5 de junho de 2026

Promotores dizem que diante de “rolezinho” soluções jurídicas tradicionais são insuficientes

São Paulo – Promotores de Justiça do estado de São Paulo consideraram hoje (17) como insuficiente o ordenamento jurídico atual para enfrentar os conflitos decorrentes dos chamados “rolezinhos”, feitos desde dezembro do ano passado em shoppingsda cidade.

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“O que nós sabemos é que as soluções jurídicas tradicionais, aquelas com as quais nós estamos acostumados a lidar, elas não se revelam suficientes para esses casos. As soluções tradicionais, que o direito nos fornece, não nos parece suficientes. Às vezes nem são adequadas. O ordenamento jurídico atual não traz solução pronta para esses problemas”, disse a promotora da Infância e da Juventude, Luciana Bergamo.

A opinião dela é compartilhada também pelo promotor de Habitação e Urbanismo, Mauricio Antonio Ribeiro Lopes. Para ele, o novo fenômeno social ainda precisa ser compreendido. “Não há solução mágica, nem jurídica. Daí a necessidade de refletir sobre a cidade. Por que isso é marcado nos shopping centers? Quais são os outros espaços que a cidade tem oferecido para a convivência das pessoas? O Sambódromo? As pessoas querem visibilidade”, disse.

De acordo com os promotores, a premissa que o Ministério Público (MP) tem usado para lidar com o assunto é a da  indistinção, ou seja, os shoppings podem fechar as portas quando houver um “rolezinho” marcado para o local. No entanto, terá de estar fechado para todos.

“O shopping estar fechado com uma igualdade visível para todos, isso é uma situação. Não pode impedir a entrada de grupos [distintos]. Não pode escolher: vocês não entram, mas você bem vestido, com dois filhos, você entra, isso não pode ser feito. O nosso conceito é esse, o da indistinção”, disse o promotor de Habitação e Urbanismo.

Ontem, dois shoppings da capital paulista fecharam suas portas em razão dos “rolezinhos”. Por volta das 17h30, o  Shopping Jardim Sul, que fica na região do Morumbi, foi evacuado e teve todos os acesso bloqueados com grades. Em comunicado, o establecimento disse que tomou medidas preventivas para resguardar clientes e lojistas. O Shopping Campo Limpo, na mesma região, informou por nota que fechou as portas às 17h para “manter a segurança de clientes, lojistas e funcionários”.

Na semana passada, alguns centros comerciais pediram identificação de menores que pretendiam entrar no local. Eles exigiram de alguns a presença dos pais. “Esta medida é inadequada. Ele [o shopping] não pode dizer: eu só quero consumidores da classe alta, ou só idosos, ou só integrantes de manifestações sociais”, destacou a promotora de Infância e Juventude.

Os promotores anunciaram que pretendem intermediar o diálogo entre os participantes dos “rolezinhos” e os centros comerciais. Os promotores se reuniram, ontem, com representantes dos shopping centers. Na próxima semana, irão chamar os participantes dos “rolezinhos” para conversar e tentar entender o movimento. No entanto, ainda não sabem como fazer isso, pois não há líderes nem porta-vozes.

“O meu slogan é esse: venham fazer um ‘rolezinho’ no Ministério Público. É essa a ideia, queremos conversar com vocês”, disse em tom de brincadeira o promotor Ribeiro Lopes.

Edição: Fábio Massalli

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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4 Comentários
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  1. Anarquista Lúcida

    18 de janeiro de 2014 5:27 pm

    Ótimo, uma constatação do óbvio (nao é crítica, é elogio)

    O óbvio nem sempre é visto… É óbvio que os shoppings nao podem escolher os frequentadores, isso é discriminatório. É óbvio que uma “solução” para os problemas dos lojistas só pode vir do diálogo. É óbvio que quanto maior a represao, maior será a revolta e inclusive a politização dos rolês… (o que eu acharia ótimo tb, mas nao deve ser o que querem os donos de shoppings…)

  2. Maria Rita

    20 de janeiro de 2014 1:26 am

    Os shoppings são cidades

    Os shoppings são cidades dentro da cidade, todos padronizados mas segundo seus públicos alvos. Essa palavra aliás define tudo: público alvo. Não somos nós que os escolhemos, são eles que nos enquadram em seus espaços.São chamados templos do consumo. Os de luxo são realmente de luxo e intimidadores até para uma classe média, seja pelos preços exorbitantes ou pelo silêncio elegante  imposto pela etiqueta social. Isso me fez lembrar o Flaneur de Baudellaire. Dá para passear e observar a multidão nessa cidade privada? Às vezes, mesmo sem grana, dá para ver vitrines, no máximo comer alguma coisa na praça da alimentação, nem que seja só um cafezinho. Seríamos mesmo visíveis num shopping? Acho que não, a não ser que sejamos alguma celebridade ou uma pessoa suspeita já sacada pelos seguranças. Ah, ali também são caçados e caçadas os jovens com potencial para o ramo da moda internacional. Li no Uol que já tem até HQ sobre os rolézinhos. Foi notado, sem dúvida. Até pela exclusão, foi notado. E está sendo tema de discussão nos MPs. Isso parece até um ataque ao forte apache. Lembrei do meu tempo em que a gente realmente passeava pelas ruas e praças da cidade, independente de nossas origens sociais. Tínhamos nossas lojas preferidas, nossas livrarias, nossos cafés tão acolhedores. Nostalgia. Mas  faz tempo que  nosso tempo não é mais o da modernidade. Entrar num shopping é seguir à risca a agenda na hora do almoço ou no final da tarde antes de chegar em casa. Comprar um presentinho, almoçar com amigos, todos falando no celular enquanto almoçam, aproveitar para pegar um cineminha. Pode mesmo ser uma fuga do tédio do dia-a-dia. Que deve ser o mesmo tédio, só que estressante, para quem trabalha lá.  Que prazer é esse? É tudo igual. Resolvi revisitar o flaneur, busquei alguma coisa na Internet e encontrei um texto interessante:  O novo flaneur. Com um depoimento do Fausto Fawcett. O portal é PUC-Rio Digital. Vale a pena ler.

  3. HumbertoGuedes

    20 de janeiro de 2014 3:14 pm

    Dizer que medidas jurídicas

    Dizer que medidas jurídicas são insuficientes contra os rolezinhos é confessar espírito policialesco de apartheid econômico-social, típico das elites pseudo-aristocráticas contra o demo, por ela, desde sempre, tão temido e odiado.

    Medidas jurídicas contra os rolezinhos, ou manifestações públicas de qualquer tipo, livres da intromissão de minorias manipuladoras sejam sacerdotes, políticos ou tecnocientistas, são, sim, inadequadas ao Estado Democrático de Direito.

    Nossas “elites” são viciadas em endorfinas secretadas com a incontinência de libido por dominação, vendo-se narcisicamente arrastadas por uma obsessão compulsiva de ordem outrofóbica (aversão ao outro marcado pela diferença a si).

    Sua histeria leva-a a responder, ordinariamente, com ordem unida (militarização do cotidiano, do trabalho às ruas, passando pelos templos e laboratórios, de qualquer gênero) e truculência do autoritarismo ao cacetete, claro, com escala obrigatória pelos neurolépticos (indutores de sono, ansiolíticos, antidepressivos, moduladores de humor etc., que fazem da sociedade contemporânea o maior e jamais imaginado ambulatório psiquiátrico a céu aberto – ver “Marketing da Loucura”, no YouTube).

    Às vezes chego a pensar que essa gente acredita que os constrangidos, os marginalizados, os excluídos deveriam sentir-se orgulhosos de cumprir dever cívico de conterem-se em seus devidos lugares, mesmo que na sarjeta, sob a ponte ou em palafitas, sem falar das baias de trabalho e autorizações a disparar algorítimos de variados níveis, funcionalizando-se até a medula – francamente…,

    Se isso cumpre a lei (Estado Democrático de Direito, dignificação da pessoa humana, formação de sociedade livre justa e solidária, sob a égide da isonomia e da defesa do cidadão contra o Estado), então, não sei se sofro de falência completa em minha alfabetização, ou se tudo não passa de farsa componente da fascista espetacularização da sociedade.

    Saudações libertárias e enlutadas.

  4. HumbertoGuedes

    21 de janeiro de 2014 1:44 am

    Comentário crítico, feito à

    Comentário crítico, feito à matéria ao final reproduzida.

    Dizer que medidas jurídicas são insuficientes contra os rolezinhos é confessar espírito policialesco de apartheid econômico-social, típico das elites pseudo-aristocráticas contra o demo, por ela, desde sempre, tão temido e odiado.

    Medidas jurídicas contra os rolezinhos, ou manifestações públicas de qualquer tipo, livres da intromissão de minorias manipuladoras sejam sacerdotes, políticos ou tecnocientistas, são, sim, inadequadas ao Estado Democrático de Direito.

    Nossas “elites” são viciadas em endorfinas secretadas com a incontinência de libido por dominação, vendo-se narcisicamente arrastadas por uma obsessão compulsiva de ordem outrofóbica (aversão ao outro marcado pela diferença a si).

    Sua histeria leva-a a responder, ordinariamente, com ordem unida (militarização do cotidiano, do trabalho às ruas, passando pelos templos e laboratórios, de qualquer gênero) e truculência do autoritarismo ao cacetete, claro, com escala obrigatória pelos neurolépticos (indutores de sono, ansiolíticos, antidepressivos, moduladores de humor etc., que fazem da sociedade contemporânea o maior e jamais imaginado ambulatório psiquiátrico a céu aberto – ver “Marketing da Loucura”, no YouTube).

    Às vezes chego a pensar que essa gente acredita que os constrangidos, os marginalizados, os excluídos deveriam sentir-se orgulhosos de cumprir dever cívico de conterem-se em seus devidos lugares, mesmo que na sarjeta, sob a ponte ou em palafitas, sem falar das baias de trabalho e autorizações a disparar algorítimos de variados níveis, funcionalizando-se até a medula – francamente…,

    Se isso cumpre a lei (Estado Democrático de Direito, dignificação da pessoa humana, formação de sociedade livre justa e solidária, sob a égide da isonomia e da defesa do cidadão contra o Estado), então, não sei se sofro de falência completa em minha alfabetização, ou se tudo não passa de farsa componente da fascista espetacularização da sociedade.

    Saudações libertárias e enlutadas.

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