VILA LITORÂNEA E A POLÍTICA PROVINCIANA DO DESCASO VIA “ENTRETENIMENTO”.

 

 

Nunca vi minha rua tão iluminada, asfaltada (tapa-buraco mesmo) pintada e limpa. Tudo porque o bairro onde moro fará em breve 25 anos de sangue, sol e descaso e um vereador resolveu fazer uma festa – com intenções politiqueiras, claro – em homenagem. Porém, seria interessante que todo esse zelo continuasse independente de aniversários e comemorações passageiras.

Tal vereador, que me furto de mencionar (pois não merece tinta), é o típico político “provinciano” e do voto de cabresto. Suas bases de recrutamento tem as cores de seu nome e de sua campanha. Fez e faz tudo para dirigir as ações que “mantém” (com dinheiro público) o recrutamento e fortalecimento de seu eleitorado usando as mais diversas formas de tráfico de influência. Apenas os “seus”, cadastrados e carimbados, dispõem de seu “assistencialismo” travestido de política pública e, deste modo, a Vila Luizão, Sol e Mar e Divinéia, há décadas tem seguido e “sobrevivendo” da “caridade daqueles que as detestam” e abusam da esperança popular por justiça social. Ademais, nunca foram resolvidos os mínimos problemas da nossa vilipendiada Vila Litorânea (união dos bairros supraditos). Vejamos:

 

1) Saneamento básico, o que inclui esgotos, – pois não adianta “asfaltar” as ruas se os esgotos não virem em primeiro lugar.

2) asfaltamento;

3) um Centro de Controle de Zoonoses, – na Vila Litorânea, assim como em toda São Luís, há vários animais abandonados e doentes que disseminam doenças perigosas como calazar, bem como muitas pessoas com estas doenças e também a hanseníase sem terem conhecimento.

4) água encanada e potável – é uma questão nunca resolvida nesse grande conglomerado de bairros. Até hoje existe problema de abastecimento de água e desculpas não faltam para manter este descaso. Os “donos dos poços” – sim, existe essa categoria de carrasco por aqui – cobram o pagamento do carnê de água da mesma forma que os milicianos do Rio de Janeiro cobram suas mensalidades. Certa vez conversei com um outro vereador deste bairro e não me faltou asco ao ouvir suas diversas conjeturas para o caso. A Prefeitura deveria regularizar os poços artesianos e regulamentar uma tabela de pagamento de acordo com a condição socioeconômica dos moradores, em sua totalidade de baixa renda e muitos vivendo na miséria, principalmente.

5) Cultura, esporte e lazer – na Vila Litorânea não há nenhuma dessas coisas. Mas em compensação existe a força policial bruta e desumana como entretenimento e “cultura”. Afinal quem mora na periferia é tratado como sub-raça e, por isso, marcado para morrer. As mortes por intervenção policial na Vila Litorânea são das maiores de São Luís e por falta de Controle da Atividade Policial, que a nível nacional inexiste, os famosos “esquadrões da morte” (o afamado “serviço velado”) agem livremente assassinado jovens e pais trabalhadores a pretexto de “confronto à mão armada com a polícia” – vale dizer que é a maior mentira. Aqui a polícia mata ‘a paisana’ e fardada, bastando você ser preto e pobre para receber um “balaço” na cabeça no meio da rua. No outro dia os “jornalismo policial” inventa os vários assassinatos ocorridos e devidos a “acerto de contas” entre as facções e o tráfico de drogas – diga-se de passagem, com vários agentes estatais envolvidos.
Cultura, lazer e esporte é privilégio de poucos grupos “apadrinhados” por políticos que recebem “incentivos” destes ou por seu apoio como base eleitoral fiel ou em algum evento onde o político aparece apenas para dar o troféu ao time vencedor como propaganda política.

As políticas públicas elencadas acima são apenas o básico que já deveria existir e ser usufruído pela população carente destes bairros, mas que ainda são meras utopias e sonhos antigos. No mais, me tomo de enervada revolta por ver estes tentáculos se perpetuarem e prevalecerem como modelo de “política de maquiagem” tanto na Vila Litorânea e adjacências e em toda a Grande São Luís.

O povo à deriva só recebe seus trocados para balançar bandeira de político no sol e ser esquecido logo após, enquanto aquele desfruta da sombra.

 

Jeanderson Mafra, 17 de Setembro de 2019

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora