5 de junho de 2026

Doria Jr. e sua recém criada República Publicitária do Tucanistão


Há alguns anos comprei uma briga com a prefeitura de Osasco SP em virtude da mesma não pagar precatórios e gastar uma fortuna para fazer campanha publicitária http://observatoriodaimprensa.com.br/feitos-desfeitas/cronica-da-republica-popular-dos-publicitarios/ e
http://observatoriodaimprensa.com.br/tv-em-questao/_ed701_o_bom_o_belo_e_o_injusto/.

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Volto ao assunto, mas desta vez comprarei minha briga será contra o Estado de São Paulo. O governador Dória Júnior disse recentemente que pretende parar de pagar os Precatórios de pequeno valor. Ontem, no cinema, tive a oportunidade de ver a nova campanha publicitária em favor da PM que ele mandou fazer.

A peça publicitária tem um tema que sintetiza de maneira perfeita o neofascismo tucano: Estado de Respeito. Polícia de Respeito. Durante vários minutos, os policiais da PM encenam operações de busca e destruição como se fossem atores dos filmes militares de Hollywood. Viaturas, tanques de guerra e helicópteros são mostrados em ação entre uma tomada e outra do armamento colocado à disposição dos policiais: pistolas automáticas, fuzis e rifles de precisão.

O custo da realização da propaganda glorificando a PM não foi revelado. Quanto está sendo pago para o veicular nos cinemas também é um mistério. Mas me parece evidente que esse dinheiro seria melhor usado se fosse destinado ao pagamento dos Precatórios. A Constituição Federal e a Constituição Estadual obrigam São Paulo a manter o policiamento, mas não a fazer propaganda de sua polícia. O governo Doria Júnior tem o dever de cumprir decisões judiciais. O pagamento dos Precatórios não é opcional, nem pode se tornar realidade em razão do uso de recursos escassos para realizar propaganda indevida da PM.

São Paulo prefere gastar dinheiro para fazer propaganda do que respeitar decisões judiciais. A PM/SP já foi denunciada várias vezes em razão porque é extremamente letal e não respeita os direitos humanos. Portanto, peça publicitária finda com uma mensagem que soa como propaganda enganosa. Não seria o caso do MP/SP ou da Defensoria Pública acionar a justiça para interromper a propaganda e responsabilizar o governador pelos danos que eventualmente causou aos cofres públicos?

Fábio de Oliveira Ribeiro

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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