28 de junho de 2026

Partidarismo tirou credibilidade da mídia brasileira, diz a BBC

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Jornal GGN – Com uma cobertura nacional parcial e partidarizada, a mídia estrangeira está se tornando a principal referência na crise política do Brasil. O país virou assunto em todo o mundo depois da votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados.

A The Economist, por exemplo, que no passado abordou o crescimento do Brasil e o começo da crise (capas que tiveram ampla repercussão no território nacional), agora diz que não há golpe em curso, mas que o impeachment é uma má ideia, já que o julgamento está sendo tocado por parlamentares acusados de corrupção.

“Só que essa crise está custando caro demais para o Brasil e não pode durar outros dois anos até as eleições de 2018, e por isso defendemos novas eleições no Brasil”, disse um editor para a BBC Brasil. “Temos opiniões de que as pessoas podem até discordar. Mas tomamos muito cuidado com os fatos”, completou.

“A mídia brasileira está muito partidária, isso faz com que as pessoas olhem mais para publicações internacionais”, disse.

Da BBC Brasil em Londres

‘Partidarismo’ de mídia no Brasil deu peso a imprensa internacional, diz colunista da ‘Economist’

Por Fernando Duarte

Na chamada batalha por corações e mentes entre partidários e opositores do impeachment da presidente Dilma Rousseff, uma munição usada pelos dois lados – que reclamam da suposta parcialidade dos veículos de mídia nacionais – tem sido a cobertura da imprensa internacional.

E uma das publicações mais citadas, ao lado dos jornais New York Times e Financial Times, é a revista The Economist, que ganhou notoriedade, entre outras razões, pela força simbólica de suas capas usando montagens com o Cristo Redentor para falar do boom e da queda da economia brasileira nos últimos 10 anos.

Para Michael Reid, ex-editor da Economist para a América Latina e atualmente responsável pela coluna “Bello”, que tem a região como tema, uma das razões para a reputação da revista no Brasil e que dá peso ao que ela diz é o fato de ela não esconder suas opiniões sobre o que vê de errado no país.

“É um grande cumprimento para a Economist caso os brasileiros realmente estejam nos buscando como uma fonte de informação percebida como mais isenta do que a mídia doméstica. Isso pode estar acontecendo porque levamos nosso trabalho a sério e respeitamos o país”, diz o britânico, que é também autor do elogiado livro Brasil: A Turbulenta Ascensão de um País.

“É interessante pensar que sofremos críticas por fazer elogios a Lula durante sua presidência e que a presidente Dilma Rousseff discordou publicamente de nossas posições sobre seu governo”, diz Reid, em entrevista à BBC Brasil por telefone.

O jornalista acredita que o apelo da revista e da mídia internacional junto aos leitores brasileiros na cobertura da crise política seja uma reação contra o que chama de partidarismo na mídia nacional.

“A mídia brasileira está muito partidária, isso faz com que as pessoas olhem mais para publicações internacionais”, diz ele.

Ele ressalta que, embora emita opiniões, a Economist não perde os fatos de vista. Cita como exemplo a posição sobre o processo de impeachment, que a revista recusa a chamar de golpe ao mesmo tempo que diz considerar a manobra constitucional uma má ideia.

“O impeachment está na legislação, não é um golpe. Mas dissemos que seu uso não é uma boa ideia. Algumas das pessoas julgando a presidente estão envolvidas em denúncias graves de corrupção e têm processos na justiça.”

“Só que essa crise está custando caro demais para o Brasil e não pode durar outros dois anos até as eleições de 2018, e por isso defendemos novas eleições no Brasil. Temos opiniões de que as pessoas podem até discordar. Mas tomamos muito cuidado com os fatos”.

Reid vê o Brasil “perigosamente” dividido e credita a polarização a processos distintos. Embora acredite em uma reação do establishment brasileiro à ascensão do Partido dos Trabalhadores, o britânico diz que o clima de divisão atual também foi causado por manobras políticas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Lula contribuiu para o clima de polarização na época do escândalo do mensalão ao tentar isolar o PSDB com o discurso ‘povo x neoliberais’. O quadro se complicou com o resultado apertado da eleição presidencial de 2014 e o fato de que Dilma não conseguiu atuar como pacificadora.”

“Não deveria ser difícil para um presidente conseguir o apoio de mais de um terço do Congresso”, argumenta Reid, referindo-se ao placar da votação da processo de impeachment de Dilma na Câmara dos Deputados, em que o governo conseguiu o apoio de apenas 27% dos parlamentares.”

Mas, assim como fez a Economist, Reid também não poupa críticas ao Legislativo brasileiro ao comentar tanto a crise política quanto mais especificamente a votação de duas semanas atrás.

O britânico engrossa o coro de críticos às cenas no plenário. “O que mais me chamou a atenção foi que a causa do processo de impeachment contra a presidente (as pedaladas fiscais) não foi mencionada pela maioria dos deputados. O Congresso não fez nenhum a favor a si mesmo naquele dia para tentar conter a crise de credibilidade na política brasileira”.

Reid também adota uma posição bastante crítica em relação ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha. “Para quem vê de fora, Cunha tem muito ao que responder e deveria ser afastado do Parlamento até que as acusações contra ele fossem investigadas, até por uma questão de credibilidade do processo”.

Um governo Michel Temer, segundo o britânico, enfrentaria desde o início um problema de legitimidade, embora o atual vice-presidente tenha sido descrito pelaEconomist com um nome que “agrada ao mercado”.

“Temo que um governo Temer seja marcado pela fraqueza: com vontade de reformas, mas sem força política para realizá-las”.

Reid, no entanto, discorda do argumento de que a crise política teria fragilizado as instituições brasileiras. Mesmo diante da estatística de que, desde 1950, apenas metade dos presidentes eleitos terminou o mandato.

“Cada circunstância é diferente. Dilma enfrenta um escândalo de corrupção em meio a uma crise política e econômica, por exemplo. E devemos lembrar que tanto Fernando Henrique Cardoso e Lula terminaram mandatos consecutivos com tranquilidade. O Brasil tem problemas no Executivo e no Legislativo, mas não concordo que haja enfraquecimento de instituições”.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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14 Comentários
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  1. maria rodrigues

    28 de abril de 2016 1:11 pm

    De fato, o que seríamos de

    De fato, o que seríamos de nós sem a Internet, em primeiro lugar, afinal toda a imprensa estrangeira que se volta contra a bandalheira da política brasileira jamais teriam expostas suas matérias pela imprensa doméstica. Quando o fazem, é extraindo delas o que lhes é conveniente, como fez com a matéria da revista que saiu com afoto do Cristo Redentor. 

    Talvez por essas e outras esteja amadurecendo ideias dos pilantras em votarem leis reguladoras da Internet. E não seria novidade se um governo Temer fosse autor dessa lei, começando por deletar os blogueiros ditos sujos, que tanto o incomodará ainda mais, caso empossado e sentado nua cadeira que jamais seria dele.

  2. Luciano Prado

    28 de abril de 2016 1:22 pm

    É golpe sim
    Sem essa!
    Retirar um presidente eleito, sem causas exigidas pela Constituição não ocorre nos EUA. Ocorre em repúblicas de bananas como no Brasil.
    Impeachment sem crime de responsabilidade é golpe.
    A palavrinha pode não agradar, mas é disso que se trata: é golpe.

  3. Marcos Antônio

    28 de abril de 2016 1:38 pm

    Sinal de alerta

    A rede globo se tornou EXTREMAMENTE PERIGOSA…

    Pelo grau de violência que espalhou dentro do Brasil CRIMINALIZANDO O PT, imagime o que não poderá acontecer se ela CRIMINALIZAR UM PAÍS VIZINHO?

    Venezuela, Bolívia?

    Criar ameças?

    Vira guerra!

    É preciso ter limites!

    1. Somebody

      28 de abril de 2016 2:12 pm

      Ela com certeza fará isso

      Ela com certeza fará isso quando for a hora de encontrar um “inimigo externo” para colocar a culpa dos problemas que o governo Temer vai causar. É parte do surrado manual de como fazer uma democracia virar uma ditadura

  4. Jadir Rocha

    28 de abril de 2016 2:31 pm

    É muito triste ver a mídia

    É muito triste ver a mídia brasileira manipulando o povo brasileiro, em sua grande maioria, analfabetos políticos.

  5. Juliano Santos

    28 de abril de 2016 2:35 pm

    O pig começa a ter

    O pig começa a ter reconhecimento mundial. Dá-lhe Merval!

  6. Severino Januário

    28 de abril de 2016 3:15 pm

    Sabíamos que com o tempo toda

    Sabíamos que com o tempo toda a mídia grande externa iria se enquadrar. Eles não podem ir contra a ditadura do pensamento único, e este já deve ter anunciado qual a sua versão. Afinal, este golpe é coisa de todo o sistema imperialista ocidental.

  7. Antonio Carlos Silva - Brasil

    28 de abril de 2016 3:59 pm

    Um ótimo programa da TV

    Um ótimo programa da TV Telesur denunciando as manipulações golpistas da Globo nos últimos 50 anos .

    ” O Brasil acaba com a Globo ou a Globo acabará com o Brasil “

    [video:https://youtu.be/Br-nkR16W6g%5D

  8. Marco Tourinho

    28 de abril de 2016 4:11 pm

    midia brasileira morreu.
    Midia brasileira ja morreu como fonte de informacao confiavel pros gringos. Descobriram que elas sao planfetos partidarios. Aqui ainda tem gente que se deixa enganar. Mas nao se engana a todos durante todo tempo. Nossa midia sera desprezada como ja e no exterior.

  9. Edgar Filho

    28 de abril de 2016 6:50 pm

    Manobra constitucional? Não é golpe? Me poupe, Seu Reid…

    Grande coisa o que acha a The Economist. Pelo simples fato de se recusarem a chamar de golpe, estão passando recibo. “Manobra constitucional” é só mais um eufemismo. De novo essa história de que o impeachment está previsto na Constituição? Mesmo sem crime, ô Michael Reid? Me poupe… Saiam de cima do muro: dizer que a mídia nacional é partidarizada mas se recusar a chamar o golpe pelo que ele é — golpe — não faz de vocês melhores. 

  10. altamiro souza

    28 de abril de 2016 9:59 pm

    esse nãoo é um páradoxo – a

    esse nãoo é um páradoxo – a elite golpista e a globo copiam tudo de fora, inclusive essa ideia de golpe..

    veja que o cara não e´contra o golpé, aceita-o e defende um meio golpe – a tal eleição antecipada…

    ahuns desses meios só falam agora depois do golpe dado…

  11. Adriane

    29 de abril de 2016 11:13 am

    por favor, publiquem o link

    por favor, publiquem o link para o artigo original.

  12. Clodair Rodrigues Junior

    30 de abril de 2016 9:59 pm

    aberração

    Foi só eu que escutei do bonner – e olha que quase nunca acompanho noticias da bbboba – de que havia 46.000 golpistas e 23.000 a favor de Dilma nesta imagem?

  13. Gustavo Horta

    4 de maio de 2016 12:16 am

    GOLPE DADO, PODER TOMADO, TUDO NA NORMALIDADE!
    JÁ RASGARAM A CONSTITUIÇÃO!!NÃO EXISTE MAIS. RASGADA E PISOTEADA! O golpe já aconteceu! E assim o farão!  GOLPE DADO, PODER TOMADO, TUDO NA NORMALIDADE! FOI ASSIM EM 1964 E OS TOGADOS REPETEM SUA CUMPLICIDADE COM O GOLPE! Está comprovado que esta quadrilha – políticos corruptos, mídia canalha e corrompida, judiciário covarde e executivo, em boa medida resultado desta promiscuidade para a tal governabilidade – fará o que quiser com nosso pobre país. Apropriou-se do poder, já o fez!Nem sei se falta mesmo só a coragem, se seria apenas covardia do STF! Pobre povo brasileiro que sequer sabe reagir.Pobres de nós. Nossa ação somente poderá ser assim sutil e permanente. “Nós conhecemos a língua que eles entenderão: Prejuízos, muitos” >> https://gustavohorta.wordpress.com/2016/03/29/nos-conhecemos-a-lingua-que-eles-entenderao-prejuizos-muitos/

     

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