Cultura do estupro nas corporações: ocupação dos corpos femininos pelo espectro da ditadura

A mentalidade corporativa, baseada na proteção de militares que cometem delitos dentro e fora de suas corporações, apenas contribuem para os abusos de poder e as subnotificações de casos de estupro.

 

A falta de punição por vários crimes praticados por policiais militarizados, viabilizado pelo processo de “redemocratização”, à época da Ditadura, parece ser uma cultura que se estabeleceu até os dias atuais.

 

Não há uma mobilização no sentido de se discutir essas práticas. E esse silêncio pode ser interpretado tanto pelo desinteresse da população quanto pelo medo em abordar uma esfera na qual o espectro da truculência e da retaliação se faz sempre presente. Os próprios movimentos sociais silenciam quanto a essa questão e no dever de acompanhar os atos praticados pelas corporações que formam o que ainda são as nossas “forças auxiliares” armadas.

 

Mulheres seguem sofrendo abuso por parte de policiais, sejam civis ou militares, e isso não deixa de ser um desdobramento do sistema patriarcal.

 

É necessário que os movimentos e a população em geral cobre e atente para esses abusos, para que as práticas ditatoriais sejam extirpadas de nossa sociedade.

 

Hoje, a cidade de São Luís do Maranhão foi maculada por mais um crime de estupro. Uma enfermeira foi abusada por um capitão da polícia militar e, mais uma vez, as estatísticas da impunidade foram alimentadas, pois o criminoso encontra-se em liberdade e ‘gozando’ das prerrogativas de seu posto.

 

A Aliança Palestina Razan Al Najar,  vem a público manifestar seu total REPÚDIO à impunidade deste crime, lembrando que nosso movimento homenageia uma mulher, combate a misoginia e os crimes de gênero. Haja vista que nossa luta internacionalista também prima pela proteção das mulheres palestinas e se solidariza com qualquer situação de vulnerabilidade que mulheres enfrentem no mundo.

 

Conclamamos todos os movimentos, independente de suas bandeiras, a se manifestarem em todos os casos de abuso, sem temer a truculência e o espectro ditador que sempre nos ronda e se mostra mais presente que nunca, no contexto fascista em que vivemos.

Lutemos pela liberdade de todos os povos e das mulheres mundo afora!

 

 

 

Gilliam Mellane Moreira Ur Rehman

 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora