da repressão seguiu o mesmo roteiro adotado após o assassinato da maioria das vítimas. Foi emitido um laudo falso e a família obrigada a ficar calada, sob graves ameaças. Apesar do medo de todos, o enterro de Higino teve um dos cortejos mais numerosos já vistos na cidade de Itajaí/SC.

Em decisão de 15 de maio de 1997, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) reconheceu a responsabilidade do Estado brasileiro.

Para a decisão, a Comissão baseou-se principalmente nas fotos do corpo, encontrado trancado à chave, dentro de um banheiro, com o rosto encostado à parede. Tinha ao pescoço uma toalha. Ao contrário do que foi afirmado no laudo, de que ele estaria em posição de suspensão incompleta, o exame das fotos concluiu que a posição de suspensão incompleta era invisível do ângulo tomado. Pelo contrário, o prefeito Higino, um homem de grande porte, tinha os pés completamente apoiados ao chão.

O prefeito Higino recebeu várias homenagens póstumas, inclusive a atribuição, em 1976, de seu nome a uma praça na região central do município de Balneário Camboriú, onde se encontra o busto que consta dessa fotografia.

“Para que não se esqueça, para que não se repita.”

P.S. – O presente texto faz parte de uma série de relatos que estamos publicando diariamente, sobre eventos que constituem graves lesões a direitos humanos.

A intenção é dar visibilidade à I Caminhada do Silêncio, em prol das vítimas de violações estatais, que a CEMDP está organizando para o dia 31 de março de 2019, em São Paulo.
Maiores detalhes podem ser vistos na página inicial onde foi feita esta postagem.

As informações são baseadas em textos da Wikipedia e no Relatório Final da Comissão Nacional da Verdade.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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4 Comentários
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  1. Schell

    4 de março de 2019 11:15 am

    Pior, ele não foi preso, torturado e assassinado por ser terrorista ou contra o governicho miliquento. Sofreu tudo isso, com a perda da vida, apenas – e tão só, pelos “negócios” dos então vivandeiros de quarteis: digamos que a milicada, no caso, se associou aos quadrilheiros de sempre. Sempre e sempre.

  2. ARISTO MANOEL PEREIRA

    4 de março de 2019 6:41 pm

    Lastimavelmente seus herdeiros votaram, ajudaram a eleger e e aplaudem Bolsonaro e sua gangue…

  3. ARISTO MANOEL PEREIRA

    4 de março de 2019 7:19 pm

    Infelizmente, seus herdeiros (inclusive políticos), votaram e aplaudem Bolsonaro e sua turma…

  4. Renato Lazzari

    4 de março de 2019 9:33 pm

    A violência do capital, do dólar, até agora tem sido diferente. Não menor, não menos nefasta, apenas diferente. Se bem que acabei de ver o vídeo do petista que teve seu braço quebrado por “homens de bem”…

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