Raí ou Neymar?
por César Locatelli
Às vésperas da eleição presidencial no Brasil, o jornal francês Libération publicou duas matérias em que trata da posição política de alguns jogadores da seleção brasileira de futebol. A maioria bolsonarista intriga o jornalista Julien Lecot, autor da matéria com título “Em um Brasil ultrapolarizado, Neymar e o futebol brasileiro sempre se inclinam para Bolsonaro”.
“Embora muitos dos jogadores de futebol do Brasil venham de meios socialmente desprivilegiados, o setor da população que mais sofreu com o mandato de Bolsonaro, temos razões para nos surpreender. A atitude deles parece mesmo completamente esquizofrênica quando sabemos que muitos jogadores da Seleção são negros ou pardos, e que eles são os primeiros a se indignar, com razão, quando um deles é vítima de racismo. Ao mesmo tempo em que apoiam um candidato que já disse que seus filhos ‘não vão se apaixonar por uma mulher negra porque foram muito bem educados’ e que reclamou que as comunidades quilombolas ‘não fazem nada’ e que ‘não servem nem mesmo para procriar’”, expõe Lecot.
O jornalista alinha as atitudes simplórias, altamente estudadas e cuidadas, do presidente de extrema-direita com suas referências evangélicas para entender o apoio dos jogadores. Acrescenta, entretanto, papel que desempenha a nova classe social a que eles acederam: “Por fim, é difícil não falar da política econômica ultraliberal defendida por Paulo Guedes, o senhor da economia de Bolsonaro, que favorece a classe rica… à qual Neymar e seus companheiros agora pertencem”.
O jornalista Samuel Ravier-Regnat traz um ex-jogador de posição política oposta. Ele entrevistou Raí, há alguns dias, e o descreve como uma atacante pela esquerda, num jogo de palavras para descrever seu lado do campo político. O irmão de Sócrates, que hoje mora em Paris e estuda ciências políticas, torce para que Lula vença as eleições. “Muitas vezes, me pergunto o que ele [Sócrates] faria no meu lugar”, diz ele. “Meu irmão lutou pela democracia no Brasil, mas a presidência de Bolsonaro mostra que a democracia é frágil e que devemos permanecer vigilantes. Já que ele não está mais aqui, procuro uma forma de prolongar sua luta.”
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O tom leve e bem-humorado de Rai torna-se grave e sério ao falar da atual disputa à presidência, descreve Ravier-Regnat. Há quatro anos, Rai denuncia o racismo, a misoginia de Bolsonaro e “sua indiferença em relação à destruição da natureza e da vida”.
Sobre seu envolvimento na presente campanha, Rai afirma que não se engajou desse modo nas eleições anteriores, “mas agora, diante de tal extrema direita, a neutralidade não era uma opção”.
“O futebol é um ambiente muito conservador, em que os jogadores nem sempre estão cientes dos perigos da extrema direita”, lamenta.
Cesar Locatelli – Economista e mestre em economia
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Gilson Modesto
30 de setembro de 2022 9:40 pmCaramba! Que lindo e utópico país este que o missivista abaixo descreveu. Será que aceita passaporte brasileiro?
GESSIEL de souza
1 de outubro de 2022 8:22 amA frase em que Bolsonaro supostamente diz que seus filhos ‘não vão se apaixonar por uma mulher negra porque foram muito bem educados’ é falsa, e trás descrebilidade a essa boa causa. Isso foi uma montagem do programa CQC, que aliás ajudou a eleger o atual governo!