Relato da Venezuela

No início a gente sente, mas aguenta, uma hora começa a sentir mais o baque. Fomos ao hospital de Tucupita, Venezuela. Estrutura melhor, mas quase zero de remédios. Tanto que sequer tem pacientes. Como se aqui as pessoas não ficassem doentes. Num dos quartos, quatro leitos, só um ocupado: uma warao com duas crianças, uma ainda de colo. A mais velha, uns quatro anos, tem tuberculose. Por sorte tem remédio, segundo a mãe.

No segundo quarto, olhando da porta, acho que se trata de um bebê nascido há pouco. A mãe passa um pano no seu rosto, para amainar o calor. Adentrando mais, vejo que deve ter alguns meses – seis, talvez -, pelo tamanho: olhos fundos de olhar baço em uma enorme cabeça e um fiapo de corpo; mexe vagarosamente a mão para coçar a virilha. Está acordado, mas é de se perguntar como está vivo. A imagem impacta, seguro as lágrimas. Perguntam a idade dela: um ano e quatro meses. Biafra é aqui.

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