5 de junho de 2026

O caso do blogueiro Ailton Medeiros, do RN

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Do Blog do Ailton

QUERO APENAS QUE A JUSTIÇA FAÇA JUSTIÇA: É QUERER MUITO?

A Justiça do RN bloqueou minha conta-salário no dia 17 de fevereiro. A decisão é absurda em todos os aspectos.

O motivo do bloqueio resulta de uma condenação também absurda: publiquei no blogue uma foto do ex-presidente dos EUA, Bill Clinton, durante visita a um shopping de Natal. Nela, Clinton aparece sorrindo cercado por dois lojistas.

Um deles resolveu me processar por danos morais. Perdi a questão. Apelei, perdi de novo.

Pela sentença da juíza Flávia Sousa Dantas Pinto, que é professora de Direito da UnP, sou obrigado a pagar 21 mil reais.

Não tenho esse dinheiro, nunca tive, dificilmente terei. O que a juiza fez? Bloqueou minha conta-salário.

Poucas coisas empobrecem tanto o direito como a sentença de certos juízes.

Meu advogado apelou da decisão, a juíza indeferiu o pedido alegando que minha conta é de investimentos porque uma parte do meu salário estava aplicada em CDB, operação realizada automaticamente (portanto sem minha autorização), pelo próprio BB.

Mesmo assim a operação não modifica em nada a natureza da conta, como explica o BB em documento anexado pelo meu advogado aos autos.

Afinal, a conta-salário é minha única fonte. É de lá que tiro meu sustento. Privado dela, é impossível sobreviver dignamente. Não fossem alguns amigos, estaria passando fome.

Mas não vou desistir de lutar. Em tempos difíceis a poesia é essencial.

Há um poema de Eduardo Alves da Costa que gosto muito desde a época de estudante. Trata-se de “No Caminho, com Maiakóvski”. Ele reflete o momento que vive o Rio Grande do Norte. Diz assim:

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

É isso. Se não agirmos rapidamente, pode ser que seja tarde. E pecar pelo silêncio quando deveria protestar, transforma homens em covardes.

E para encerrar, por hoje, reitero: Não quero ganhar causa alguma. Quero apenas que a Justiça faça Justiça! É querer demais?

Sim, porque meu negócio é jornalismo, mas o jornalismo não é meu negócio.

PS: A foto que provocou toda a celeuma também foi publicada no “Diário de Natal” como prova imagem abaixo. Nem por isso o jornal sofreu qualquer tipo de ação por parte do lojista. Todos os veículos de comunicação são especiais. Mas alguns são mais especiais que outros.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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  1. Rodrigues

    25 de novembro de 2013 2:20 pm

    Dois pesos duas medidas

    Como pode umma pessoa que se diz juiz fazer papel de árbitro? – Juiz tem a obrigação de fundamentar sua decisão com os dispositivos existentes, quando existe lacunas, deverá se utilizar dos costumes, comoção ou pelo social, mesmo assim, não é o que ocorre, não só existem os dispositivos adequados a serem utilizados como fundamento, como a jurisprudência vasta existente. Doutro modo ainda, conforme o jornal publicou, é se utilizar de dois pesos e duas medidas, o que não condiz com o papel do jurista. Já a arbitrariedade, que foi o que se utilizou o juízo, não há necessidade de fundamentação e, só, sua escolha, seu entendimento sem fundamento, o que se constitui por si só um IRRESPONSABILIDADE. Acorda Brasil.

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