
A história de Julia Wandelt, jovem polonesa que ganhou notoriedade ao afirmar ser Madeleine McCann — a menina britânica desaparecida em Portugal em 2007, aos 3 anos de idade —, voltou a ganhar repercussão após o envio de um pedido judicial de teste de DNA ao Tribunal da Família de Leicester, no Reino Unido., assinado pela brasileira Lígia Pires. A solicitação pede um exame direto de paternidade entre Julia e os pais de Madeleine, Kate e Gerry McCann.
Segundo o documento enviado ao GGN, Julia — atualmente presa no Reino Unido sob a acusação de assédio contra os próprios McCann — estaria impedida de se representar legalmente. Por isso, terceiros recorreram à Justiça com base na legislação britânica e em tratados internacionais de direitos humanos.
O impasse genético
Julia ganhou notoriedade em 2023 ao criar um perfil no Instagram em que questionava sua verdadeira identidade e sugeria ser Madeleine. Naquele mesmo ano, porém, a detetive particular Fia Johansson, que prestou apoio à jovem, divulgou um teste de ancestralidade indicando que Julia seria “100% polonesa”, com traços genéticos também ligados à Lituânia e à Romênia, sem qualquer indício de ligação ao Reino Unido, país de origem dos McCann. Na ocasião, Julia chegou a pedir desculpas públicas aos pais de Madeleine.
Agora, em 2025, o novo pedido judicial volta a sustentar a hipótese de uma possível relação biológica entre Julia e os McCann. A petição cita exames genéticos, supostamente realizados por um bioquímico não identificado, que apontariam uma “alta compatibilidade” entre o DNA de Julia e vestígios coletados na cena do desaparecimento de Madeleine, incluindo um índice de 69,23% de similaridade com um perfil genético da família McCann, que chegou a ser associado a Gerry.
No entanto, o próprio documento reconhece que essa amostra, identificada como “V3” e coletada do chão durante as investigações, estaria contaminada. Por essa razão, o cientista responsável pela análise teria limitado o percentual de compatibilidade, alertando para a possível interferência na integridade do material genético.
Além disso, segundo a petição, ao cruzar os dados genéticos de Julia com milhões de perfis globalmente registrados em plataformas de genealogia, o algoritmo do Ancestry teria identificado uma correspondência direta e significativa com o DNA de um homem chamado Martin McCann — o que, de acordo com a autora da ação, reforçaria a tese de um possível vínculo biológico com a família britânica.

Especialista explica
Para esclarecer o que os exames apresentados realmente indicam, a reportagem ouviu a médica Kelly Nunes, especialista em genética da Universidade de São Paulo (USP). Segundo ela, o teste de ancestralidade que apontou Julia como “100% polonesa” não tem capacidade de confirmar ou descartar vínculos diretos de parentesco com os McCann, embora possa sim oferecer indícios gerais sobre a origem genética.
“Esse tipo de teste não identifica parentes específicos, como pais ou irmãos”, explica a médica. “Ele compara o DNA da pessoa com bancos de dados de populações ao redor do mundo. No caso dela, o resultado indica que sua variação genética se assemelha mais à de pessoas que vivem na Polônia, sem sinais de conexão com o Reino Unido.”
A especialista também destaca que esse tipo de teste apresenta margens de erro e variações de precisão, dependendo da empresa responsável. “Empresas idôneas costumam divulgar quadros que indicam o grau de precisão de cada resultado, mas isso varia bastante de uma companhia para outra”, afirma Kelly.
O que é necessário para saber a verdade
Para confirmar ou descartar uma possível relação biológica com os McCann, o procedimento adequado seria um teste direto de parentesco, comparando regiões específicas do DNA de Julia com o material genético de Gerry e Kate McCann. De acordo com a especialista, esses exames têm acurácia superior a 99,9% em casos positivos.
“A ancestralidade dá uma visão ampla da origem genética, enquanto o teste de paternidade analisa marcadores genéticos específicos herdados dos pais”, reforça. “O caminho mais confiável para responder essa dúvida é o teste direto de paternidade. A ancestralidade pode dar uma pista, mas não entrega uma resposta conclusiva”, explicou.
A médica também demonstrou empatia com o drama vivido pelos McCann e Julia, mas reforçou a importância de se basear em evidências científicas sólidas. “Eu entendo o esgotamento emocional dos pais, toda vez que surge uma pessoa dizendo que pode ser Madeleine. Mas o cenário ideal seria a comparação direta, não a partir da ancestralidade”, conclui
Justiça decidirá próximos passos
Apesar da solicitação formal apresentada à Justiça britânica, tanto os McCann quanto os pais que registraram Julia como filha recusaram-se, até o momento, a realizar um exame genético direto. Diante disso, o pedido judicial encaminhado por Lígia Pires baseia-se em legislações britânicas como o Family Law Act de 1986 e na Family Law Reform Act de 1969, além de citar convenções internacionais que garantem o direito à identidade e à verdade biológica.
O documento também argumenta que há semelhanças físicas entre Julia e Madeleine, incluindo a rara condição ocular conhecida como coloboma, presente em ambas. A peça ainda traz declarações de Julia, que afirma não se lembrar de parte da infância, relata um histórico de abusos e traumas psicológicos, e menciona desenhos feitos na infância que coincidem com retratos falados de suspeitos ligados ao caso.
No entanto, sem a realização de um teste de DNA forense com os McCann, todas essas alegações permanecem no campo da especulação.
O caso, que há quase duas décadas desafia investigações internacionais e mobiliza a opinião pública mundial, agora depende de um novo posicionamento da Justiça do Reino Unido.
*Reportagem atualizada às 9h35 para correção: a versão anterior informava incorretamente que o pedido judicial havia sido encaminhado à Procuradoria de Portugal. O pedido foi, na verdade, protocolado no Tribunal da Família de Leicester, no Reino Unido.
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Maria Oliveira
31 de julho de 2025 8:17 amEste caso cheira muito mal , os Macans se recusam a fazer o DNA, mas fizeram com todas as outras jovens sem problema algum , uma delas com 26 anos e outra com 18 anos, a Madeline nessa altura tinha 13 anos …os pais polacos tambem se recusam…..a Júlia esta na prisão poe insistir com is macans por um DNA …..por detrás deste caso existe um grande luta em tapar o rabo a muito gente …a polícia portuguesa é uk police nao querem que a verdade venha tona, porque muita cabeça vai rolar, muita gente graúda envolvida neste caso
Marie Macha
6 de agosto de 2025 2:31 pmJulia Wandelt is not Madeleine Mccann or any relation to the Mccann’s. She has also claimed to be other missing children. She looks nothing like Madeleine Mccann at all and her eyes are totally different. Stop enabling her delusions.
AMBAR
31 de julho de 2025 3:04 pmBom, se esse povo tivesse ido pedir DNA no Programa do Ratinho, o assunto já teria se resolvido há muito tempo. (não resistí ao chiste)
Fernando Avella
18 de agosto de 2025 1:03 amAha, that is what I was talking about all along. We need to know the truth, hopefully we are in the right direction now, and with a closure many of us can die happy afterwards.
Kelly Haywood
18 de agosto de 2025 7:56 pmJulia is just Julia, I wish people would stop ecouraging her to cuse others and herself harm.