Prisão de ex-Braskem nos EUA expõe manobra da Lava Jato contra Marcelo Odebrecht

Prisão de ex-presidente da petroquímica nos EUA coloca em dúvida acusações da Lava Jato que levaram à condenação Marcelo Odebrecht a 19 anos de prisão

Jornal GGN – O ex-presidente da Braskem José Carlos Grubisich foi surpreendido na última quarta-feira (20) ao desembarcar no aeroporto John F. Kennedy, em Nova York, por uma equipe de agentes da polícia federal norte-americana.

O executivo foi detido sob uma denúncia feita pelo Doj (Departamento de Justiça americana) de conspiração por violar uma lei de corrupção estrangeira dos Estados Unidos, por lavagem de dinheiro e por ter supostamente participado de um esquema de propinas (caixa dois) na época em que dirigiu a Braskem.

Segundo os investigadores daquele país, o esquema teria ocorrido entre 2002 e 2014. Grubisich dirigiu a Braskem entre 2002 e 2008. A denúncia contra o executivo nos EUA foi feita em segredo, ainda em fevereiro deste ano.

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, seu advogado no Brasil, Alberto Zacharias Toron disse que a surpresa da prisão do seu cliente está no fato de que as acusações terem relação com práticas ocorridas no Brasil e investigadas pela Lava Jato.

“Há acusações absolutamente inéditas, novas. Os fatos em princípio têm a ver com práticas ocorridas no Brasil, investigadas pela Lava Jato, em relação às quais ele [Grubisich] nunca foi denunciado”, explicou.

“Ele já constituiu advogado para acompanhar o processo nos Estados Unidos e sua prisão, similar à nossa preventiva, decorre do fato de ser estrangeiro, o que causa estranheza, já que ele não responde no Brasil pelos fatos que lhe são imputados pela corte americana”, completou em nota.

No dia da prisão do executivo, o coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, postou em seu perfil no Twitter: “Esse é o tipo de notícia que você só lê porque a cooperação internacional contra o crime existe. E está cada vez mais forte”.

Em reportagem divulgada nesta segunda-feira (25), a Folha revela que a Lava Jato sabia desde 2016 sobre as acusações que levaram Grubisich à prisão nos Estados Unidos. A informação, entretanto, não chegou a gerar denúncia contra ele no Brasil.

Se tivesse gerado, teria favorecido o ex-presidente da Odebrecht e ex-presidente do conselho de administração da Braskem, Marcelo Odebrecht, condenado a 19 anos de prisão por, supostamente, ter negociado propinas da Braskem com a Petrobras para atender políticos, em troca de contratos, crime que ele sempre negou e que outros delatores no caso também apontam que não houve o envolvimento do executivo.

A Braskem é uma empresa controlada pelo grupo Odebrecht que detém 38,3% da petroquímica, enquanto a Petrobras detém 36,1%. Os outros 25,5% estão nas mãos de acionistas minoritários.

Em sua defesa, Marcelo disse que as acusações das supostas práticas que ele teria realizado foram de fatos ocorridos antes de ele assumir o conselho administrativo da Braskem, em 2008. O empresário admitiu apenas que, durante a gestão à frente do conselho da companhia, a partir de 2008, liberou pagamentos para o PT, porém em acordos que não envolviam a Petrobras.

Se a Justiça do Paraná reconhecesse as alegações de Marcelo, a denúncia sobre seu caso deveria sair de Curitiba, isso porque uma decisão do Supremo Tribunal Federal havia estabelecido que apenas denúncias ligadas à Petrobras poderiam ficar com a força-tarefa da Lava Jato liderada por Dallagnol.

Portanto, reconhecer o envolvimento de Grubisich coloca em dúvida parte dos argumentos usados para condenar Marcelo Odebrecht e também embasar questionamentos sobre a permanência do inquérito que envolve o empresário no grupo do Ministério Público Federal do Paraná.

A Folha de S.Paulo diz que teve acesso a um dos anexos do acordo de leniência da Braskem. A empresa conta que, ainda em 2006, o então presidente do conselho administrativo da petroquímica Pedro Novis foi procurado por Grubisich, na época presidente da companhia.

“O objetivo seria atender a demandas político-partidárias para o custeio de campanhas eleitorais de candidatos com aderência às agendas institucionais de interesse da Braskem e do setor petroquímico”, diz o texto.

Novis disse ainda que, na conversa com o executivo, ficou claro que a proposta era constituir um caixa dois: “Com o objetivo de consolidar uma base de relacionamento junto às lideranças políticas e que potencialmente, viesse a contribuir para a solução de temas estratégicos em benefício da Braskem”.

A matéria da Folha destaca ainda que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef, também delatores no caso, negam a participação de Marcelo Odebrecht na constituição de caixa dois dentro da Braskem para atender lideranças políticas.

O jornal entrou em contato com a força-tarefa da Operação Lava Jato no Paraná para ouvir o outro lado. A resposta do grupo foi que ‘o volume de informações conseguido com os acordos de leniência é elevado, e cada investigação tem um ritmo próprio de apuração’.

“Os acordos de leniência com a Odebrecht e a Braskem permitiram alcançar informações e provas em relação a centenas de crimes e pessoas. A partir disso, cada país desenvolveu linhas de investigação próprias que estão em diferentes estágios de maturação”, afirmou ainda Deltan Dallagnol em nota enviada ao jornal.

*Clique aqui para ler a reportagem da Folha na íntegra.

5 Comentários

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Justo Veríssimo

- 2019-11-28 11:03:42

Odebrecht símbolo Mundial de Corrupção e o Sr quer sofismar sobre os empregos ? Isto é irracional e imoral. Os empregos para gente honesta não faltarão jamais. Chega de atraso por conta da hipocrisia.

Zé Sérgio

- 2019-11-25 15:52:17

Os Americanos fizeram isto mesmo, mas quem destrói a Indústria Nacional Somos Nós mesmos. Não precisamos dos Americanos. Fazemos isto com Nosso AntiCapitalismo de Estado. Quem precisa de Empregos? Estudar para que, sem Empregos Qualificados?

juarez da silva campos

- 2019-11-25 11:31:41

Os americanos instrumentaram a Vaza a Jato e destruíram a indústria nacional.

Zé Sérgio

- 2019-11-25 11:26:28

AntiCapitalismo de Estado. O Estado Brasileiro abrindo os flancos para ser atacado por Interesses Estrangeiros. A luta política contra a própria Nação. Uma guerra acima da Sociedade que não se representa, nem se respeita. A Aberração Somos Nós. Não importam Indústrias Nacionais. Não importa EMPREGOS Nacionais. Odebrecht foi uma das Empresas beneficiadas pela Política dos Campeões Nacionais. Se produto de outro Governo, então deve ser combatida. Este é o pensamento primário e obtuso. O que importa se já foi 550.000 EMPREGOS BRASILEIROS DE ALTA QUALIFICAÇÃO? O Estado Brasileiro só precisa dele mesmo e 40% de todo PIB. Quando muito obeso é só vender mais uma parte da Nação. Pode ser seu Território, seu Petróleo, suas Energia Elétrica, sua Liberdade, seu Ar, seus Minerais,...Não entendemos estes 90 anos? Pobre país rico. Um país que combate suas marcas, empresas e cidadãos em benefício e interesses estrangeiros? Mas de muito fácil explicação.

- 2019-11-25 10:58:19

Seguindo a dica do jornalista Pepe Escobar em suas lives na TV 247, comecei a ler o livro "The American Trap: My battle to expose America's secret economic war against the rest of the world" do executivo francês Frédéric Pierucci, que foi alvo de uma cilada parecida. Já dá pra qual o a intenção e o possível resultado dessa prisão: a venda da Braskem na bacia das almas para algum conglomerado dos EUA. O DOJ está pouco se lixando para a corrupção, desde que os interesses corporativos dos EUA sejam atendidos.

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