4 de junho de 2026

Pressão leva juiz a corrigir sentença: candomblé e umbanda são religiões

Jornal GGN – A forte reação da sociedade civil e a polêmica suscitada na imprensa contra a decisão do juiz da 17ª Vara de Fazenda Federal do Rio de Janeiro, Eugênio Rosa de Araújo, que havia declarado que candomblé e umbanda não eram religiões, levou o magistrado a rever sua posição a alterar parte do conteúdo da sentença. A mudança foi anunciada pela assessoria de imprensa da Justiça Federal do Rio de Janeiro na última terça-feira.

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Na mudança, o juiz reconhece o erro e afirma que “o forte apoio dado pela mídia e pela sociedade civil, demonstra, por si só, e de forma inquestionável, a crença no culto de tais religiões”. O magistrado ressaltou, ainda, que estava fazendo uma “adequação argumentativa para registrar a percepção deste Juízo de se tratarem os cultos afro-brasileiros de religiões”.

Na sentença original, onde o juiz negou ação movida pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro que pedia retirada do YouTube de 15 vídeos considerados ofensivos à umbanda e ao candomblé, o magistrado sustentou a negativa afirmando que as duas manifestações não eram religiões por não possuírem um livro base, como a Bíblia ou a Torá, ou não crerem num deus único.
A argumentação da decisão gerou críticas à Justiça. No entender de muitos praticantes dos cultos afro-brasileiros, o magistrado foi desrespeitoso e demonstrou desconhecimento da história da ancestralidade das religiões africanas, que são marcadas pela oralidade – e por isso não possuem texto base.

O juiz manteve a decisão onde negava o pedido de retirada dos vídeos difamatórios, mas fez um adendo ao novo texto sobre religiões, onde justifica que “suas liturgias, deidade e texto base são elementos que podem se cristalizar, de forma nem sempre homogênea”.

Na mesma nota, via assessoria, o juiz federal informa que “manteve o indeferimento da liminar pela retirada dos vídeos no Google postados pela Igreja Universal e esclarece que sua decisão teve como fundamento a liberdade de expressão e de reunião”. O advogado e babalorixá Márcio de Jagun, autor da ação, afirmou que a correção da decisão mostrou que a sociedade civil se uniu em torno das religiões de matriz africana.

Já havia um ato marcado para as 17h desta quarta-feira (21), na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio. A manifestação, de acordo com o advogado, não será desmobilizada mesmo com a correção feita pelo magistrado. Muda, contudo, o foco do evento: avaliar as alternativas para que os vídeos com teor difamatório sejam retirados do YouTube.

Redação

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28 Comentários
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  1. Adma Andrade Viegas

    21 de maio de 2014 2:42 pm

    Ele reconheceu-as como

    Ele reconheceu-as como religiões, graças à pressão da opinião pública, mas manteve os vídeos difamatórios no Youtube.

    Mas pior é a difamação que ocorre diuturna e impunimente em programas da TV Record, uma concessão pública.

  2. Gilson AS

    21 de maio de 2014 2:56 pm

    https://br.noticias.yahoo.com

    https://br.noticias.yahoo.com/blogs/jornalismo-wando/david-x-golias-na-terra-golias-125121834.html//////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////

    Depois que o juizão jogou pra torcida e considerou plenamente aceitável oferecer banana para um negro dentro de um “contexto humorístico”, um novo episódio do racismo à brasileira deu as caras nos tribunais. Dessa vez, o juiz Eugênio de Araújo polemizou ao negar o caráter religioso dos cultos afro-brasileiros.

    A leitura desse trecho da sentença faria sucesso na Marcha da Família:

    “ambas manifestações de religiosidade (umbanda e candomblé) não contêm os traços necessários de uma religião a saber, um texto base (corão, bíblia etc), ausência de estrutura hierárquica e ausência de um Deus a ser venerado. (…)

    As manifestações religiosas afro-brasileiras não se constituem em religiões”

    A decisão foi em resposta a uma ação do Ministério Público Federal, que solicitou a retirada de vídeos do Youtube que reproduzem o preconceito contra as religiões afro-brasileiras. Nas imagens, pastores neopentecostais aparecem associando os cultos de origem africana ao “diabo”, a “demônios” e a todo o mal que eles possam representar. Para o magistrado, a umbanda e o candomblé devem ser encarados apenas como folclore, já que não possuem um “texto base”, uma “estrutura hierárquica” e um “Deus a ser venerado”.

    Segundo critérios inventados pelo juiz, é condição fundamental a existência de um livro para determinar a legitimidade de uma religião. Esqueça a tradição oral que dá base para diversas outras religiões espalhadas pelo mundo. Esqueça a tradição oral cristã que precedeu a bíblia. Esqueça tudo o que você já leu sobre o assunto.As definições de religião foram atualizadas pelo juizão.

    Já o neopentecostalismo brasileiro não tem com que se preocupar. Institucionalmente reconhecidas, suas igrejas desfrutam de suntuosos templos e estão fortemente representadas na política nacional. Além de possuírem um “livro base” e uma eficiente estrutura hierárquica, contam com um incrível sistema de captação de recursos, que movimenta milhões e enriquece os que estão no topo da hierarquia.

    Para reforçar o caráter religioso dos neopentecostais, seus líderes costumam comprar espaços na TV (alguns compram uma emissora inteira) para disseminar suas livres interpretações do livro sagrado.Todo esse império religioso, construído com a ajuda de isenção de impostos garantida por lei, continuará livre para produzir vídeos difamatórios contra seus concorrentes dentro do mercado religioso. O juizão mandou seguir o jogo!

    Umbanda e candomblé não têm programas na TV, não possuem uma re

      

     

  3. Gilson AS

    21 de maio de 2014 3:14 pm

    Ainda bem !

    Senão der um freio nesses reacionários, o próximo passo é proibir negros e branco pobres de circularem em bairro nobres da cidade.

    A não ser se estiver com uniforme e com crachá de indentificação dizendo que é trabalhador, senão vai em cana.

    Prostitutas e gays só poderão sair de casa depois das 22hs até às 6 da manhã, se sair fora desse horário vai em cana.

    Esse judiciário é uma vergonha !

    Se o pessoal das religiõs das matrizes africanas não abrem o bico ia passar batido.

    Está na constituição a livre manifestação de credo e religião.

    Não sou praticante dessas religiões mais sei do valor que elas tem para o povo  minha etnia.

  4. Nilva de Souza

    21 de maio de 2014 3:16 pm

    Indeferiu a difamação e

    Indeferiu a difamação e voltou atrás no que não era a princípio o debate, legiferando a seu bel prazer sobre o que é ou não religião, sendo que não era este o mérito da questão.

    Ou seja, tudo como dantes. Os caras vão continuar difamando as religiões afro pois o meritíssimo, ou melhor, V. Meretrícia sentenciou que estão liberados para o que quiserem fazer.

  5. marcos nunes

    21 de maio de 2014 3:18 pm

    Ecumenismo

    Que bom! Isso quer dizer que podemos mandar todas as religiões e deuses, ocidentais, orientais, africanos e indígenas, todas igualmente e tão religiosamente para o diabo que as carreguem… É justo o que chamo de ecumenismo.

    1. Edsonmarcon

      21 de maio de 2014 3:58 pm

      Depende…

      Depende…

       

      Para os crentes, xingar as outras religiões é aceitável.

       

      Um ateu xingar as religiões é inaceitável.

       

       

      1. marcos nunes

        21 de maio de 2014 4:24 pm

        Se é por falta de motivo…

        Mais uma razão, uai.

      2. Morvan

        21 de maio de 2014 4:47 pm

        [In]Depende…

        Boa tarde.

        Concordo, parcialmente. Sou ateu. Acredito ser de uma violência simbólica descomunal tanto o crente de outras religiões xingar a outra como o ateu xingar algures. No primeiro caso, além da falta de argumentação, é proselitismo religioso; no segundo, é tripudiação. Respeitar a maneira de pensar e de ver o mundo é o primeiro e definitivo passo para evoluir como pessoa.

         

        1. Edsonmarcon

          21 de maio de 2014 4:53 pm

          com os ateu é pior

          Os crentes podem se xingar.

           

          mas os ateus não podem nem questionar a existência dos deuses, que é taxado de “ofensa” às religiões.

          1. Adma Andrade Viegas

            21 de maio de 2014 6:07 pm

            O problema não é questionar a

            O problema não é questionar a existência dos deuses. Cada um (des)crê  no que quiser.  Mas alguns ateus gostam de ofender e menosprezar os religiosos , o que é uma demonstração de fanatismo e intolerância também.

          2. marcos nunes

            21 de maio de 2014 6:18 pm

            No ringue da intolerância com palavras de má origem

            É, mas tem aquela coisa de ninguém ser sangue de barata (diria “anjo”, mas ô nome mais infeliz…) para ouvir alguém lhe dizer que “você vai para o inferno por não temer a deus” e se comportar, ô nomezinho infeliz, “olimpicamente”. Diante do fanatismo e intolerância, melhor se afastar, mas quando te cercam e exigem debate em termos tão edificantes? Aí, meu amigo, não dá.

          3. Adma Andrade Viegas

            21 de maio de 2014 6:38 pm

            Uma pessoa que age dessa

            Uma pessoa que age dessa forma “você vai para o inferno por não temer a deus” é um intolerante e mais que tudo, um ignorante. Comportamento condenável e burro.

            Pior ainda quando a intolerância religiosa vira política de estado, quando  na idade Média e ainda hoje em alguns países islâmicos.  A conquista do estado laico é um dos pilares da democracia.

            Mas há religiosos que não têm essa postura intolerante e convivem com ateus e agnósticos numa boa. É o meu caso..

            Dizer que a  “maneira de pensar” de um religioso é mais uma “maneira de não pensar”  não contribui muito para o entendimento. Embora eu até consiga compreender a frase, contextualizando-a, em função da intolerância que ateus muitas vezes sofrem dos religiosos.

          4. marcos nunes

            21 de maio de 2014 6:56 pm

            Futurismo & passadismo

            O problema está aí, e também noutro lugar: na guerra contra a laicidade, caso os religiosos ganhem, mesmo aqueles menos intolerantes lavarão as mãos e enviarão os ateus para as câmaras de gás. Casos os ateus ganhem, bem, aí eu não sei…

          5. Edsonmarcon

            21 de maio de 2014 6:32 pm

            é mesmo?

            Cada um (des)crê  no que quiser.

             vá dizer isso para eles

            Tem países por aí que se vc disser que é ateu vc pode ser condenado à morte.

             

            O problema é, sim, dizer que deuses não existem.

             

            Quando o povão se tocar, acaba o negocinho deles.

             

          6. Adma Andrade Viegas

            21 de maio de 2014 6:41 pm

            Tem países por aí que se vc

            Tem países por aí que se vc disser que é ateu vc pode ser condenado à morte.

             

            É verdade. Mas  em países democráticos nem todos os religiosos são intolerantes e alguns ateus gostam de provocá-los, Esse é o ponto.

          7. Edsonmarcon

            21 de maio de 2014 7:04 pm

            lista

            Uma lista de religiosos ou pessoas religiosas xingando ateus publicamente — TV, radio, internet — seria muito maior que uma lista de ateus fazendo isso.

             

             E na maioria das vezes o que mais incomoda os pastores / bispos / padres é dizer que os deuses deles são pura fantasia.

             

            medo de perderem a mamata.

          8. Frederico69

            21 de maio de 2014 10:29 pm

            o problema é que

            alguns não aceitam ver os demais cidadãos sendo explorados pelos mercadores da fé.

            os outros são acomodados demais para reclamar.

        2. Alan Souza

          21 de maio de 2014 5:03 pm

          Sou cristão e tenho um grande

          Sou cristão e tenho um grande amigo que é ateu. É uma das melhores pessoas que conheço. Na verdade, ele é muito melhor pessoa do que a maioria dos cristãos que eu conheço…

        3. marcos nunes

          21 de maio de 2014 5:22 pm

          Acho difícil respeitar a

          Acho difícil respeitar a “maneira de pensar” de um religioso, que é mais uma “maneira de não pensar” que, ademais, tenta impedir que os outros pensem e ajam, conforme pode se ver no nível de atuação dessas pessoas, ahn, religiosas, nas instituições, sempre prontas a censurar, impedir acesso ou promulgar leis que interditem debates tais que mantenham o grau ótimo de laicisismo do Estado.

          Na verdade, não vejo um sentido de evolução na história, valendo o mesmo para o indivíduo humano: ora podemos recair nos piores totalitarismos, ora nos submeter às evidentes sandices das religiões.

      3. anarquista sério

        21 de maio de 2014 5:57 pm

        Que resposta mais

        Que resposta mais absurda:

         Nem pra crentes e descrentes é aceitável xingar outra religiões.

             Aliás, há muita discordâcia sobre religiões só entre os crentes de várias delas.

                 O ateu respeita todas sem xingamento, embora não acredite em nenhuma.

                  Mas tem elegância e classe ao aceita-las mesmo não acreditando.

                        Eis a diferença!

  6. Orlando Soares Varêda

    21 de maio de 2014 3:51 pm

     
    Este  juiz é um pobre

     

    Este  juiz é um pobre ignorante. Sabe-se lá, como uma topeira desse tamanho obteve aprovação para exercer tal função. O fato, é que estamos verdadeiramente lascados com  os mecanismos aferidores de meritos, necessários para o sujeito se tornar juiz. Se até o supremo é uma lástima, imagina o que se passa cá em baixo na planície.

    De que vale a OAB controlar o tamanho do mercado de trabalho da corporação, se permite  transpor seus filtros, detrito do porte desse cidadão. Se é que, para se tornar juiz, o cabra necessite cumprir dois vestibulares para ser advogado, e mais um para juiz..

    Me desculpe ser também um ignorante. Embora, o risco de causar dano à população, por conta, seja mínimo. Isto, se comparado às desgraças causadas há inúmeras almas, por ignorantes de capa preta.

    Orlando

  7. Daytona

    21 de maio de 2014 3:54 pm

    Além de imbecil, ignorante e

    Além de imbecil, ignorante e canastrão, um bunda-mole, não tivesse o respaldo da sociedade civil, o covardão com certeza não teria mudado de sua ignorante e asquerosa posição.

    Reflexo do que é o Judiciário brasileiro, aparelhado, em sua grande maioria, por idiotas togados.

  8. Atila

    21 de maio de 2014 4:11 pm

    Candomblé e umbanda

    Acho que o excelência queria que as religiões tivessem uma espécie de constituição, a exemplo de um país.

    Constituição que muitas vezes nem respeitam, como a nossa.

    Há algumas semanas um jornal de BH publicou que após 21 anos de espera por uma decisão judicial, uma senhora teve reconhecidos os seus direitos de uma indenização pelo INSS. A senhora em questão tem 104 anos de idade, ou seja, já era idosa no início do processo. Fico imaginando o que essa coitada sofreu nesses anos esperando receber um valor de R$10 mil reais. O que diz a Constituição a respeito de idosos?

    Candomblé e umbanda são religiões sim, sr. magistrado!

  9. anarquista sério

    21 de maio de 2014 4:23 pm

     
    Corrigir sentença virou

     

    Corrigir sentença virou moda.

      É a segunda vez em menos de uma semana; E todas através do clamor popular.

          Afinal, quem julga?  As leis ou o clamor público?

            De certa forma estamos presenciando o oposto do linxamento popular que sou tornou tão corriqueiro.

               Agora, o linxamento é sobre decisões erradas.

             A insatisfação que corre nas veias deste país é latente.

              Com ministros se desetendo em suas avaliações, o governo perdido e o judiciário solçtando quem não deveria e não deixando trabalhar quem deveria, o clima fica mais tenso ainda.

                Tá complicado e não existe UM líder pra sossegar a nação.

                     O momento é caótico. Espero que seja passageiro.

  10. Sergio J Dias

    21 de maio de 2014 4:59 pm

    “Carta Acerca da Tolerância” de John Locke
    Alguns parágrafos de “Carta Acerca da Tolerância” de John Locke, grande pensador inglês do século XVII/XVIII e um dos pais da moderna ciência do direito, que discursa acerca da necessidade da tolerância religiosa nas relações entre os indivíduos e entre estes e o Estado. Assim assevera Locke: “Prezado Senhor:Desde que pergunta minha opinião acerca da mútua tolerância entre os cristãos, respondo-lhe, com brevidade, que a considero como o sinal principal e distintivo de uma verdadeira igreja.Porquanto, seja o que for que certas pessoas alardeiem da antiguidade de lugares e de nomes, ou do esplendor de seu ritual; outras, da reforma de sua doutrina, e todas da ortodoxia de sua fé (pois toda a gente é ortodoxa para si mesma); tais alegações, e outras semelhantes, revelam mais propriamente a luta de homens para alcançar o poder e o domínio do que sinais da igreja de Cristo. Se um homem possui todas aquelas coisas, mas se lhe faltar caridade, brandura e boa vontade para com todos os homens, mesmo para com os que não forem cristãos, ele não corresponde ao que é um cristão. “Os reis dos gentios exercem domínio sobre eles “, disse nosso Salvador aos seus discípulos, “mas vós assim não sereis “(Lucas, 22, 25). O papel da verdadeira religião consiste em algo completamente diverso. Não se instituiu em vista da pompa exterior, nem a favor do domínio eclesiástico e nem para se exercitar através da força, mas para regular a vida dos homens segundo a virtude e a piedade. Quem quer que se aliste sob a bandeira de Cristo deve, antes de tudo, combater seus próprios vícios, seu próprio orgulho e luxúria; por outro lado, sem santidade da vida, pureza de conduta, benignidade e brandura do espírito, será em vão que almejará a denominação de cristão. “Tu, quando te converteres, revigora teus irmãos”; disse nossoSenhor a Pedro (Lucas, 22, 32).” Mais adiante acrescenta, o autor: “Se alguém pretender fazer com que uma alma, cuja salvação deseja de todo o coração, sofra em tormentos, mesmo que ainda não se tenha convertido, confesso que isso não apenas me surpreenderia, como também a outrem. Ninguém, certamente, acreditará que tal atitude tenha nascido do amor, da boa vontade e da caridade Se os homens são submetidos a ferro e fogo a professar certas doutrinas, e forçados a adotar certa forma de culto exterior, mas sem se levar em consideração seus costumes; se alguém tentar converter os de fé contrária, obrigando-os a cultuar coisas nas quais não acreditam, e permitindo-lhes fazer coisas que o Evangelho não permite aos cristãos, e que nenhum crente permite a si mesmo, não duvido que apenas visa reunir numa assembléia numerosa outros adeptos de seu culto; mas quem acreditará que ele visa instituir uma igreja cristã? Não é, portanto, de se admirar que os homens – não importa o que pretendem – lancem mão de armas que não fazem parte de uma campanha cristã, quando não intencionam promover o avanço da verdadeira religião e da Igreja de Cristo. Se, como o Comandante de nossa salvação, desejassem sinceramente a salvação das almas, deveriam caminhar nos seus passos e seguir o perfeito exemplo do Príncipe da Paz, que enviou seus discípulos para converter nações e agrupá-las sob sua Igreja, desarmados da espada ou da força, mas providos das lições do Evangelho, da mensagem de paz e da santidade exemplar de suas condutas. Se_os infiéis tivessem que se converter mediante a força das armas, e se o cego-e,o obstinado tivessem que ser lembrados de seus erros por soldados armados, seria mais fácil que Ele o fizesse pelo uso do exército das legiões celestiais, do que por qualquer protetor da Igreja, não obstante poderoso, mediante seus dragões.A tolerância para os defensores de opiniões opostas acerca de temas religiosos está tão de acordo com o Evangelho e com a razão que parece monstruoso que os homens sejam cegos diante de uma luz tão clara. Não condenarei aqui o orgulho e a ambição de uns, a paixão a impiedade e o zelo descaridoso de outros. Estes defeitos não podem, talvez, ser erradicados dos assuntos humanos, embora sejam tais que ninguém gostaria que lhe fosse abertamente atribuídos; pois, quando alguém se encontra seduzido por eles, tenta arduamente despertar elogios ao disfarçá-los sob cores ilusórias. Mas que uns não podem camuflar sua perseguição e crueldade não cristãs com o pretexto de zelar pela comunidade e pela obediência às leis; e que outros, em nome da religião, não devem solicitar permissão  a sua imoralidade e impunidade de seus delitos; numa palavra, ninguém pode impor-se a si mesmo ou aos outros, quer como obediente súdito de seu príncipe, quer como sincero venerador de Deus: considero isso necessário sobretudo pra distinguir entre as funções do governo civil e da religião, e para demarcar as verdadeiras fronteiras entre a Igreja e a comunidade. Se isso não for feito, não se pode pôr um fim às controvérsias entre os que realmente têm, ou pretendem ter, um profundo interesse pela salvação as almas de um lado, e, por outro, pela segurança da comunidade.” 

  11. jc.pompeu

    21 de maio de 2014 5:27 pm

    “Pressão leva juiz a corrigir

    Pressão leva juiz a corrigir sentença: candomblé e umbanda são religiões

    só se corrigir e voltar atrás na sentença colonial, prosaíca, discriminatória: – já não basta!

    frente ao veredicto juízo final das ruas, da opinião pública, da participação social do ministro Carvalho…

    para se redimir se penitenciar se corrigir, perante os deuses, do P.R.I. de injustiça colonial, ignara, eurocêntrica contra religiões afro em plena primavera auspiciosa do século XXI das TICs:

    – tem é que participar!

  12. junior50

    22 de maio de 2014 12:16 am

    Minha mãe, Yansã, meu pai Ogum, meu elede Oxaguianparrishs

      Ou para os puristas, na ancestralidade oral yorubá: Aborimessan ( a mãe dos nove eguns), Gum ( como é conhecido em Cuba, Florida, e demais “nações” não yorubanas, mas gegê-nagô, ou como no Haiti, onde Gum – nosso Ogum – é o condutor do culto aos “orisás”, junto com Ossúmare, e Baron Samedi seu “duplo” – nosso Exú – a “ponte”, entre nós e os orisás), quanto a meu “eledê” – O´sa-o -guiãn ( na tradição yoruba, Ossálá jovem, guerreiro, mas burro – afinal essú ( orisá essú) roubou dele o saco da criação, dado a ele por Orunmilá).

        Não vou me estender mais sobre a teogonia/cosmogonia referentes a tradição religiosa, oral, de mais de 1000 anos, das civilizações que existiram na região do golfo de Benim, NIgéria, Angola ou Moçambique, nem mesmo tentar explicar a influência muçulmana, sobre certas práticas referentes aos ori´sás daomeanos – deixo para os sociólogos, não brasileiros, franceses e alemães são muito melhores nestes quesitos – Respeitam !!!!!.

        Quanto ao “paupérrimo cultural ” juiz, gostaria de informa-lo, que tanto o Talmud ( variavel de acordo com a cultura), ou Al-Kuram ( Alcorão), apesar de serem “escritos”, são dissertações orais, passadas e repassadas pela tradição, portanto representam religiosidade e crença, evoluidas através dos povos e afeitas a contemporariedade; meu querido causidico, religiosidade é mutavel através dos tempos, vide as interpretações do Talmud e os “haddits” do Al-Kuram.

          Sr. Juiz, excelencia ou excrescencia, a mim pouco importa sua definição ou sentença, aliás é ridicula tal demanda chegar ao judiciario de uma nação, religião & crença, são assuntos privados, inerentes a condição humana, nem mesmo nos Estados Unidos da América do Norte – nação de base protestante, onde todos perguntam qual é a sua religião/crença – é necessário falar que se crê em um Deus – fui inquerido por ser afeito a religiosidade de “New Orleans, ou aos “parrishs” da Florida ou Texas – foi incrivel, minhas “guias”, “brajas”, em nada os ofenderam – as vezes aqui, em meu país – muito mais mestiço de crenças – ofendem.

           Respeito: Escrevi sobre os Estados Unidos, onde minha crença foi respeitada, em Cuba, Haiti, Porto Rico, Colombia, Perú, infelizmente, mais do que em meu próprio país; em Israel onde fui várias vezes, minha crença nunca foi impecilio, a nada, claro que tive problemas, básicos e faceis, na Arabia Saudita, Iraque de Sadam, Irã, Kuwait, Emirados, facilmente contornaveis, apesar de ser considerado um “animista”, mas ao crer em um Deus, o próprio Corão, e seus sheiks, tanto sunitas como xiitas, respeitam a crença/religiosidade, claro que vieram com a história de expansão arabe-muçulmana na Africa Ocidental e suas influências na cultura gege/daomena/yorubá, mas sem proselitismo, esgrimindo cultura, debate proficuo – não os mudei, aliás nem queria, mas eles me explicaram a visão que teem – eles me creditaram e eu os creditei.

            Um livro, escrito, ditado, 300 anos após, não é base de nada logicamente, são estórias passadas ao papel, creiam nelas, os que demandem alguma fé, Constantino escolheu determinados evangelhos (Nicéia), visando sustentar seu Império – o que vem depois, é crença, fé – nada alem, apenas um papel escrito, determinado pela conveniência de um Imperador.

  13. Alexandre Michael

    30 de dezembro de 2017 4:04 pm

    Lamentável

    Lamentável esse medo desse que se diz Juiz!

     

    Candomblé, Umbnda, Kimbanda, Espiritismo NUNCA FORAM E NUNCA SERÃO RELIGIÕES!!!

     

    Eles copiam tudo das verdadeiras religiões!! O que caracteriza uma religião???

     

     

    Existência de um texto base – Espiritismo copia tudo da bíblia Sagrada, portanto, não possuem escrita própria

    Umbanda se baseia pelas imagens dos mártires da Igreja Católica Romana

     

    Candomblé se baseia nas “Froças da Natureza” ao qual chamam de “orixás” e não possuem base textual nem fundamental para isso!

     

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