21 de outubro de 2026

Amazonas registra 5,6 mil focos de queimadas após o primeiro turno das eleições

Desse total, 79,1% estavam em imóveis privados cadastrados
Queimadas são uma forma de desmatamento elevada a ação coordenada pelo Agronegócio. Foto: Ivan Canabrava/Illuminati Filmes/IPAM

79,1% dos 1.639 focos de incêndio no Amazonas em outubro ocorreram em propriedades rurais privadas com CAR.
Entre 4 e 14 de outubro, 5.598 focos foram registrados, 37 vezes mais que no mesmo período de 2025, após o 1º turno.
Ibama aplicou R$ 2 milhões em multas e autuou 19 pessoas por queimadas ilegais em Manaus e região metropolitana.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Oito em cada dez focos de incêndio registrados no Amazonas na primeira quinzena de outubro ocorreram em propriedades rurais privadas com Cadastro Ambiental Rural (CAR). Levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), realizado a pedido do g1, identificou 1.639 focos entre os dias 1º e 15 de outubro. Desse total, 79,1% estavam em imóveis privados cadastrados.

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O aumento das queimadas ocorre em meio à crise ambiental que atinge o estado, com incêndios que prejudicam a qualidade do ar e sufocam cidades como Manaus. Dados do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) apontam que, no acumulado do ano até 14 de outubro, 19 municípios das regiões metropolitana e central do Amazonas registraram 15.674 focos de calor, volume 109% superior à média histórica para o período.

Os dados também indicam uma mudança no comportamento das queimadas em outubro. Depois de atingirem um pico em setembro e apresentarem redução no fim do mês, os focos voltaram a crescer a partir de 4 de outubro, data do primeiro turno das eleições. Entre os dias 4 e 14, foram registrados 5.598 focos de calor, número 37 vezes maior que os 149 contabilizados no mesmo intervalo de 2025. O total também superou os 4.385 focos registrados em 2023, durante uma seca histórica na região.

Segundo o pesquisador Newton Monteiro, responsável pelo levantamento do Ipam, a velocidade e a intensidade do aumento fogem do padrão observado na região. Normalmente, as queimadas começam em agosto, atingem o pico em setembro e diminuem no fim do mês. Em 2026, porém, houve uma nova escalada após o primeiro turno eleitoral.

O presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Jair Schmitt, afirmou que a seca favorece a propagação das chamas, mas ressaltou que os incêndios investigados no estado têm indícios de origem humana. Segundo ele, equipes de campo relataram um possível sentimento de impunidade entre pessoas que provocam queimadas. A hipótese de que o contexto político esteja sendo aproveitado para ampliar o caos também é considerada, mas a causa dos incêndios ainda depende de investigação.

Queimadas em áreas privadas e desmatadas

A concentração dos focos em propriedades privadas reforça a preocupação das autoridades com o uso irregular do fogo para limpeza de pastagens e manejo do solo. Esse tipo de atividade exige autorização específica do governo estadual. Além disso, desde 9 de setembro, o uso do fogo está proibido no Amazonas, mas os incêndios continuaram.

De acordo com Luiz Aragão, pesquisador especializado no monitoramento de biomas por satélite, os dados indicam que boa parte das queimadas ocorre fora das áreas de floresta preservada, em terrenos que já foram desmatados. A análise do Inpe aponta que 52,8% dos focos de outubro atingiram áreas desmatadas nos últimos três anos, enquanto 30,6% ocorreram em áreas abertas há mais tempo. Outros 15,9% atingiram vegetação nativa.

A ocorrência de incêndios mesmo diante da redução do desmatamento não é contraditória. Embora a derrubada de floresta tenha diminuído, áreas desmatadas anteriormente continuam sendo queimadas para remover vegetação morta ou renovar pastagens. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, o desmatamento no Amazonas somou 3.335 quilômetros quadrados, segundo os dados citados na reportagem.

A seca agravada pelo El Niño contribui para que as chamas se espalhem com maior facilidade. A vegetação ressecada favorece a propagação do fogo, que pode avançar por quilômetros e atingir áreas de floresta nativa, territórios protegidos e terras indígenas.

A falta de chuva também agrava a situação. Entre julho e outubro, Manaus acumulou apenas 104 milímetros de precipitação, aproximadamente um terço dos 316 milímetros esperados para o período, conforme dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Agosto terminou sem registro de chuva na capital, embora a média histórica do mês seja de 56 milímetros.

Ibama aplica R$ 2 milhões em multas

As autoridades ambientais intensificaram as ações de fiscalização e combate aos incêndios. Em uma das operações, o Ibama identificou garrafas com combustível sendo lançadas ao longo de estradas. Desde a semana anterior à publicação da reportagem, o órgão havia aplicado R$ 2 milhões em multas relacionadas às ocorrências.

Na região metropolitana de Manaus, 19 pessoas foram autuadas a partir de 12 de outubro, nos municípios de Autazes e Careiro da Várzea. Além das multas, mais de 250 hectares foram embargados. Segundo Schmitt, os responsáveis iniciaram queimadas em suas propriedades sem autorização e, em alguns casos, as chamas avançaram sobre áreas protegidas, inclusive territórios indígenas.

As ações criminosas também são investigadas pela Polícia Federal e pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). A Polícia Civil do Amazonas informou que mantém mais de 120 procedimentos criminais relacionados ao uso ilegal do fogo.

Apesar das operações, o Ibama ressalta que a fiscalização do uso do fogo em propriedades rurais é atribuição do governo estadual. Procurado pela reportagem, o governo do Amazonas ainda não havia se manifestado até a publicação do texto.

As investigações buscam esclarecer as causas dos incêndios e identificar os responsáveis. Embora o aumento expressivo das queimadas tenha coincidido com o primeiro turno das eleições, as autoridades ainda não estabeleceram uma relação comprovada entre o calendário eleitoral e a origem dos focos.

*Com informações do g1.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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