Reflexões de Michel Rocard sobre poder, política e político
por Tomás Togni Tarquínio
Michel Rocard, falecido em 2016, fundador do PSU, Partido Socialista Unificado, foi primeiro-ministro de François Mitterrand. Tentou fundar uma segunda esquerda, que a chamava de moderna, em oposição à arcaica representada por Mitterrand. Com mais de 60 livros publicados e inúmeros artigos, Rocard foi um socialista republicano que lutou pela transformação da sociedade, aproximando o econômico do social. Para tal, acreditava ser preciso se apoiar no Estado, assim como em inúmeros atores da sociedade. A seguir, algumas reflexões curiosas de Rocard sobre poder, política e políticos.
“A profissão de político consiste em reivindicar o poder, o qual tem duas funções principais na sociedade.
A primeira: exercer o monopólio público da violência para não deixá-la ser exercida pela violência privada. É preciso ter polícia; também é necessário se defender da violência internacional.
A segunda função consiste em canalizar a circulação do dinheiro. Aqui tocamos na sujeira, por definição. E nós nos sujamos quando encostamos na imundície, mesmo quando os motivos sejam limpos.
Qualquer pessoa que queira fazer política negligenciando esses dois aspectos é um amador; por essa razão é perigoso, por angelismo”.
“Se eu tivesse que começar de novo, eu não mais exerceria a profissão de político. A rapidez das técnicas e a globalização financeira fizeram com que o espaço de responsabilidade pelo governo da República ficasse reduzido consideravelmente; enquanto isso as pessoas transformaram os políticos em responsáveis por tudo”.
“Nossos antigos reis tinham bufões, mas os bufões não entravam na catedral. Hoje, eles ocupam a catedral e os políticos devem lhes pedir perdão”.
Qualquer semelhança é mera coincidência?
Tomás Togni Tarquínio – Formado em Antropologia e Prospectiva Ambiental na França. Desde 1977, trabalhou em diversas instituições francesas e europeias pioneiras sobre: energia, ecologia política, meio ambiente, decrescimento e colapso da sociedade termo-industrial. Foi Secretário do Governo do Amapá, por ocasião da execução do pioneiro Projeto de Desenvolvimento Sustentável do Amapá (PDSA); trabalhou no MMA e Senado. Trabalhou em alguns países da América Latina e Europa.
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