Como a Jovem Pan caminha para ser a Fox News de Bolsonaro na TV aberta

Programa Greg News mostra como a emissora de rádio se aproximou do bolsonarismo com o interesse de obter uma concessão pública para TV aberta

Jornal GGN – Era 20 de julho de 2021 quando Tutinha Amaral de Carvalho, herdeiro do grupo Jovem Pan, anunciou na internet que a emissora realizará, em breve, o seu maior sonho: ter seu próprio canal de televisão com sinal aberto ao público.

Com um empurrãozinho do atual governo, a rádio mais bolsonarista pode ocupar a grade do canal de TV com a quinta maior cobertura do País, ficando atrás apenas da Rede Globo, SBT, Record e Band. Ou seja, a Jovem Pan na TV eventualmente nascerá maior do que a RedeTV!

O programa Greg News da última semana de setembro mostra como a Jovem Pan caminha para se tornar a Fox News de Jair Bolsonaro, em referência à emissora norte-americana mais alinhada ao trumpismo nos Estados Unidos.

Tudo começou em 2013, quando o empresário Paulo Garcia, sócio da Kalunga e da Spring Comunicação, comprou da editora Abril a gestão do canal 32, por onde era transmitida a MTV Brasil. A operação custou 290 milhões de reais. O apresentador Gregório Duvivier chamou atenção: “como assim compraram uma concessão pública?”

Com o fim da MTV Brasil, a Abril deveria ter devolvido a concessão do canal 32 para o governo federal, à época comandado por Dilma Rousseff (PT). Mas “confiando que não seria punida”, a Abril vendeu o canal para Paulo Garcia. O caso foi parar na Justiça.

O TRF-3 considerou em 2018 a operação de venda sem participação do Ministério das Comunicações ilegal, e condenou os envolvidos a indenizar a União em 29 milhões de reais – apenas 10% do valor negociado.

O caso, segundo o Greg News, segue em tramitação e, enquanto isso, o canal continua no ar. Primeiro, a Spring alugou a grade para a transmissão de programas religiosos. Depois mudou para a Loading, voltada para o público juvenil.

Em maio de 2021, apenas seis meses depois de estrear, a Loading saiu do ar, com todos os trabalhadores demitidos. No dia seguinte ao anúncio das demissões, Tutinha, herdeiro da Jovem Pan, teve uma reunião com o ministro das Comunicações do governo Bolsonaro, Fabio Faria, para pleitear uma concessão de TV para o grupo.

De acordo com a imprensa, o próprio Faria teria orientado Paulo Garcia a abandonar a Loading para ser sócio de Tutinha na nova Joven Pan na TV aberta, com promessa de regularização pelo governo Bolsonaro.

Assim todo mundo sai ganhando: Bolsonaro ganha mais uma emissora amiga para fazer frente à Rede Globo; a Jovem Pan de Tutinha finalmente terá seu próprio canal de televisão, e Garcia consegue regularizar e pacificar o problema da concessão do canal 32.

Não à toa, a Jovem Pan tem apostado cada vez mais na contratação de vozes antipetistas. Começou com jornalistas como Joice Hasselmann, Vera Magalhães, Reinaldo Azevedo – em seus tempos anteriores à Lava Jato – e Augusto Nunes. Agora o time é mais diversificado, mas todos têm um valor em comum: a veia bolsonarista saltada, a ponto de abandonar qualquer critério jornalístico para difundir toda sorte de informação falsa diariamente.

Tutinha gosta de dizer que a Joven Pan é uma emissora de rádio diferenciada porque aposta no “politicamente incorreto” para ganhar audiência. Para Duvivier, a emissora, na verdade, é “politicamente vendida”.

O alinhamento da Jovem Pan ao bolsonarismo soma visão de mundo com interesses comerciais, uma mistura explosiva.

Confira o programa na íntegra:

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