Governo interino tira do ar programas das rádios públicas

Jornal GGN – Em relato publicado no blog O Cafezinho, de Miguel do Rosário, uma jornalista relata a continuidade do desmonte da comunicação pública promovido pelo governo do presidente interino Michel Temer. Ela conta que a EBC está tirando do ar programas de rádio como o ZoaSom, da ONG Criar Brasil, e que ia ao ar pela MEC AM RJ e na Rádio Roquette-Pinto. 

Voltado para o público jovem, o programa ZoaSom promovia o debate de temas sobre cidadania e juventude, como a legalização do aborto, e também abria espaço para a música independente, algo raro nas rádios comerciais brasileiras. “Mais de 300 músicos e bandas se apresentaram, ao vivo no programa, ao longo destes seis anos”.

Para a jornalista, a não renovação de diversos programas das rádios públicas do país é uma das pontas dos ataques à comunicação pública realizados pelo governo interino de Michel Temer. Leia mais abaixo:

Enviado por Webster Franklin

O Cafezinho
 
 
Miguel do Rosário
 
Reproduzo abaixo nota de uma amiga jornalista, que está acompanhando de perto a destruição incrivelmente rápida pela qual vem passando a TV Brasil, a EBC e todo o sistema público de comunicação, com apenas algumas semanas de governo golpista.
 
***
 
Os ataques à comunicação pública não param. A EBC, empresa pública de comunicação, na qual estão rádios históricas no país, como a MEC AM do Rio de Janeiro – a primeira rádio brasileira, está tirando do ar programas que deixaram sua marca no rádio nacional. Um exemplo disso ocorreu na última quinta-feira, 16/06, quando foi ao ar o último ZoaSom, programa da ONG Criar Brasil que ia ao ar na MEC AM RJ e na Roquette-Pinto FM 94,1.
 
A saída do ZoaSom do ar tem um único motivo: a não renovação de contratos de muitos programas da grade, principalmente das rádios EBC (Empresa Brasil de Comunicação), devido ao que se chama de crise econômica mas que, sabemos, é bem mais uma crise política.
 
Programa pensado por jovens, o ZoaSom trazia para o debate temas que aliavam juventude e cidadania. Tudo isso feito de forma ampla, democrática, sincera. Dos debates mais quentes, como a legalização do aborto, até os mais “tranquilos”, como relacionamentos amorosos em tempos de internet, o programa trazia todos os lados possíveis para dentro da conversa. Isso sem falar do espaço para a música independente mostrar seu trabalho, fato raro dentro das rádios brasileiras, trabalho sempre privilegiado pelo ZoaSom. Mais de 300 músicos e bandas se apresentaram, ao vivo no programa, ao longo destes seis anos.
 
O fim do ZoaSom e a não renovação de contratos de diversos outros programas das rádios públicas do país representa apenas uma das pontas dos ataques à comunicação pública orquestrados pelo governo interino de Michel Temer. Ponta que se une aos argumentos daqueles que defendem o fim da TV Brasil, por exemplo. Com a retirada de programas da grade da EBC, perde-se, a cada dia, espaços de diálogo e de pluralidade nas conversas e produções. E, neste processo, a maior perda possível é a da população que acaba ficando cada dia mais refém de uma comunicação única, sem que sua voz seja ouvida e propagada.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora