A Folha errou, por Luciano Coutinho

“O erro da Folha foi grave, pois lançou uma suspeição indevida sobre o BNDES, que se espalha nas redes sociais e contribuiu para associar o nome do banco a operações policiais”

Folha de S.Paulo

A Folha errou, por Luciano Coutinho

No primeiro dia deste mês, a manchete desta Folha foi a reportagem “BNDES suavizou exigências para socorrer amigo de Lula“, na qual o jornal afirma que o banco contornou norma interna que impediria conceder empréstimos para empresa cuja falência tenha sido requerida.

A matéria insinua que o objetivo seria dar tratamento privilegiado à empresa São Fernando Energia e a seu acionista José Carlos Bumlai por conta de uma suposta relação com o ex-presidente Lula.

Não houve nenhuma flexibilização de normas internas do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). A operação referida pela Folha foi feita na modalidade indireta, em que o BNDES atua em parceria com bancos credenciados.

Nesse caso, a análise do crédito e o risco de inadimplemento (pagar os valores devidos caso o mutuário não o faça) são assumidos pelos agentes repassadores, que foram BTG e Banco do Brasil. Em particular, cabem aos agentes atestar que fizeram a análise cadastral, o que incluiu identificar e avaliar processos judiciais e apontamentos que ameacem a solvência do postulante final.

O jornal tentou fazer crer que a operação seria irregular em razão da suposta existência de uma norma interna que vedaria financiar uma pessoa jurídica contra a qual exista um pedido de falência. O normativo em questão, contudo, tem sua finalidade ligada intimamente à etapa de análise de crédito, que, repita-se, nas operações indiretas não cabe ao BNDES, mas aos repassadores da operação.

A Folha não tinha nenhum indício de que teria havido tráfico de influência, mas tentou por dias encontrar algo atípico na operação. Não encontrou nada, mas nem assim deixou de levar sua insinuação à frente.

O jornal também ignorou o contexto em que os financiamentos ao grupo ocorreram. O primeiro, em 2008, aconteceu em um período de crescimento do setor, quando o BNDES e outras instituições financeiras apoiaram dezenas de empreendimentos semelhantes.

Nas operações da São Fernando Açúcar e Álcool, todos os procedimentos foram observados, as devidas garantias exigidas, o rating e o cadastro da empresa eram bons. O projeto foi concluído.

Em 2012, o financiamento indireto à São Fernando Energia ocorreu como parte da reestruturação do grupo, o que melhorou a posição de crédito do BNDES. Quando a empresa deixou de honrar com sua recuperação judicial, o banco não hesitou em pedir sua falência.

O erro da Folha foi grave, pois lançou uma suspeição indevida sobre o BNDES, que se espalha nas redes sociais e contribuiu para associar o nome do banco a operações policiais.

Para ser aprovado, um financiamento no BNDES passa pela avaliação de pelo menos duas equipes de análise e dois órgãos colegiados, num processo que envolve mais de 50 pessoas. Ingerências impróprias são virtualmente impossíveis.

O banco tentou em vão por 25 dias obter uma retratação da Folha. A concessão foi abrir este espaço de artigos, que não tem o mesmo impacto de uma manchete de domingo.

Embora a nova Lei de Direito de Resposta seja um avanço, optamos por não nos valer de seus mecanismos judiciais para reestabelecer mais rapidamente os fatos para os leitores.

O BNDES não teme o debate e nem ser avaliado por suas opções estratégicas. Mas as informações precisam ser fidedignas para que a discussão seja justa.

LUCIANO COUTINHO, 69, economista e professor da Unicamp, é presidente do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

Redação

11 Comentários

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  1. Inescrupulosa

    tem sido a ação da Folha contra Lula e os governos do PT. Não bastasse a capa sobre Delcídio abaixo de uma foto de tamanho desproporcional de um Lula derrotado, pálido, doente, hoje, domingo, faz Lula voltar à primeira página com uma pesquisa onde aparece com alto índice de rejeição caso se candidate em 2018.

    A cada dia uma pedra. O que (não)pensa o editor o quanto a repetição é a maior forma de se entregar contra a verdade. Até na Alemanha nazista, em determinado momento, isso se esgotou. São 13 anos batendo na mesma tecla na espreita da rejeição, que acreditam hoje alcançada.

    Má-fé e burrice se potencializam. Por que tanto foco, tanta insistência? Medo? Contrariedade em interesses? Briga de macho que abandona um almoço no meio do serviço?

    Vejam o tamanho da estupidez: qual o porcentual de assinantes e leitores da Folha que votariam em Lula ou no PT? Perto de zero, certo? Então, com quem Otavinho e Dávila pensam que estão falando e convencendo? A mim? Baita golpismo besta, sô. Vê se fazem um jornalzinho melhor Frias Family Journal. 

  2. A Folha errou, Luciano Coutinho

    O que o Sr. Luciano Coutinho e todo o time da presidente Dilma parece não conseguir entender é que existe uma disputa de ideias. É política. Há um que de paralisia. De acovardamento no enfrentar.Chega a ser imaturo. 

    Não processar a Folha e preterir a utilização de medidas legais é incentivar o contínuo ataque as discussões. De pensar em  novos caminhos para o Brasil.

    É concordar com a permanência e acirramento do processo de clausura das ideias e opções que os meios de comunicação através de seus ventríloquos bem remunerados impõem ao Brasil.   

    É uma pena perder tantas oportunidades.

  3. Tira o dinheiro deles!

    Tira o dinheiro deles! Machiavel, do alto de toda a sua autoridade já advertiu: TEM QUE TIRAR O DINHEIRO! Processo em cima do panfletão do Otavinho. NÃO PODE FICAR DE GRAÇA!

    Em nome da democracia, a imprensa, pilar indispensável dela, não pode se converter em panfletagem de terceira. As pessoas precisam acreditar em alguma coisa institucionalizada… CACETE em cima deles. algumas centenas de milhares de Reais já resolverá.

    DESCULPAS só, não resolverá!

  4. Pela milésima vez
    A folha erra sempre. Na verdade ela até acha que fala a verdade. É caso médico.
    Ou então que fazem estes corruptos da notícia fora das grades?

    1. Coutinho tem o dever público de processar, isso não é opcional

      Erra nada. O negócio da folha é mentir, sacanear, chantagear governos e manter a fortuna dos Frias. Eles apostam na impunidade, no bom relacionamento com Juízes e na cumplicidade de agentes públicos. Esses caras só vão aprender quando for no bolso. Eles que amam os EUA, lá é assim…mas nessas horas silêncio sepulcral 

  5. O que o Datafolha mostra e a

    O que o Datafolha mostra e a Folha esconde

    Weden

    Ter acesso direto à pesquisa dos institutos é melhor que se basear exclusivamente na interpretação dos jornais. Por exemplo, na página do Datafolha, é possível conhecer detalhes que a própria Folha de S. Paulo não se interessa em mostrar.

    Primeiro, é importante dizer que o instituto não trabalha com as qualificações “péssimo”, “ruim”, “regular”, “bom” ou “ótimo”, mas com notas: de um a dez. As notas 5 e 6, por exemplo, compõem o que os jornais chamam de “regular”. Assim, na avaliação dos brasileiros, em agosto, o governo Dilma era regular para 20%. E bom (notas 7 e 8) ou ótimo (9 ou 10) para 14%. O que mostra que 34% dos ouvidos não concordam que o governo seja ruim ou péssimo. O que é surpreendente, diante da crise econômica, política, e artilharia pesada da imprensa.

    O resultado, então, destoa daqueles “apenas 8%” de aprovação tão propagados. Se olharmos as regiões, a situação é bem diversa entre elas. Enquanto no Sudeste, 31% dos pesquisados atribuíam nota cinco ou maior para Dilma, no Nordeste, esse percentual saltava para 44%. Ainda em agosto, Dilma tinha 41% no Norte, 31% no Sul, e 28%, no Centro-Oeste, a menor avaliação. É importante levar em consideração o peso de São Paulo, no Sudeste. Não será surpresa, se o percentual dos que não reprovam Dilma nos outros estados da região seja maior.

  6. Não basta leis como a do

    Não basta leis como a do direito de resposta, é importante que levantem-se as vozes, para além de acusarem o erro, mostrem às pessoas, o acerto.

    Assim, por exemplo, de que adiantaria derrubar a matriz da Monsanto, o prédio da Rede Globo ou destruir qualquer monopólio? Os monopólios se desfazem sozinhos na medida em que as pessoas criam e adotam alternativas a eles. O poderoso não precisa ser derrubado, basta que não seja elevado à condição de poderoso. Senão fica um vácuo.

    Viva o GGN!

  7. Mangabeira Unger denunciou corrupção no Governo Lula

    e pediu demissão.Se voltou,ainda com Lula,não acho q tenha sido oportunista,e sim(quero crer)na esperança de contribuir com seu país.Tb aceitou convite de Dilma e foi empossado.Vamo’ deixar de encher linguiça:a mídia tá no papel dela,a midia eternamente seletiva e safada.Tem assunto pra cada santo dia.Tudo bem se há leitores q acham importante q se veicule,mas cansa.De posts-títulos e de uma série de comentários.Quem vem ler,visitar,ou postar alguma coisa no blog já sabe disso.Q tal variar e falar de como os partidos não podem fugir e talvez caprichem em usar as mesmas armas de tergiversação e dos mecanismos de negociações$$$ nos parlamentos? Lancemos uma Campanha por uma Constituinte exclusiva. E uma Campanha pra Humanização nos Presídios.

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