8 de junho de 2026

Eram os deuses comentaristas de TV?, por Luís Nassif

Estava na hora dos grupos de mídia promoverem uma reciclagem, pelo menos para seus comentaristas mais conhecidos.

Na CNN, com seus modos nada fidalgos, o apresentador William Waack é peremptório, na entrevista com Alexandre Padilha, da coordenação política do governo. Pergunta – em tom acusatório – se o governo vai repetir os erros do PAC e de outras políticas desenvolvimentistas, que levaram o país ao desastre e produziram desemprego. O fim dos estaleiros, apud Waack, se deveu a erros de política econômica, não ao trabalho devastador da Lava Jato.

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Na Globonews, Mônica Waldvogel comenta o PAC e diz que a falta de sustentação fiscal jogou o país na crise.

Provavelmente não leram um livro de economia recente, nem acompanham o tema financeirização x investimento público que domina o debate econômico em todos os países desenvolvidos. O que eles sabem, leram nos jornais, de jornalistas que aprenderam o que leram nos jornais, de outros jornalistas que sabem o que leram nos jornais. E, no fim da linha, operadores de mercado repetindo slogans que leram nos jornais. Papagaios em rede!

Um grande especialista em política internacional, Waack, uma analista ligada a bons princípios civilizatórios, Mônica, de repente passam a pontificar sobre economia, não com o espírito do repórter, querendo aprender, mas do juiz assinando sentenças definitivas sobre temas que desconhecem. Tenho o microfone, logo sou a lei.

Estava na hora dos grupos de mídia promoverem uma reciclagem, pelo menos para seus comentaristas mais conhecidos. Não dói. Basta chamar um bom especialista em ortodoxia e um bom especialista em heterodoxia, e, principalmente, alguém em dia com as discussões econômicas globais. E solicitar a seus comentaristas que retomem a curiosidade dos tempos de repórter e façam perguntas, tenham a humildade de se colocar como repórteres dispostos a aprender, não como amadores pretendendo ensinar,

Se escolherem bem os expositores, haverá um notável avanço na qualidade dos comentários televisivos. Waack não precisará rebaixar seu notório conhecimento em outros temas repisando bordões da imprensa financeira, com a mesma segurança ignorante dos jovens repórteres que cobrem o mercado ouvindo o segundo e terceiro escalões.

Aí, serão capazes de entender que a economia é algo um pouco mais complexo do que o debate rasteiro sobre fiscalismo e desenvolvimentismo. Poderão até se dar o supremo benefício da dúvida, e se indagar porque de Joaquim Levy para cá – quando foi inaugurado o modelo mercadista – não houve desenvolvimento algum. Poderão aprender um pouco sobre as disfuncionalidades da Lei do Teto, sobre as restrições políticas de economia, sobre aspectos centrais do desenvolvimento, sobre o poder multiplicador e os limites dos investimentos públicos.

No mínimo conseguirão se livrar da doença do auto-engano, de supor que comentários, multiplicados por grandes redes, têm o poder da infabilidade.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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8 Comentários
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  1. Paulo Dantas

    11 de agosto de 2023 2:06 pm

    Chego em casa de noite e queria ver as notícias apenas.

    Mas tenho que ver as analises, GloboNews ou CNN.

    Se eles me pergutassem diria “dá só a π0®®@ da notícias” , sei que vocês são inteligantes mas “dá só a π0®®@ da notícias” …

    1. ed.

      12 de agosto de 2023 12:40 am

      Hehehe, eu cancelei a assinatura da Veja há uns “2 séculos” porque na propaganda eles diziam que “pré analisavam as notícias para mim,” e nas tentativas de renovação deles eu lhes respondia: “eu não quero suas “análises”, apenas as (π0®®@$ das) notícias. Quem analisa sou eu”…p#rr@!

  2. José de Almeida Bispo

    11 de agosto de 2023 3:00 pm

    E eles – Waack e Walvogel, em resumo – querem? “Ate o mundo mineral sabe” que eles sabem do que estão falando. Logo, jamais será pela perdoável ignorância, ou por crença cega: é por maldade mesmo. Pistolagem intelectual, ajudado por reles preconceito. Como se dizia na redação de Veja nos anos 80: “O que temos nesta semana para ferrar ‘o operário’?”

  3. Jair Costa

    11 de agosto de 2023 3:46 pm

    Nassif, sumiram com o passarinho do twitter e ninguém comentou nada.

    Prenderam o passarinho e colocaram um X negro no lugar.

  4. Flavio Emieni

    12 de agosto de 2023 6:43 am

    “Estava na hora dos grupos de mídia promoverem uma reciclagem, pelo menos para seus comentaristas mais conhecidos. Não dói”. Dói, Nassif. E custa caro!

    Mas nem é disso que se trata, e também não é questão de ignorância ou má vontade. É projeto e com vultoso investimento, inclusive em ‘penas de aluguel’.

    O projeto? Atende pelo singelo nome de 2026.

  5. emerson57

    12 de agosto de 2023 8:04 am

    Os citados e quase todos os outros, Mirians, Alexandres, etc. são jornalistas de programa.
    A sua lógica é subordinada à dos donos do PIG, partido que odeia o Brasil.
    Deixei de assistir essa gente em 1996.

  6. Jicxjo

    12 de agosto de 2023 8:24 am

    “O que eles sabem, leram nos jornais, de jornalistas que aprenderam o que leram nos jornais, de outros jornalistas que sabem o que leram nos jornais. E, no fim da linha, operadores de mercado repetindo slogans que leram nos jornais. Papagaios em rede!”

    Kkkkkkk

    Nessa mesma papagaiada seguiu ontem no JN outra convicta adepta da crendência, Delis Ortiz, deitando falação sobre “rombo fiscal” contra o novo PAC; por óbvio não ouviu nenhum economista ligado à MMT, apenas os neoliberais de sempre que tratam tudo como “gasto”.

  7. +almeida

    12 de agosto de 2023 9:15 pm

    Evitei ao máximo ter o desprazer de comentar sobre as duas figuras.
    Penso que poucos são os que estão preparados para a experiência da decadência, da descredibilidade ou da ausente audiência.
    Imagino que quando começa a bater o desespero e a sombra dos cortes entra em cena, a imagem projetada do futuro reflete um viçoso, indesejável e constrangedor ostracismo.
    Então parece ser daí que lhes são condicionadas a pavorosa questão do ou dá ou desce, que exige rapidez na decisão e o fiel comprometimento aos comandos superiores.
    Avalio que ao aceite da concordância e da veemente defesa dos interesses superiores e parceiros, sejam prudentes ou imprudentes e sejam verdadeiros ou falsos, não caberá retrocesso e muito menos questionamentos.
    O Rei, ainda que nu e de reinado arruinado, indica que não perderá a pose, a arrogância e o abusivo preconceito.

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