Vaza Jato: Delator diz ter levado dinheiro para Grupo Silvio Santos

O operador financeiro preso na Lava Jato, Adir Assad, afirmou ter levado milhões ao grupo de televisão por meio de contratos fraudados

Silvio Santos quando candidato a presidente da República pelo PMB, em 1989. Imagem: Reprodução

Jornal GGN – Entre o material entregue por uma fonte anônima ao The Intercept Brasil, com as conversas trocadas entres os membros da Lava Jato, estão anexos de um acordo de delação premiada firmado entre o operador financeiro Adir Assad e a Justiça.

O conteúdo, agora revelado nesta quinta-feira (29) pela Folha de S.Paulo em parceria com o Intercept, mostra que o delator afirmou aos procuradores que levou milhões de reais para o Grupo Silvio Santos por meio de contratos fraudados de patrocínio esportivo.

Segundo Assad, seu contato no Grupo Silvio Santos era o sobrinho do apresentador, Daniel Abravanel a partir da Liderança Capitalização, empresa responsável pela Tele Sena.

Na delação, Assad conta que recebeu R$ 19 milhões da Liderança Capitalização através da sua firma, a Rock Star, de 2006 a 2011. Parte do dinheiro patrocinou pilotos da Fórmula Truck, Indy e da categoria Indy Lights, e a maior parte do montante retornou ao Grupo Silvio Santos.

O operador disse aos procuradores que o SBT tinha necessidade de fazer um caixa paralelo na época, mas não soube dizer a finalidade. A reportagem Folha-Intercept destaca que, ao virar delator, Assad admitiu praticar irregularidades e se definiu como um “gerador de caixa” e ainda contou que entregava o dinheiro para seus contratantes sem nunca procurar saber o que cada um faria com os valores.

No seu esquema de lavagem, do total de valor cobrado dos patrocinadores, ele descontava 10% pela prestação de serviço, outros 10% para comissão própria e 80% eram devolvidos às grandes empresas.

Em relação ao SBT, Assad contou que o esquema funcionou em duas épocas. Na primeira, no fim de 1990, ele diz ter firmado contratos superfaturados de patrocínio entre as empresas do grupo e pilotos da Fórmula Indy e da categoria Indy Lights. Seu contato na época era Guilherme Stoliar, atual presidente do Grupo Silvio Santos.

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Nessa época, ele diz ter movimentado R$ 10 milhões. Assad pontuou também que os pilotos nunca souberam das irregularidades, apenas eram patrocinados como forma de viabilizar os “espaços de publicidade”. Helio Castroneves e Tony Kanaan, foram alguns dos pilotos patrocinados.

A reportagem Folha-Intercept conta que o irmão de Assad, Samir, que também é operador e virou delator da Lava Jato, fez relato corroborando a história.

A segunda fase de trabalhos com o SBT aconteceu em meados dos anos 2000. Segundo Assad, foram feitos contratos de imagem e de patrocínio na Fórmula Truck, num esquema em que uma pequena parte dos valores era transferida aos esportistas, e boa parte dos valores restantes devolvida ao SBT.

Ainda segundo Assad, a maior parte do dinheiro foi entregue em espécie para um diretor financeiro chamado Vilmar, em um escritório no centro de São Paulo do Grupo Silvio Santos.

“A Folha apurou que o diretor financeiro das empresas de Silvio Santos à época era Vilmar Bernardes da Costa”, diz a matéria.

Ainda segundo a reportagem, o relato com a acusação de Assad ao grupo dono do SBT foi incluído na versão final do acordo do operador, firmado em 2017 e homologado na Justiça.

O capítulo específico que trata do SBT foi enviado à Justiça Federal de São Paulo e os detalhes do caso e da apuração seguem em sigilo.

Em nota sobre a acusação de Assad, o SBT e o Grupo Silvio Santos disseram que “por desconhecerem o teor da delação” não poderiam se manifestar.

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“Aproveitamos para enfatizar que as empresas do GSS sempre pautaram suas condutas pelas melhores práticas de governança e dentro dos estritos princípios legais.”

*Clique aqui para ler a matéria Folha-Intercept na íntegra.

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5 comentários

  1. Agora a coisa tá esquentando. Tá chegando nessa imprensa porca.
    Mas não nos iludamos: Sílvio Santos é aprendiz de trombadinha perto dos gangsters Marinhos. São esses basiliscos inumanos que tem que aparecer.

  2. Vamos ver se com outros vazamentos os lavajatistas de SP vão ter de desengavetar processos, pois até agora protegeram muita corrupção graúda do PSDB e seus empresários associados.

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