Palavras a serviço de frames, por Letícia Sallorenzo – a Madrasta do Texto Ruim

Palavras a serviço de frames

por Letícia Sallorenzo – a Madrasta do Texto Ruim

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

 

Apenas observe como as palavras moldam seu julgamento das coisas.

A história é a seguinte:

– equipe do Haddad escreve biografia dele pra pôr no site

– equipe do Haddad erra um dado da biografia

– equipe do Haddad é alertada pelo erro pelos jornais

– equipe do Haddad: ‘Ih! Foi mal! Bora corrigir!

– equipe do Haddad corrige o dado.

 

Essa história é o resumo das reportagens (já vi umas cinco – sim, cinco – sobre o tema de suma importância) que foram publicadas ontem e hoje sobre os jornais. A equipe de campanha do Haddad reconheceu o erro (que aparenta ser uma mera distração, sobre ele ter estudado em escola pública, quando na verdade fez até o segundo grau em escola particular) e corrigiu a informação.

Observe agora os títulos das reportagens sobre o assunto:

 

  1. Campanha do PT maquia biografia de Haddad (Estadão, 13/9, interna)

  2. Partido tira do site informação falsa sobre Haddad (Folha, 14/9, interna)

 

A metáfora no verbo “maquia” significa mentir deliberadamente para se melhorar uma história. Não foi o que aconteceu.

Informação falsa é praticamente uma hipérbole. Não foi uma informação falsa, foi um erro de publicação (e logo a Folha com sua clássica coluna Erramos vai falar de erro dos outros, mas deixa pra lá).

 

Leia também:  José Roberto Guzzo é afastado da Veja

Outra manchete também chama atenção pelo enquadramento que os jornais estão buscando de Haddad:

  1. Haddad se esquiva da questão sobre Dilma (Folha, 14/9, interna)

  2. Haddad cita Lula uma vez a cada 22 segundos (Globo, 14/9, interna)

 

Temos um candidato totalmente dependente de seu mentor, de acordo com o Globo, e um candidato que foge do confronto, foge da realidade (se esquiva), de acordo com a Folha.

Adivinha quais outros candidatos estão sendo artificialmente enquadrados dessa forma pelos jornais? Isso mesmo: nenhum.

Sigamos, que a Berenice inda tá rodando dentro do carro. Segura, Berenice!

 

(Pra quem não sabe a origem da expressão “segura, Berenice”, segue texto didático https://emais.estadao.com.br/noticias/comportamento,bereniceday-meme-de-leila-lopes-e-relembrado-nas-redes-sociais,70002125587 )

 

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1 comentário

  1. Shhhhhhhhhhh…

    “Oia minha fia, num espanta mitinga do cu do boi.

    Deixa eles falá que andrade é iguar a Lula.”

    Assim como não adianta chamar eleitor de bolsobosta de brucutu sem cérebro, o eleitor do Lula quer mais é um candidato que seja ele (Lula).

     

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