10 de junho de 2026

O Globo briga com a notícia e mantém o massacre do Diretor de Fiscalização do BC, por Luís Nassif

Não há a menor consideração sobre a reputação de terceiros. E quando mira um funcionário com conduta irrepreensível torna-se mais odiosa.
Reprodução

Estadão destaca negociações da Fictor com BRB e uso de contas em Dubai no caso Master, sem aprofundar investigações.
Valor publica análises sobre Alexandre de Moraes e Flávio Dino, ressaltando decisões judiciais e políticas relevantes.
O Globo revela aporte de R$ 1 bi no BRB por ex-sócio do Master e investigações sobre pressão para compra de carteiras fraudulentas.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Vamos a um balanço da cobertura de hoje, dos jornais, sobre o caso Master. Há níveis distintos, dependendo do jornal, mas continua a falta de uma sala de situação, coordenada por um jornalista mais experiente, para definir mais objetivamente as pautas.

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Estadão

Entra no caso Fictor – que o GGN antecipou há mais de dois meses.

Traz informação relevante: “Fictor, que tentou comprar Master, negociou fatia do BRB em 2024, mas dinheiro de Dubai não chegou”. A informação ajuda a colocar mais peças no quebra cabeça: um imbricamento cada vez maior com o Master, recorrendo às tais contas de Dubai e à tentativa de adquirir o BRB.

Mas é curioso que, tendo uma estrutura ampla de repórteres e correspondentes, não se vá ao âmago da questão, inclusive em cima das pistas abertas pelo Jornal GGN há quase 3 meses: “Os negócios obscuros da Fictor, que pretendia adquirir o Master

  • Fictor Alimentos S.A. é a única empresa do grupo com dados públicos e tem patrimônio líquido negativo.
  • Os sócios ocultos das SCPs (Sociedades de Conta de Participação).
  • Internacionalização da Fictor, conforme mostrado em sua propaganda: mostramos a impossibilidade de adquirir crédito consignado nos EUA e a pequena dimensão do negócio em Portugal.

Mas o segundo destaque do Estadão é o proselitismo em estado puro do colunista Andreazza que, em vídeo, acusando Flávio Dino de “jogar para a galera”, ao vetar o aumento extraordinário para os funcionários do Legislativo. O Estadão faz o mesmo, ao tratar o aumento como “mais um insulto aos brasileiros”? Provavelmente os editores da primeira página perceberam o contra-senso e tiraram o vídeo de Andreazza da Home.

Valor

Há tempos, o único diário brasileiro a praticar jornalismo, sempre com informações relevantes e sem o direcionamento que caracteriza outras coberturas. Especialmente pelas análises de Maria Cristina Fernandes.

Ontem, produziu um artigo irrepreensível sobre Alexandre de Moraes: “Análise: Ao dobrar a aposta contra código de conduta, Moraes abandona a coragem”. 

De um lado reconheceu o papel histórico do Ministro na defesa da democracia, com uma coragem poucas vezes vista. De outro, criticou com argumentos a defesa que Moraes fez das prerrogativas do Judiciário. 

“Alexandre de Moraes teve seu patrimônio ameaçado pela Lei Magnitsky e enfrenta, com sua família, ameaças permanentes que os impedem de ter uma vida normal. Por outro lado, tornou-se conhecido além das fronteiras nacionais por dar lição a tribunais de todo o mundo de como a extrema-direita pode ser enfrentada. Dar as devidas explicações sobre o escritório de sua família com o banco Master e discutir um código de conduta com um mínimo de honestidade intelectual é um preço até barato”.

Hoje, em relação a Flávio Dino, outro artigo irrepreensível: “Análise: Dino recoloca o STF na condição de credor de Lula”. A decisão de Dino evita um conflito do Executivo com o Judiciário, se o veto partisse de Lula. É chocante a diferença de nível com os comentários de Andreazza, erigido a comentarista principal do Estadão.

O Globo

Finalmente, uma matéria jornalística em “Investigação encontra indícios de que Vorcaro, ex-sócio do Master e fundador da Reag aportaram R$ 1 bi no BRB”. A matéria coloca mais uma pedra no quebra-cabeça: a de que Maurício Quadrado e Daniel Vorcaro injetaram R$ 1 bilhão no BRB, mas apenas para permitir o enquadramento do capital, aumentando a capacidade do banco em negociar com o Master.

“A vantagem da capitalização em um banco é que ela pode alavancar (multiplicar) a capacidade de crédito da instituição. Além disso, poderia conferir maior capacidade para o BRB comprar o Master, o que veio a ser negociado posteriormente. O negócio, contudo, foi vetado pelo BC”.

Na coluna da Malu Gaspar, um levantamento das visitas que Vorcaro fez fez ao Banco Central após alertas sobre o risco de liquidez, conseguido pela coluna com base na Lei de Acesso à Informação. 

A reportagem insiste em colocar o diretor de fiscalização Aílton de Aquino no centro. Como se sabe, a acusação de que Aquino pressionou o Conselho de Administração do BRB para adquirir a carteira do Master, é a principal peça para tentar isentar os conselheiros, fontes de Malu Gaspar. Não há a menor consideração sobre a reputação de terceiros. E, quando a bazuca mira um funcionário de carreira, com conduta irrepreensível torna-se mais odiosa ainda.

Diz a matéria:

“Foram 18 agendas na Presidência, presumivelmente com Galípolo, e 17 ocasiões com a Diretoria de Fiscalização. Aquino, que está à frente do setor, teria pressionado o BRB a comprar carteiras do Master que se revelaram fraudadas, como publicamos no blog.

E, aqui, a informação desonestamente incompleta:

“Dois meses depois, em julho de 2025, o Banco Central detectou as primeiras irregularidades na compra de carteiras de crédito do Master pelo BRB, incluindo um “grande volume de operações suspeitas e desprovidas de comprovação financeira” que basearam o esquema fraudulento para maquiar que os papéis do banco não tinham lastro. O Ministério Público Federal (MPF) foi acionado, o que deu início à investigação criminal que levou a cúpula do Master para a cadeia meses depois”.

O que faltou? A informação central, de que esse tipo de investigação é da competência da Diretoria de Fiscalização, dirigida pelo alvo preferencial de Malu: Aílton de Aquino. Ou seja, foi Aquino que denunciou o Master ao MPF. Porque seu nome, e o de seu departamento, foram excluídos da informação?

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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6 Comentários
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  1. Marcus

    6 de fevereiro de 2026 9:57 am

    A repórter Malú Gaspar, é assalariada de uma organização que deve bastante respostas ao Brasil. A mansão de Angra dos Reis, envolvimento com Mossack Fonseca, colaboração com a lava à jato, e outros tantos episódios onde a verdade foi espancada por interesses ” nem tão ocultos assim”,e os desastres acumulando: Collor, FHC 3 x no FMI, golpe de 2016, a lista é longa como longa é a lista dos repórteres que escreveram para a organização Globo, com evidente obediência aos patrões. Esperar algo diferente de um repórter da Globo, é como acreditar em Saci.

  2. Milton

    6 de fevereiro de 2026 10:27 am

    Quem sabe seja apenas o “troco” por ter se recusado a ser fonte de “meias verdades mentiras inteiras” que nada mais são do que recursos para “jornalistas” se manterem no topo ? Algo do tipo “não sabes com quem estás falando” . . . O jornalismo presta um grande serviço ao distinto público mas deve ser feito dentro de uma visão honesta e responsável de seu trabalho.

  3. Rui Ribeiro

    6 de fevereiro de 2026 11:06 am

    Não existe jornalismo neutro e objetivo. Nesse caso, o Pig quer destruir o agente para sobrar mais dinheiro público para o próprio Pig e para a classe para a qual ele puxa-saco

  4. +almeida

    6 de fevereiro de 2026 2:52 pm

    O que faltou? A informação central, de que esse tipo de investigação é da competência da Diretoria de Fiscalização, dirigida pelo alvo preferencial de Malu: Aílton de Aquino. Ou seja, foi Aquino que denunciou o Master ao MPF. Porque seu nome, e o de seu departamento, foram excluídos da informação?

    Caro Nassif, eu penso que a exclusão
    tem muito de uma similaridade intencional, com aquele velho ditado, que diz: “pau que nasce torto, morre torto”.
    Imagino que nada mais resta esperar , daquilo que não quer remediar.
    Nada pode concertar, aquilo que despreza o desconcerto.
    Avalio que nada mais se pode esperar, daquilo que sempre busca caminhos tortuosos para satisfazer a ambição, o ego e a corte que lhe domina.

  5. fabricio coyote

    6 de fevereiro de 2026 3:10 pm

    é a morte ficta do jornalismo à brasileira rs rs rs
    patente as discrepâncias na administração pública
    o servidor civil perde tudo
    o servidor militar tem de passar pelo tribunal militar, mesmo se o crime não for de natureza militar
    jamais conseguiremos purgar 1964
    a soldo de muito sangue de gente inocente
    uma excrescência à brasileira, em que criminosos com transito em julgado de condenações mantém salários e honrarias
    e juízes que possuem parentes que trabalham juntos aos tribunais aos quais vinculados fazem contratos milionários
    e negras e negros superlotam as celas
    furtos de comida
    furtos de energia
    depois de Lula, será o caos e com certeza serão novamente reconduzidos os golpistas ao status quo ante

  6. fabricio coyote

    6 de fevereiro de 2026 3:16 pm

    A un general

    Región de manos sucias de pinceles sin pelo
    de niños boca abajo de cepillos de dientes

    Zona donde la rata se ennoblece
    y hay banderas innúmeras y cantan himnos
    y alguien te prende, hijo de puta,
    una medalla sobre el pecho

    Y te pudres lo mismo.

    Julio Cortázar

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