20 de junho de 2026

História de Henry Isaac Sobel é lição de coragem, pelo Instituto Vladimir Herzog 

Atitude do rabino se tornou um símbolo de resistência, marcando a história da família Herzog de forma respeitosa, cuidadosa e definitiva

A história do líder religioso que enfrentou a ditadura é uma lição para cada um de nós sobre a urgência de manter a coragem

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Do Instituto Vladimir Herzog 

O Instituto Vladimir Herzog (IVH) lamenta profundamente o falecimento do rabino Henry Isaac Sobel na data de hoje, 22 de novembro. Sua trajetória tem uma forte ligação com a família Herzog e com os valores fundantes do IVH, tendo sido uma liderança essencial na defesa da democracia, da liberdade de expressão, da dignidade humana e da justiça.

Nascido em 1944 na cidade de Lisboa, em Portugal, o religioso passou parte fundamental de sua história nos Estados Unidos e formou-se rabino em 1970, em Nova York. Sua história no Brasil começou em seguida, após aceitar um convite para integrar a CIP (Congregação Israelita Paulista). Aqui, Henry Sobel foi uma das lideranças que não se acovardou diante das atrocidades e violências operadas pelo Estado brasileiro durante a ditadura civil-militar que assolou o país por duas décadas.

No caso Herzog, usou sua autoridade e o lugar que ocupava para refutar a narrativa oficial sobre a morte de Vlado. Ele não admitiu que o enterro fosse feito na ala reservada aos suicidas no cemitério israelita. Foi assim que Vladimir Herzog, torturado e assassinado no DOI-CODI, órgão de repressão do governo brasileiro, teve assegurado o direito a um sepultamento que respeitasse os ritos judaicos, parte de sua origem e memória, no Cemitério Israelita do Butantã.

Além disso, Sobel, D. Paulo Evaristo Arns e James Wright celebraram o primeiro ato ecumênico que marcou a história do Brasil na luta contra a ditadura, reunindo mais de 8 mil pessoas e diversos setores da sociedade paulista à época. Realizado na Catedral da Sé, em São Paulo, o protesto aconteceu em 31 de outubro de 1975, seis dias após a morte de Vlado e deu início ao processo que culminaria na redemocratização do país. Outras lideranças religiosas do país também estiveram presentes.

A trajetória do rabino reafirma o impacto das decisões de lideranças, religiosas ou não, e a importância de tais figuras se comprometerem com valores que protejam e defendam os direitos civis e a dignidade da pessoa humana em qualquer tempo. Sua atitude se tornou um símbolo de resistência, marcando a história da família Herzog de forma respeitosa, cuidadosa e definitiva.

O Instituto Vladimir Herzog se solidariza com familiares e amigos de Henry Isaac Sobel. Sua experiência de vida é uma lição, para cada um de nós, sobre a urgência de manter a coragem.

 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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5 Comentários
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  1. GalileoGalilei

    23 de novembro de 2019 9:29 am

    Ensurdecedor silêncio

    O falecimento de Henry Sobel foi solenemente ignorado por Bolsonaro…

    E, embora o GGN já tenha publicado três artigos sobre o seu falecimento, até agora todos os três foram solenemente ignorados pelos comentaristas do GGN…

    Nenhum comentário.

    1. GalileoGalilei

      23 de novembro de 2019 11:48 am

      O silêncio de Bolsonaro é esperado.

      Já o dos leitores do GGN surpreende.

    2. Anônimo

      23 de novembro de 2019 12:05 pm

      Atualizando meu comentário: Constato que já houve ao menos dois comentaristas no post do Laurindo Lalo Leal Filho.

      Ainda bem, mas é muito pouco!

    3. Zé Sérgio

      23 de novembro de 2019 1:34 pm

      Alguns foram censurados

  2. Vegetal Vegetariano

    23 de novembro de 2019 1:17 pm

    De fato, o silêncio ensurdesse… Por isso, falem as palavras… E, se meias palavras bastam, o que se dirá de palavras completas:

    “Rabino Henry Sobel admite que roubou gravatas por ‘falha moral””

    (https://www.google.com/amp/s/www.terra.com.br/amp/noticias/brasil/rabino-henry-sobel-admite-que-roubou-gravatas-por-falha-moral,844420515fd50410VgnVCM3000009acceb0aRCRD.html)

    O encurtamento da memória é diretamente proporcional à negação histórica… Afinal, mitos são sempre mitos, e todos têm os seus, fascistas ou não…

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