Como é salutar, delicioso, bom mesmo discutir sobre tudo. Divergir, retrucar, protestar e ser lido em nosso sagrado direito em não convergir necessariamente sobre o que pensamos. Esta é a verdadeira liberdade de expressão que algumas mídias nos proporcionam e outras nos negam.
A pauleira desencadeada pós eleições e absolutamente necessária, salutar, democrática (sim!!!) sobre e contra os monstros libertos da caixa de pandora vai continuar. E vai continuar, pois isso tem se demonstrado absolutamente necessário. Nada dessa historinha tola de depor as armas após as eleições. Não se trata disso. Como dizia sociólogo e pensador do Brasil de imenso quilate, trata-se de pensar e contestar o Brasil cordial. Trata-se de dizer não à cordialidade farsesca que encobria preconceitos, à tolerância frente a intromissão absurda de clérigos em assuntos republicanos e por isso civis, trata-se de um sonoro não aos monopólios midiáticos que se tornaram agora mais que evidentes a reproduzir vilanias, xenofobias e preconceitos rasos, irracionais e que merecem repúdio de toda a cidadania.
Tenho sinceramente a impressão que a abertura da caixa de pandora nos tornará melhores, pois qualquer país que se preze precisa algum dia ser passado a limpo. Como marchamos inexoravelmente para ser um país que se preza, que tal aproveitar o atual momento para lavar a roupa suja acumulada por séculos?
NestNeste sentido é por demais relevante este momento. E assim sendo, dado o espaço democrático que dispomos nos blogs (e este é um espaço social para isso), qual a razão do incômodo? Sou paulista, paulistano, sempre vivi em São Paulo, sempre trabalhei aqui e progredi aqui e sei por experiências pessoais, que havia sim um terreno intocável, subsolo acobertado pela cordialidade que agora está esgarçado e exposto ao Sol. E que mal há nisso? Não me sinto nem um tiquinho só que seja violentado, agredido, vilipendiado, menosprezado como paulista e paulistano que sou pela focalização de eventos costumeiros por aqui, que agora recebem atenção midiática, blogosférica e partidarizada ou politizada (prefiro). Transparência, que significa discussões abertas, sem freios no sentido da busca das causas dos fatos é algo salutar…Ou será que temos medo dos nossos monstros interiores construidos socialmente e preferimos usar o argumento escapista de que agora é hora de desarmar os palanques?
Problematizar a questão dos jovens agressores que agiram como um bando fascista e criminoso a açoitar valores como a diversidade, a tolerância, a civilidade, a democracia, o reconhecimento do outro como igual em direitos, desconhecendo a solidariedade, a coexistência e a dignidade na diferença é algo fundamental.
Não devemos nos esquivar de fazer isso jamais e isso não significa partidarizar a questão. Partidarizar é absolutamente diferente de politizar. Devemos politizar tudo, pois a política é uma das mais nobres atividades humanas. Nela é que podemos encontrar caminhos sem violência, espaço para a livre manifestação das idéias, a despeito delas doerem na perspectiva pessoal ( que deve se subjugar à pública), pois só assim construiremos uma democracia real e não ficcional como alguns desejam nos impor.
Continuemos que assim está muito bom e só assim construiremos o país que realmente desejamos: livre, democrático, plural, com negros, gays, heterossexuais, brancos, mestiços, bissexuais, índios, mulheres, idosos, crianças, com seres humanos vivendo fora de padrões impostos artificialmente( e com caráter de naturalidade), plenos em direitos e independentemente do Estado, Cidade ou País em que tenham nascido sendo considerados iguais. É assim que se constrói um país pensando no futuro.
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