Edileusa Lóz – mais uma vítima dos desvios na pandemia, por Marília Guimarães

E tomar a sua morte, em meio à pandemia do Covid-19, como um chamado à reflexão sobre a opção política do governo federal que levou a um número de mortos inadmissível em todo o país.

Edileusa Lóz – mais uma vítima dos desvios na pandemia

por Marília Guimarães

É necessário, como se fazia na Antiguidade, celebrar os mortos. Celebrar é não só lembrar da história, como também dignificar a luta, manter o legado e procurar dar sentido, na medida do possível, à morte. Em tempos de demonização da política, em que a manutenção do caos interessa aos detentores do poder econômico, é preciso comemorar a vida de Edileusa Lóz, uma liderança política comprometida com a construção de um mundo melhor para todos e todas. E tomar a sua morte, em meio à pandemia do Covid-19, como um chamado à reflexão sobre a opção política do governo federal que levou a um número de mortos inadmissível em todo o país.

A crise global, sanitária e social provocada pelo Covid-19 em 2020 revelou as consequências das políticas econômicas e do modo de atuar das décadas anteriores sobre os corpos vivos. A opção política e ideológica por processos de privatização e desmantelamento dos sistemas nacionais de cuidado e atenção à saúde produziu mortes e potencializou o sofrimento da população. Para assegurar a acumulação do capital, a potencialização dos lucros ou a obtenção de vantagens pessoais de uma mínima parcela da população, autoriza-se a morte e o sofrimento de muitos.

Deixar morrer tornou-se uma estratégia de governo sempre que o custo da vida reduzir os lucros e prejudicar o objetivo de acumulação tendencialmente ilimitada do capital.  A racionalidade, hoje hegemônica, busca o lucro sobre os corpos, os mortos, as crises, os desastres, as pandemias etc.

Todavia, a crise sanitária, econômica e social global de 2020, porém, abre um horizonte de possibilidades. Há, a partir dela, um campo em disputa pelos atores sociais. Como em toda crise, gera-se um momento com potencial de ruptura. Crise é sempre um momento provisório, decisivo, no qual o “novo” nasce ou o “velho” sai fortalecido. Em resumo: diante de cada crise, que sempre é a consequência de um determinado modo de ver e atuar no mundo, diversos caminhos e possibilidades se abrem.

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Para celebrar a vida e diante da morte de Edileusa Lóz, uma pessoa dedicada à gestão social e ao aprimoramento das políticas públicas, nasce o compromisso de parar e refletir sobre a necessidade de mudar os rumos da política no Brasil. Há na morte de Edileusa um chamado contra o discurso que reduz a economia a meros cálculos no interesse de poucos e que insiste na falsa oposição entre economia e saúde pública. Não há economia saudável sem vida digna. Não há como, na morte, esquecer as lições de vida deixadas por Edileusa.

Marília Guimarães, escritora e presidente do coletivo RedhBrasil

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