Emissoras vetam reportagens nacionais sobre ex-deputado que matou duas pessoas no trânsito em Curitiba

Do Notícias Paraná

Censura veta reportagens nacionais sobre o caso Carli Filho

As duas principais redes de televisão do País, a Globo e a Record, resolveram censurar uma reportagem especial sobre o mesmo assunto: o mais polêmico assassinato no trânsito do Paraná. Ou seja, aquele provocado pelo ex-deputado Fernando Ribas Carli Filho,  quando dirigia bêbado, com a carteira de habilitação suspensa e a mais de 190 quilômetros por hora pelas ruas de Curitiba. O resultado da soma de tanta irresponsabilidade foi a morte de dois jovens inocentes, que cometeram a imprudência de ficar na frente de um criminoso no voltante. 

Em 2011, a Rede Globo mandou para Curitiba o repórter Caco Barcellos. E ele cumpriu a pauta entrevistando vários personagens envolvidos na tragédia e mostrando o local da batida e como foi que o ex-deputado, usando um Passat importado como arma, tirou a vida de duas pessoas. O material foi produzido para ser veiculado no programa “Profissão Repórter”, que teria como tema principal os chamados crimes de trânsito.  Depois de tudo pronto, veio a censura. E o material parou numa gaveta, para indignação do repórter, que se justificou com a família Yared dizendo que “atualmente o Paraná é o estado mais corrupto do Brasil”. E a reportagem, apesar da relevância jornalística e social, continua engavetada até hoje, cinco anos depois. Qual a razão? Quanto a Globo recebeu para não veicular o conteúdo obtido pelo repórter e quem pagou?

Censura na Record também

O repórter da Ric/Record em Curitiba, Marc Souza, um dos melhores do Paraná na atualidade, produziu há quase um mês uma reportagem especial, com 15 minutos de duração, para o programa “Domingo Espetacular”. A equipe da RIC conseguiu, com exclusividade,  ter acesso ao relatório dos radares na noite(07/05/2009) em que Carli Filho matou dois jovens ao passar por cima do carro deles com seu potente Passat, que chegou a decolar tamanha era a velocidade. Gilmar Rafael Yared e Carlos Murilo morreram na hora. A reportagem, de indiscutível valor jornalístico e de grande alcance social,  estranhamente entrava no “espelho”(roteiro) do programa e logo era retirada. Por que motivo isso acontecia? Ninguém sabe.  Assim, o trabalho exclusivo da equipe de Curitiba ficou rolando do espelho para a “gaveta” e da “gaveta” para o espelho durante várias semanas, até que ontem (06) finalmente foi exibido. Porém, as fontes ouvidas pelo reportagem relatam que o material levado ao ar foi muito diferente daquele que o repórter apurou. A parte em que os entrevistados falam de um provável “terceiro elemento” disputando um racha com Carli Filho foi suprimida. E a reportagem sequer foi postada no site do programa. O que houve?

Novamente as perguntas que não querem calar saltam na boca de cada paranaense indignado com o crime e com a proteção que o criminoso goza nos meios de comunicação: quem pagou, quanto pagou e quem recebeu? Só este motivo, espúrio e antiético, justifica a censura  praticada em ambas as reportagens. Para os jornalistas e para o jornalismo não existe palavra mais forte, violenta e repugnante que “censura”. Contra ela e seus múltiplos e antidemocráticos sentidos, muitos foram torturados e mortos. Mas luta de anos, de décadas, contra esta arma, a mais terrível da ditadura militar (1964-1985), avançou até a vitória, que foi a expulsão dos censores das redações. Isso, no início da década de 1980.  Mas volta e meia, ela reaparece numa e noutra redação, e, cruel como sempre, faz vítimas entre os bons jornalistas e priva a sociedade de uma informação relevante. O caso Carli Filho, por exemplo, está recheado de casos de censura.  Qual o motivo? Quem é o censor: a rica família do ex-deputado ou o poderoso “terceiro elemento”, que se mantém anônimo (por enquanto) graças censura da intimidação, da corrupção e do tráfico de influência? A censura luta contra a verdade, como bem lembrou a jovem judia Anne Frank, em seu diário, antes de ser morta em um campo de concentração nazista: “Em cada censura há uma ponta de verdade”.

Veja como foi o crime cometido por Carli Filho nesta reconstituição feita pelo perito contratado pela família Yared:

39 comentários

  1. Gente é um direito dele..
    Até
    Gente é um direito dele..
    Até pq todas as reportagens sobre ele são tendenciosas.
    É certo que ele tenha pelo menos um pouco de sussego até pq essas reportagens podem influencuar o juri de forma negativa.
    Fernando esta no seu direito. É só estudarem a lei como funciona.

  2. A censura jornalística faz mal ao Estado Democrático de Direito
    Barbaridade! Fico imaginando o que essas pessoas que precedem o meu comentário (não todas ) entendem de constituição brasileira! Acho que nunca leram bem eu o artigo 5 da CF. Que pena desse criminoso nada! Tem que ser processado, se defender, ser julgado e receber a pena de prisão merecida, prevista na Lei Penal. NEM MAIS , NEM MENOS! NO rigor da Lei, tal qual expressa e aplicável no caso concreto! Pra, por favor, dirigindo bêbado e 190km por hora! Estava buscando o que!? A felicidade! ? Que encontre na prisão ! No silencio e na paz atras das grades!

  3. Acredito que o Fernando tem
    Acredito que o Fernando tem sim o direito de esperar seu julgamento em paz!
    As matérias sobre são todas tendenciosas..
    É feita de maneira como se ele fosse um monstro assassino…
    E pq tanta ofensas a ele?
    se ele pudesse voltar no tempo ctza que faria td diferente. Ele se arrepende e mtoo ..

    • Adta é nome de gente?

      Sem nome sem nada. Sem uma identificação clara de quem escreve, seu texto acaba por parecer mais um pseudônimo criado na rede para propalar pontos de vista comprados. Isso é mais uma ponta do cinismo dos agentes censuradores. Os grandes jornais e redes de mídia mantém profissionais criadores de perfis nas redes sociais para dar ares de verdade a factoides e calúnias. Eventualmente se posicionam a favor de canalhas e de golpistas. O número de incautos que acreditam em tudo que é postado têm caido, mas ainda é substancial. Isso justifica a manutenção dessa horda de mentirosos. Infelizmente, isso é um fenômeno mundial. 

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