A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (11), a terceira fase da Operação Barco de Papel, que apura crimes contra o sistema financeiro na gestão do Rioprevidência, o fundo de pensão dos servidores do Estado do Rio de Janeiro. Durante a ação em Balneário Camboriú (SC), um dos ocupantes de um imóvel alvo da busca arremessou uma mala de dinheiro em espécie pela janela ao notar a chegada dos agentes.
O montante foi recuperado pelos policiais, que também apreenderam dois veículos de luxo. um Porsche e um BMW, avaliados em mais de R$ 1 milhão, além de dois smartphones. Além de Balneário Camboriú, os mandados expedidos pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro foram cumpridos no município de Itapema (SC).
Obstrução e ocultação de provas
Esta etapa da investigação foca na recuperação de bens e valores que teriam sido retirados do apartamento do principal alvo da operação em janeiro, logo após a primeira fase. Segundo a PF, há indícios de obstrução de justiça e tentativa de ocultação de provas. Na última terça-feira (3), o ex-presidente da autarquia, Deivis Marcon Antunes, já havia sido preso em Itatiaia (RJ) sob as mesmas suspeitas ao retornar dos Estados Unidos.
A investigação disseca nove operações financeiras realizadas entre o final de 2023 e meados de 2024. No período, o Rioprevidência destinou aproximadamente R$ 970 milhões para a compra de Letras Financeiras do Banco Master. Os títulos, no entanto, não possuíam garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e foram adquiridos pouco antes da liquidação extrajudicial da instituição pelo Banco Central, ocorrida em novembro passado.
Gestão sob suspeita
O inquérito aponta para um rol de crimes que inclui gestão fraudulenta, desvio de recursos, corrupção passiva e associação criminosa. O Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) já acompanhava as movimentações com reserva há mais de um ano e, em outubro de 2025, chegou a emitir um alerta formal proibindo novos aportes do Rioprevidência em papéis da instituição financeira devido ao alto perfil de risco.
Na época da liquidação do banco, a autarquia fluminense defendeu a legalidade das aplicações, alegando que o banco possuía “grau de investimento” e que os pagamentos de aposentados estavam assegurados pela arrecadação de royalties e participações especiais.
“O Rioprevidência ressalta ainda que o pagamento de aposentadorias e pensões está garantido, não havendo qualquer risco para os segurados do Estado do Rio de Janeiro. Cabe destacar ainda que o valor investido junto à instituição é inferior ao da folha mensal paga pela autarquia“, afirmou o órgão em nota.
Apesar da defesa, a PF sustenta que as aplicações ignoraram critérios básicos de segurança, colocando em xeque o patrimônio destinado a cerca de 235 mil beneficiários.
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