
Jornal GGN – Se a imprensa se calçou de dados e números alarmantes para justificar o processo de afastamento de Dilma Rousseff (PT), o mesmo critério não foi aplicado para jogar luz sobre o início do governo interino de Michel Temer (PMDB). Quando o assunto é apontar para o horizonte que nos espera sob o peemedebista, O Globo preferiu se agarrar ao leque de boas intenções de Temer, apenas. São dois pesos e duas medidas, segundo Geovana Teodoro, do Manchetômetro.
Por Geovana Teodoro
Dois pesos, duas medidas (ou quantas forem necessárias)
Do Manchetômetro
O primeiro dia do segundo mandato do governo Dilma e o primeiro dia do governo interino de Michel Temer foram datas carregadas de diagnósticos e expectativas. Como já é de costume, a grande mídia brasileira não somente reportou esse cenário como também reafirmou seu já reiterado papel de arauto dos “rumos da economia” do País. O jornal O Globo publicou, no dia 1º de janeiro de 2015, o editorial “Margem de erro para Dilma ficou estreita” e, no dia 13 de maio de 2016, o editorial, quando da posse de Temer, “Otimismo com o novo tom do Planalto”.
Se o posicionamento do jornal fica evidente a partir da mera oposição dos termos escolhidos para o título de cada um dos editoriais, associando “margem de erro estreita” ao governo Dilma e “otimismo” ao governo Temer, a análise dos textos demonstra a opção deliberada d’O Globo por termos que estabelecem, de um lado, a tempestade para as perspectivas do cenário econômico no segundo mandato de Dilma e, de outro, a bonança para um governo Temer que, já nas suas primeiras semanas, contrariou tais expectativas. No editorial de janeiro de 2015, o jornal enfatiza que a economia do país teria entrado “em coma” antes mesmo do novo mandato de Dilma, indicando que já haveria um “cerco montado ao segundo governo Dilma por erros dela mesma”. Já o editorial de maio de 2016 apresenta o interino como homem de muitos “predicados”, sendo seu “trânsito no Congresso” apenas uma de tantas outras qualidades, além de destacar a opinião de que o primeiro dia de seu governo foi marcado por uma mudança no discurso “e para melhor”.
Reforçando o viés político do editorial, não faltaram referências a termos pejorativos como “lulopetismo” e “hostes petistas”. O editor ousou até mesmo escrever que quanto menos presente a cor vermelha no Planalto, mais este seria “condizente com os ares de um palácio de governo”.
O texto dos editoriais desnuda, ainda, a opção do jornal por políticas econômicas específicas, alinhadas com o que a economista Laura Carvalho define como “agenda Fiesp”, que atende melhor aos interesses do empresariado e do mercado financeiro ao priorizar medidas como desvalorização do câmbio, redução de impostos e ajuste fiscal. Note-se, nesse sentido, a ênfase dada pelo editorial de 2015 ao “esgotamento do ciclo de incentivo preferencial ao consumo” (política econômica que marcou os dois governos Lula e alavancou o crescimento econômico do país no período) e o destaque do editorial de 2016 à fala de Temer sobre a “necessidade de se melhorar o ambiente de negócios no País”.
Ocorre que, ao apresentar dados do Relatório Focus, o editorial do jornal O Globo sobre o início do segundo mandato de Dilma deixa de informar o leitor que esses números decorrem da própria tentativa da presidenta de atender às demandas da agenda Fiesp, já nos primeiros anos de seu governo. Exemplo disso é a notória contração fiscal observada entre os anos 2011 e 2015 (conforme apresentado em estudo do Ibre/FGV de dezembro de 2015) e as consequências preocupantes para as contas da União da concessão de benefícios fiscais a empresas. Além disso, a própria utilização do Relatório Focus como fonte primária de dados para definir os “rumos da economia” do país deve ser questionada. Trata-se de um conjunto de expectativas geradas pelo mercado financeiro e para o mercado financeiro, sem falar que o próprio Banco Central, nos documentos publicados por seu Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais (Gerin), destaca que os dados apresentados pelo Focus não restringem as ações de política monetária e cambial do BC.
Devemos atentar, contudo, para o desequilíbrio das abordagens em cada caso. Enquanto que para diagnosticar e prognosticar o desastre do novo governo Dilma sobram números, a análise das perspectivas para o “novo tom do Planalto” sob Temer se limita a interpretar as boas intenções no discurso do interino. As críticas à administração de Dilma são contumazes mesmo quando se trata de um ato da Presidenta alinhado com a posição do editorial. A nomeação de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda, por exemplo, que poderia representar uma boa escolha de Dilma de acordo com aquilo que O Globo considera como política econômica ideal, é logo ponderada pelo editorial em face do caos econômico desenhado ao longo do texto – “foi um alento, mas não significa que se espere um ano fácil”.
Em nenhum momento esse tipo de ponderação aparece em relação às perspectivas para o governo Temer. O editorial de maio parece deixar muito claro que o presidente em exercício estaria plenamente apto à missão honrosa de “pacificar e unificar o Brasil”, superando as dificuldades políticas e econômicas deixadas pela administração petista e tendo como único obstáculo a “guerra” que Dilma e o lulopetismo prometem fazer contra seu governo. Tamanha é a aposta no sucesso do novo governo que, em contraste com a ideia defendida em 2015 de que “nenhuma política social sobrevive a uma crise com as características e nas dimensões da que está emergindo no Brasil”, o editorial do último mês de maio enalteceu o aparente compromisso de Temer em manter os programas sociais de seus antecessores. Sem qualquer crítica à uma proposta que o jornal havia atribuído às “hostes petistas” no ano passado, o editorial “Otimismo com o novo tom do Planalto” destaca, em contraponto às supostas ambições de Dilma e do lulopetismo de guerrear contra o governo Temer, que o presidente interino “foi direto ao garantir a manutenção dos programas sociais”. Ora, o que mudou em pouco mais de um ano? A capacidade do país de sustentar programas sociais em meio a crise ou simplesmente a voz que os anuncia no Planalto?
Entre dois pesos e tantas medidas para legitimar a “solução Temer”, os editoriais d’O Globo não surpreendem ao sacrificar a coerência para sustentar um viés velado, pouco transparente perante o leitor. Se o otimismo com o projeto de política econômica de Temer vem assentado no que seria a capacidade do presidente interino de restabelecer a tão sonhada “confiança do mercado”, cabe ao leitor desconfiar daqueles que anunciam que tudo vai “mudar para melhor” quando o que se vê de fato é apenas uma mudança: um Presidente não eleito substituindo uma Presidenta afastada por um processo de impeachment que se torna mais questionável a cada dia.
Edivaldo Dias Oliveira
13 de julho de 2016 7:17 pmO que esperar de uma imprensa
O que esperar de uma imprensa dessas?
Bem a cara da Abril e sua revista de esgoto, a Veja.
Em ação trabalhista, jornalista é convidado a testemunhar contra colega demitido, falta a audiencia marcada e é multado em 2 salários minimos.
Colunista da Vejinha fica “preso” em fechamento, falta em audiência e é multado pela Justiça
Publicado em Quinta, 07 Julho 2016 15:49 Escrito por Redação Comunique-se1 Comentário
Um colunista da Vejinha foi multado em dois salários mínimos por faltar em audiência. A medida punitiva foi aplicada pela juíza titular da 57ª Vara do Trabalho da Capital, Luciana Bezerra de Oliveira. De acordo com apuração da reportagem do Portal Comunique-se, o jornalista ficou no fechamento do impresso. O nome do colunista será preservado nesta matéria.
Advogado do jornalista demitido, Kiyomori Mori explicou que pedidos de adiamentos de audiência pela falta de testemunha está prevista no art. 825 da CLT e são frequentes na Justiça, mas não se pode requerer de última hora. “Foi a primeira vez que vi uma testemunha faltar por causa de fechamento. A revista foi notificada da data marcada da audiência com mais de um mês de antecedência e poderia ter requerido o adiamento pelo “fechamento” da revista na quarta-feira – e não deixar para requerer justamente na última hora”.
Kiyomori relatou à reportagem do Portal Comunique-se que a situação é ainda mais grave porque a editora fez o convite à testemunha, que acabou sendo penalizada. “A Abril já sabia que a testemunha não iria à audiência na data por orientação do seu próprio corpo jurídico, beneficiando-se da sua própria omissão. Agora, a Juíza vai decidir se vai aplicar pena de litigância de má-fé pela manobra da editora”.
Severino Januário
13 de julho de 2016 7:44 pmTemer é acusado de corrupção
Temer é acusado de corrupção em diversos casos. Vamos supor que ele seja culpado em alguns deles, e seja de fato um ladrão do dinheiro público. Por ser suspeito e não investigado, qualquer cidadão tem o direito de pensar isso dele. Mas, por alguma razão “desconhecida”, as investigações contra ele não prosperam, como não prosperam contra Aécio Neves, por exemplo. Até parece que a justiça no Brasil obedece a um esquema zodiacal que está muito além e acima do céu brasileiro.
j.marcelo
13 de julho de 2016 8:05 pmCom Dilma afastada,a minha
Com Dilma afastada,a minha vida PIOROU MUITO !
A culpa era dela ? Pq isso então?
JB Costa
13 de julho de 2016 9:23 pmPeça-se tudo desse tipo de
Peça-se tudo desse tipo de imprensa, menos coerência. Nenhuma novidade, portanto, nas manipulações das análises e projeções.
Não sei que tipo de imprensa teremos para um futuro próximo. Mas pelos menos há uma certeza absoluta: a desse nível, a que persiste em alcançar o último degrau da degradação, não resistirá até lá.
A VEJA já está nos estertores. Acaba de defenestrar um dos seus símbolos maiores de “qualidade”, o dito historiador Marco Villa. Quem será o próximo da fila?
As Organizações Globo segue seus passos. Diferirá apenas no prazo dado o seu (ainda) poderio econômico.
Marcos Antônio
14 de julho de 2016 12:53 amCartão vermelho!
Eles não entenderam o jogo!
Qual empresário na hora de pagar seus impostos vai fechar os olhos e acreditar que está fazendo sua parte, quando no jornal de ontem e no da manhã de hoje fala em corrupção e BONDADES SEM LIMITES do governo para os ESCOLHIDOS!
A tendência é que a SONEGAÇÃO BATA RECORDES!
Ai, vão ter que aumentar impostos!
Vão fazer como FHC que disse que, é privatizar para arrecadar e pagar as contas!
Serão meia dúzia de grandes empresários abençoados e o restantes vão ter que andar no fio da navalha para ter suas empresas no azul!
Os empresários cairam no conto do vigário!
O povo se ferrou!
Quem manda confiar em golpista…
Se eles tinham em mente o bem DA MAIORIA…
Eles esperavam a próxima eleição…
Frederico69
14 de julho de 2016 1:19 amnão dá para esperar honestidade da parte deles!
nem pensar!