22 de junho de 2026

Cientistas alertam: planeta perde capacidade de absorver carbono e aquecimento global acelera

Novo estudo traz o alerta de que os sumidouros naturais de carbono do planeta, como as florestas tropicais e os oceanos, estão chegando ao limite
Foto da desembocadura do Rio Indaiá no Oceano Atlântico, em Ubatuba (Litoral Norte do Estado de São Paulo). Vista frontal da Mata Atlântica. Data: 26/01/2020. Autor: Heraldo Campos.

▸Cientistas alertam que limites planetários estão sendo ultrapassados, acelerando o aquecimento global e reduzindo a capacidade da Terra de resistir.

▸Sumidouros naturais de carbono, como florestas e oceanos, estão chegando ao limite, absorvendo menos CO₂ devido às mudanças climáticas.

▸Relatório destaca a urgência de ampliar estratégias de remoção de CO₂ e agir rapidamente para alcançar metas climáticas e evitar danos irreversíveis.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Os cientistas do clima estão mais preocupados do que nunca, afirma Johan Rockström, diretor do Instituto Potsdam para Pesquisa sobre Impacto Climático, na Alemanha. O pesquisador sueco, conhecido por desenvolver o conceito de limites planetários, que define as margens seguras da pressão humana sobre os sistemas naturais, voltou a alertar para sinais de que o aquecimento global está se acelerando enquanto a capacidade da Terra de resistir aos impactos climáticos diminui.

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“Estamos em apuros. O planeta está mostrando os primeiros sinais de redução da capacidade de amortecer e resfriar o estresse que estamos causando por meio de nossas emissões de gases de efeito estufa. Estamos nos aproximando rapidamente do ponto de inflexão e precisamos agir mais rápido do que temos feito até agora”, afirmou Rockström durante a abertura do Pavilhão da Ciência Planetária, no primeiro dia da COP30.

Um relatório coordenado pelo cientista, divulgado em setembro, revelou que sete dos nove limites de segurança planetária já foram ultrapassados, entre eles as mudanças climáticas, a integridade da biosfera, o uso do solo e da água doce, os ciclos de nitrogênio e fósforo, além da introdução de novas substâncias químicas e plásticos no ambiente.

Agora, um novo estudo, elaborado por 70 cientistas de 21 países, incluindo brasileiros, e lançado oficialmente durante a COP30, traz outro alerta: os sumidouros naturais de carbono do planeta, como as florestas tropicais e os oceanos, estão chegando ao limite. Eles estão absorvendo menos dióxido de carbono (CO₂) do que o esperado, resultado direto de décadas de mudanças climáticas que enfraqueceram esses sistemas.

Segundo o relatório, até mesmo o oceano, responsável por reter grande parte do calor e do carbono emitidos, está perdendo eficiência, ao mesmo tempo em que enfrenta ondas de calor marinhas cada vez mais intensas, com impactos devastadores para ecossistemas e comunidades costeiras.

“O planeta inteiro está apresentando sinais de diminuição na capacidade de absorção de carbono”, alertou Rockström, que integra o conselho editorial do estudo. “A maior preocupação, com base nos dados atuais, reside nas regiões temperada e boreal e na zona do permafrost [solo congelado em regiões muito frias que retém gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono].”

Os dados mostram que, desde 2016, os ecossistemas do hemisfério Norte já demonstram perda significativa dessa capacidade.

“Isso está ficando muito preocupante porque sabemos que muitas áreas da parte brasileira da floresta amazônica já deixaram de ser sumidouros e se tornaram fontes de carbono, mas a mesma coisa está acontecendo com as florestas temperadas e boreais”, explicou.

CO₂ da atmosfera

O relatório defende que ampliar as estratégias de remoção de dióxido de carbono (CDR, na sigla em inglês) é essencial para complementar, e não substituir, cortes rápidos nas emissões. Os autores destacam a necessidade de diretrizes internacionais robustas e investimento em pesquisa e inovação para preencher a lacuna tecnológica e garantir que as metas climáticas sejam alcançadas sem comprometer a justiça ambiental e social.

“As políticas climáticas mais ambiciosas discutidas hoje visam reduzir as emissões em 45% até 2030 e ter uma economia mundial com emissões líquidas zero até 2050, mas ninguém está cumprindo essa meta. Se não ampliarmos a CDR, teremos que descarbonizar a economia global até 2040”, alertou Rockström.

Mesmo com as melhores atualizações das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), os países devem conseguir cortar apenas 5% das emissões globais até 2035 — ritmo muito abaixo do necessário.

“Na verdade, precisamos reduzir as emissões em 5% por ano, e não por década. É isso que a ciência nos diz para, no mínimo, desviar do perigo”, reforçou.

Decisões na COP30

O relatório é resultado de uma iniciativa conjunta da Future Earth, da Earth League e do Programa Mundial de Pesquisa Climática, que reúnem anualmente os principais cientistas do clima para sintetizar as descobertas mais recentes e oferecer subsídios às negociações internacionais sobre o tema.

“Espero que as conclusões do relatório estimulem o senso de urgência nos formuladores de políticas para que comecem a agir com base nas descobertas científicas”, afirmou Deliang Chen, professor da Universidade de Gotemburgo, na Suécia.

A publicação é complementar aos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), mas com foco em análises anuais de dados recentes, sintetizados de forma mais direta para orientar políticas públicas.

“Analisamos, todos os anos, os dados científicos do ano anterior que mostram evidências relacionadas às mudanças climáticas e sintetizamos isso em uma mensagem muito clara e direta. Esperamos que isso funcione de forma muito mais eficiente para a formulação de políticas e, de fato, subsidie as ações que serão tomadas e as negociações”, explicou Regina Rodrigues, pesquisadora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e uma das autoras brasileiras.

O relatório 10 New Insights in Climate Science 2025/2026 está disponível neste link.

*Com informações da Agência Fapesp.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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