Diversas organizações sindicais vão apresentar as pautas da classe trabalhadora durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorrerá em Belém, no Pará, entre 10 e 21 de novembro.
A participação da categoria se concentra na defesa de uma transição energética justa, soberana e popular, alertando para a precarização em atividades classificadas como “verdes”.
No caso da FUP (Federação Única dos Petroleiros), sua participação será tanto na Zona Azul (negociações oficiais) quanto na Zona Verde (debates com a sociedade civil).
No dia 13 de novembro, no Pavilhão Brasil (Zona Azul), a FUP promove o painel “A ação sindical no Sul Global por uma transição energética justa e popular: ação coletiva, diálogo social, geração cidadã de dados e trabalho decente
O evento contará com representantes do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e Aurora Lab.
“O Brasil tem todas as condições para liderar uma transição energética justa, com soberania, desenvolvimento, participação popular e geração de empregos”, explica o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar.
“É preciso garantir que a mudança para uma economia de baixo carbono seja justa, soberana, inclusiva, observe as diferenças entre o Norte e o Sul Global e as desigualdades regionais no Brasil e não deixe trabalhadores nem comunidades para trás”, ressalta.
Além dos eventos nas Zonas oficiais, a FUP e outras entidades participarão ativamente da Cúpula dos Povos, um evento paralelo que espera reunir mais de 10 mil pessoas, incluindo indígenas, ribeirinhos, camponeses e quilombolas, reforçando a pressão popular por mudanças efetivas.
Empregos verdes
A urgência de garantir a justiça social na transição verde é corroborada pelo estudo “Empregos Verdes 2025”, lançado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e pelo Dieese.
Segundo os dados apurados pela pesquisa, cerca de 74% dos 2,9 milhões de trabalhadores em empregos verdes no 1º trimestre de 2025 estão na informalidade (quase o dobro da média nacional de 38%).
O salário médio nesses postos é 29% inferior à média nacional (R$ 3.318), atingindo especialmente homens negros (57,2%) e aqueles sem o ensino médio completo (51,2%).
Para Rosalina Amorim, secretária do Meio Ambiente da CUT, “emprego só pode ser verde se cumprir a agenda do trabalho decente.” Essa discussão é central para as pautas das centrais sindicais nacionais e internacionais na COP30, que também abordam desenvolvimento sustentável e combate à pobreza energética.
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