28 de junho de 2026

Onda de calor histórica mata mais de 1,3 mil pessoas na Europa

OMS alerta que 150 milhões de pessoas vivem sob calor extremo; cientistas afirmam que episódio seria impossível sem o aquecimento global
Crédito: MDoculus/ Getty Images

Onda de calor na Europa causou mais de 1,3 mil mortes acima do esperado, afetando 150 milhões de pessoas.
Países europeus registraram recordes históricos de temperatura, com Alemanha chegando a 41,5°C e França acima de 40°C.
Calor extremo impactou saúde, infraestrutura e economia, com prejuízos estimados em US$ 131 bi na Alemanha até 2030.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A onda de calor que castiga a Europa já causou mais de 1,3 mil mortes acima do esperado, informou a Organização Mundial da Saúde neste domingo. Segundo a entidade, cerca de 150 milhões de pessoas vivem atualmente sob condições de calor extremo, pressionando sistemas de saúde, sobrecarregando redes elétricas e causando estragos na infraestrutura de transporte em diferentes países. Cientistas classificam o episódio como o mais intenso já registrado no continente.

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O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a organização atua junto a governos e parceiros com foco em três frentes: preparação, prevenção e fortalecimento das respostas dos sistemas de saúde.

Recordes

Desde 20 de junho, vários países registraram as maiores temperaturas de sua história. Na Alemanha, os termômetros chegaram a 41,5°C no sábado, recorde absoluto do país, com previsão de se aproximar dos 42°C. Na República Tcheca, foram medidos 40,8°C ao norte de Praga. Em Basileia, na Suíça, os 39°C registrados representaram o terceiro recorde consecutivo para o mês de junho. A Dinamarca atingiu 37°C, a maior temperatura desde o início das medições meteorológicas no país. Na França, diversas regiões ultrapassaram os 40°C ao longo da semana.

Colapso

A França concentra os números mais graves: cerca de mil mortes acima do esperado foram registradas desde 24 de junho, com a maioria das vítimas acima dos 65 anos e concentração de óbitos em domicílio, especialmente na região de Paris. A ministra da Saúde francesa, Stéphanie Rist, alertou que os efeitos do calor podem continuar sendo sentidos por até dez dias mesmo após a queda das temperaturas. Na Espanha, 212 mortes em quatro dias também foram associadas ao episódio.

Em Paris e Viena, os atendimentos de emergência aumentaram. Festivais, eventos ao ar livre e manifestações foram cancelados ou adiados em vários países.

A infraestrutura também sofreu: na Hungria, o aquecimento das águas do rio Danúbio obrigou a usina nuclear de Paks a reduzir a geração de eletricidade para manter o resfriamento dos reatores dentro dos limites de segurança. Na Alemanha, empresas ferroviárias flexibilizaram as regras de cancelamento de viagens diante do risco de deformação dos trilhos, e trechos de rodovias apresentaram rachaduras.

Economia

Cientistas são categóricos: uma onda de calor dessa magnitude seria praticamente impossível sem o aquecimento global provocado pela ação humana. O episódio atual foi intensificado por um fenômeno atmosférico chamado “bloqueio ômega”, que mantém uma massa de ar quente sobre a mesma região por vários dias, impedindo a chegada de frentes frias.

As consequências econômicas também preocupam. A economista Katharina Utermöhl, pesquisadora da seguradora Allianz, afirma que acima de 30°C a produtividade cai 3% por grau adicional, enquanto os custos de energia sobem 1,2% por grau. Um estudo da mesma empresa estima que, se episódios de calor intenso se tornarem mais frequentes, as perdas acumuladas para a economia alemã entre 2026 e 2030 podem chegar a US$ 131 bilhões.

*Com informações das agências France Presse, Deutsche Welle, Reuters, RFI e g1.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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