24 de junho de 2026

Estudo mapeia causas raiz das enchentes do Rio Grande do Sul em 2024

Pesquisadores do WRI Brasil e de universidades gaúchas identificaram 11 causas estruturais que amplificaram os impactos das chuvas extremas
Rio Guaíba - Foto: Divulgação governo do Rio Grande do Sul

Enchentes de 2024 no RS afetaram 478 municípios, atingindo 2,4 milhões, com 185 mortos e 23 desaparecidos.
Estudo do WRI Brasil aponta causas estruturais como ocupação territorial, desigualdade e falhas na governança.
Pesquisa destaca necessidade de articulação multirregional e fortalecimento da governança para prevenir futuros desastres.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Dois anos após a maior tragédia climática da história do Rio Grande do Sul, um estudo divulgado nesta quinta-feira (7) detalha as causas que transformaram chuvas intensas em um desastre de proporções históricas. As enchentes e enxurradas de 2024 atingiram 478 municípios, afetaram mais de 2,4 milhões de pessoas, mataram 185 e deixaram outras 23 desaparecidas até hoje.

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O documento, intitulado Entendendo a Construção do Risco: causas raiz do desastre climático de 2024 no Rio Grande do Sul, foi desenvolvido pelo World Resources Institute Brasil (WRI) com a participação de pesquisadores de universidades gaúchas. A pesquisa mapeou os eventos gatilho, as condições inseguras, as pressões dinâmicas e as causas estruturais que, combinadas, amplificaram o impacto das chuvas.

“Buscamos entender as fragilidades que culminaram nesse desastre e propor uma discussão sobre as decisões e políticas que vão prevenir desastres futuros e promover um desenvolvimento resiliente”, explica Henrique Evers, um dos autores.

Para a coordenadora de Adaptação Urbana do WRI Brasil, Lara Caccia, o estudo deixa claro que o extremo climático foi apenas o gatilho. O desastre foi, na verdade, o resultado de um processo histórico de construção do risco, impulsionado por fatores sociais, econômicos e de governança. “Esses fatores amplificaram os impactos das chuvas intensas”, afirma.

As 11 causas raiz do desastre

Os pesquisadores classificaram as causas estruturais em quatro categorias:

Desenvolvimento urbano e rural

  • Modelo de ocupação territorial pouco resiliente

Condições físicas e ambientais

  • Variabilidade do clima
  • Condições geomorfológicas e hidrológicas favoráveis ao desastre

Condições socioeconômicas

  • Negacionismo climático
  • Desigualdade socioeconômica e concentração de riqueza
  • Falta de cultura de prevenção

Governança

Dualidade entre público e privado

Modelo de desenvolvimento que prioriza a economia sobre pautas ambientais e sociais

Arcabouço legal negligenciado para gestão de riscos

Falta de priorização política da agenda socioambiental

Insuficiência da governança para lidar com a questão climática entre os níveis de gestão

Na prática, cada causa raiz gera uma cadeia de pressões dinâmicas. Um modelo de ocupação territorial pouco resiliente, por exemplo, alimenta a expansão urbana descontrolada, a especulação imobiliária e as desigualdades socioespaciais.

“Esses fatores, comuns a outros cenários de desastres climáticos, destacam, sobretudo, o papel das decisões humanas e institucionais em gerar e disseminar socialmente o risco ao longo do tempo”, aponta o relatório.

Resiliência

O fato de esses riscos estarem presentes em praticamente todos os municípios afetados reforça, segundo os pesquisadores, a necessidade de articulação multirregional, especialmente a partir de instâncias associadas às bacias hidrográficas, que transcendem os limites municipais.

As conclusões apontam que tornar cidades brasileiras mais resilientes exige ir além dos investimentos em infraestrutura. São necessários o fortalecimento da governança em diferentes níveis, a integração do planejamento urbano e ambiental, a consolidação de uma cultura de prevenção e a priorização de grupos vulneráveis.

“Se o risco foi construído historicamente, a resiliência também pode ser construída por meio de novas escolhas de desenvolvimento”, conclui Lara Caccia.

*Com informações da Agência Brasil.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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