Catarina e Jarirí – uma paixão sobre-humana, por Cafezá

Catarina e Jarirí – uma paixão sobre-humana, por Cafezá

Entoncis Jarirí entrou, tomô muita água, lavô o rosto suado e bebeu do café qui Paisé tinha acabado de coar.

– Eu vim em busca dos teus cunhecimentos sobri pulítica, Paisé. Lá na mata, na casa do teu primo mestre Bódim, não se sabe sobri o résurtado das eleição. Se ucê pudé fazê o favor, conta preu o résurtado dessa pendenga. Eu priciso sabê tudo tim-tim pur tim-tim, quem ganhô e quem perdeu, e o qui vai acuntecê daqui indiante inté o sigundo turno.

Muito bem, rapaz. Ucêis qui istão lá na mata cum Bódim acumpanham a pulítica como torcedoris di futibór acumpanham o time. Esses sabem se o time tá bem colocado na tabela. Cuantos pontos tem nu campeonato, cuantos jogos ãinda falta pra final. Sabem o nome di todos os jugadô e do técnico, e tudo o mais sobri o time. Si duvidá, eiles sabem inté as cor das cuéca di cada jogadô. O futibór é a paxão da vida deile e tumém é a paxão nacional. Ah, Jarirí! Como eu gostaria qui eiles acumpanhassem a pulítica do mesmo jeito qui acumpanham o futibór. Se tudos os brasileru acumpanhassi a pulítica como eisses torcedô acumpanham o time, o Brasir seria um país diférenti, muito mélhor.

– É vérdade, Paisé. A maioria dos brasileru num sabi o qui tá pur trás da pulítica.

– Isso qui ucê falô. Jarirí, é tão cérto  como um passarim que, di madrugada, canta e pia para o Sol nascê e eile nasce mesmo, meu bom rapaz. Agóra, Jarirí, incuanto eu te conto sobri os résurtado das eleição, vou fazendo biscoito di pulvilho cum quejo pá nóis cumê.

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Entoncis, incuanto Paisé falava sobri todos os résurtado das votação e fazia os biscoito, Jarirí ia prestanu muita atenssão nas palavra deile, eile num pudia perdê nada purqui tinha di repassá todas as informação. Nu mesmo instanti qui Paisé terminô de assá os biscoito, tumém terminô di dá u relatório comprétu das eleissão. Jarirí ficô pensativo e em silêncio, remoendo nu cérebru tudo o qui Paisé tinha acabadu di contá. Adispois di um bom tempo calado, eile arrésorveu falá:

– Sabe, Paisé, o qui eu achei di todos eisses résurtado é qui u brasir tá numa grandi arapuca, caiu numa armadilha térrivéu. O país tá entre o ódio e a paz, a maldade e a bondade, o passado e o futuro, a violência e aceitação de todo indivíduo humano, entre o sofrimento e a aligria, entre o inférno e o mundo.

– Eu tumém penso iguarzim a ucê, Jarirí. Ieu vo expricá pá ucê o qui penso sobri éssa pirigosa tempestade qui ta parada no céu da país, pronta pra desabá uma tormenta sem fim.

– Eu quero muito te ouvir, Paisé. Ucê sabe o peso qui a pulítica tem sobri todos nóis. Cuntinue, por favor.

– Vamos, entoncis, pensa sobri uma família di brasileru normal e qui é pobre, como tumém é a maioria das famílias brasileras. Do qui éissa família pricisa pá vivê una vida nórmal?

– Premero, Paisé, éila pricisa comer. Pricisa ter aonde morar. Precisa tê dinheru pá pagá as conta do mês. Éissas conta são o aluguél, a conta de luz, de água e o butijão di gás. Se tivér um carrinho, a gasolina e os impostos sobri o carrinho. Tumém tem a conta do célulá. Tem as ropas i os sapato qui vestem os pais e os filhos. Tem de pagá os remédio cuando ficam doentes, maisi ãinda bem qui tem o cartão do SUS pá irem se consultá em caso di doença nos pósto di saúde ou em hospitar du guverno. Tem a conta do dentista. Tem a escóla dos filhos, purqui ninguém quer ter um filho analfabeto e sem ninhuma profissão. De veiz em cuandu, tem di fazê um churrasco cum bastanti cerveja e se divertir um poco pá esquecê a vida dura. Tem as coisa qui acuntessem derepente, como pagá enterro de argum parente qui morre. E muitas otras cousa.

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– Muito bem, Jarirí. De tudo qui ucê lembrô, a gente pode amarrá num só pacote e dar o nome de TRABALHO, SAÚDE e EDUCAÇÃO. Sem trabalhom num tem dinheru no cumeço du mês e não dá pra fazê quase nada disso qui ucê falô. Sem saúde, é dor e sofrimento. Sem educação, são filhos sem futuro. Ucê tá entendendo?

– É claro. Essas trêis palavras mágicas qui ucê falô é o que Fernando Haddad chama de INCLUSÃO SOCIAL. Sem essas trêis palabras o brasilero fica excluído. É chutado da sociedade e passa a viver uma vida de miséria e sofrimento. A inclusão social é a cousa maisi importanti du mundo. Muitos países estão fazendo a inclusão social, maisi o brasir não. Temer é o carrasco esculhido pá cortá a cabessa dos pobres. Eile congelou os gastos sociais pur vinte anos. Gastos que ajudariam a fazê a inclusão social. E a Besta do inférno, eisse homem isquisito e meio maluco qui tá disputando o sigundo turno contra Fernando Haddad, já falô qui vai manter eisse congelamento. A Besta do inférno jamais faria INCLUSÃO SOCIAL. EIle quer que os pobre e a classe média vão a mérda.

– É verdade. Eile votou a favor de tudo o qui Temer quis impor ao país purque eile e Temer são unha e carne. Só fala em segurança e armas. Ólha as foto deile cum as arma nas mão! Eile quer perseguir os pobres e as minorias e protegê os muito ricos. A segurança que ele diz qui vai dá pra o povo é falsa. Não é pra os pobres, é pra os ricos. Nu fundu, é isso qui eile deseja. Enganar o povo cum a questão da segurança incuanto passa a mão nas cabeças dos muito ricos.

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– E purque ucê acha qui uma Besta vinda do inférno teve maisi votos du qui Fernando Haddad no primero turno? Ucê tem arguma expricação pra isso, Jarirí?

– Tenho sim.

– Espera um poco. Premeru, vamos cumê os biscoito cum café. Adispois ucê me respondi éissa prigunta qui eu te fiz.

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