4 de junho de 2026

Psicólogos de Varas de Família têm dificuldades no trabalho

Jornal GGN – Um estudo apresentado no Instituto de Psicologia (IP) da USP revela que a atuação dos psicólogos no campo da psicologia jurídica é marcada por contradições e conflitos, principalmente porque trata-se de uma área relativamente recente no Brasil. Isso leva muitos profissionais a não ter formação específica durante a graduação.

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A presença do psicólogo é fundamental no andamento de processos na atuação junto às partes envolvidas e em relação ao auxílio do corpo jurídico, como na elaboração de avaliações psicológicas determinadas pelos juízes. Mas o estudo da psicóloga Pollyana Santos, intitulado “A atuação do psicólogo junto às Varas de Família: reflexões a partir de uma experiência”, mostra que muitos profissionais só vão se ver diante das especificidades do segmento durante a ação prática.

“Poucas faculdades públicas oferecem disciplinas que abordem a atuação nesse setor. Durante minha participação em campo, deparei-me com a realidade de que nenhum dos psicólogos que participaram da implantação do Serviço de Psicologia no fórum possuía a Psicologia Jurídica como parte das disciplinas regularmente cursadas na graduação. Todos os profissionais foram admitidos mediante concurso público e nenhum teve prévia capacitação para iniciar a atuação”, diz a pesquisadora.

O trabalho foi elaborado a partir da análise da implantação do serviço de psicologia em um fórum, cuja identificação foi preservada no texto do estudo por questões éticas de sigilo. O despreparo para a chegada de profissionais de psicologia gerou impactos na maneira como o projeto foi desenvolvido no fórum, revelando um descaso por parte da instituição, que não compreendia o papel que seria desempenhado pelos profissionais, nem oferecia condições adequadas para o desenvolvimento do Serviço.

“Foi inadequada a realidade com que os profissionais foram recebidos pela instituição. Inclusive, o espaço físico destinado à construção do setor foi entendido pelos psicólogos como um improviso”, diz Pollyana, reiterando que existe uma naturalização da desigualdade presente na instituição judiciária entre os magistrados e demais servidores, o que gera reflexos nas relações de poder. Além disso, a desigualdade vai além da relação de autoridade, a qual pôde ser observada nas condições de trabalho desrespeitosas as quais os profissionais foram submetidos na implantação do serviço.

Com informações da Agência USP.

Redação

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