10 de junho de 2026

Tardias palavras, por Sergio Saraiva

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Tardias palavras, por Sergio Saraiva

Editorial da Folha de São Paulo de 29 de setembro de 2018: “A hora do compromisso – quem participa da eleição presidencial adere tacitamente a um contrato com a nação. Obriga-se a aceitar o resultado soberano das urnas em caso de derrota e, na outra hipótese, a respeitar a Constituição e os direitos fundamentais ao conduzir o governo”.

Posicionamento atrasado há 4 anos. Feito ao final de 2014, quando Aécio Neves se insubordinou contra as urnas que o derrotaram, e a democracia brasileira estaria preservada – o PT estaria concluindo seu ciclo de poder, ao custo democrático de seus quatro mandatos consecutivos – e talvez o próprio Aécio ou Alckmin, hoje, estivessem liderando as pesquisas de intenção de voto e Bolsonaro fosse tão somente um folclórico candidato a deputado federal.

Ditas agora, quando o povo já se colocou, na sua maioria, para o bem ou para o mal, em um dos lados da questão, soam apenas como se retardatários estivessem tentando ensinar-nos o caminho.

Apoio, contudo, a cobrança de uma autocrítica do PT “ao recurso sistemático à corrupção”, desde que feita, tal cobrança, com a mesma intensidade com que a Folha cobra essa mesma autocrítica do PSDB – partido que já cedeu vários “articulistas” para a própria Folha de São Paulo e em cujas folhas ainda os encontramos regularmente.  

E mais, soa absurdo exigir de Fernando Haddad “manifestações de submissão ao enquadramento democrático” como se houvera alguma dúvida sobre isso, numa canhestra tentativa de encontrar em Haddad qualquer termo de comparação com autoritarismo que têm, paradoxalmente, garantido, até este instante, a dianteira de Bolsonaro na corrida presidencial.

Tão absurdo quanto a cobrança de um “ato de contrição petista pelo apoio incondicional à atroz ditadura venezuelana” – na definição criada pelo jornal – quando a própria Folha jamais fez seu ato de contrição pelo “apoio incondicional e material à atroz ditadura brasileira de 64”, a qual, inclusive, chamou de “ditabranda”.

Do mesmo modo, como soa como escárnio a profissão de fé de que “não há solução fora da Constituição e do respeito aos direitos fundamentais” feita por quem, tendo o poder e os meios para tanto, não emitiu palavra quando essa mesma Constituição foi rasgada a ponto de tornar letra morta o princípio civilizatório pelo qual ninguém é considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. E mais ainda quando considera que a busca do legítimo direito ao direito de defesa seja antes uma “agressão a decisão da Justiça”.

Tardias palavras que, no entanto, defenderei até a morte o direito que a Folha tem de dizê-las. Eu, mas nem todos, inclusive ministros do Supremo, como aliás, bem sabe a Folha. Este sim, um risco real à democracia brasileira, não menor do que seria a eleição de Bolsonaro à presidência da República – risco que a Folha quer nos fazer crer que só percebeu agora. Ainda assim, antes tarde do que depois das eleições.

Oficina de Concertos Gerais e Poesia – meias-palavras é coisa para quem é meia-boca.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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6 Comentários
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  1. Marcos Antônio

    30 de setembro de 2018 3:40 pm

    Querida folha, observe que já

    Querida folha, observe que já estou no clima paz & amor da campanha do Haddad…

    Pelo editorial que escreveu fica claro que ainda não entendeu, quiça tente prestar atenção aos sinais dados por Haddad ao longo de sua campanha…

    Houve uma ruptura da carta de 1988, e ele somente acusou o Aécio e parte do PSDB, do MDB de conspirarem contra Dilma!

    Todos os outros não foram mencionados!

    Imagina se ele fosse dizer os nomes de cada uma empresa, pessoas e autoridades que participaram do golpe em seu programa eleitoral?

    Ele ficaria lendo nomes até o fim da campanha!

    Mas, ele quer unir o Brasil!

    Paga-se injustiça com justiça, não com o revide!

    Agora quem cometeu crime, crime é crime – não pode haver perdão, tem que haver justiça!

    E para isso não basta ganhar as eleições, ele terá que tomar o poder!

    Quando os reis da antiguidade chegavam ao poder, muitas vezes perdoava seus inimigos!

    É impossível acreditar que não houve apoio estrangeiro em muitos eventos, fica gritante no caso dos marqueteiros do LULA!

    E ele deliberadamente não fala nada, pois ele sabe que o Brasil se encontra a beira do abismo e qualquer outro que ganhar vai jogar o brasil no colo dos outros países!

    O único nome dito foi do aécio que tem dinheiro ainda não explicado, não da mesma forma que até as palestras do LULA foram alvos de auditoria!

    Tem o serra também que tinha que ter auditoria!

    Então se não cometeu crimes, não preocupe folha, não haverá perseguições!

    Mas, que houve golpe, ah! isso houve!

    Isso é sem dúvida!

    1. AMORAIZA

      30 de setembro de 2018 6:46 pm

      A terrível realidade
       

      Ascenção do Haddad, que mêda!

      “Temos planos”

      Tutorial – como vencer o PT no segundo turno

      [video:https://youtu.be/NLqluSyxBFw%5D

  2. Antenor Praxedes

    30 de setembro de 2018 5:31 pm

    Para um jornal que classifica
    Para um jornal que classifica o regime militar do golpe de 1964 como “Ditabranda” nada mais natural do que defender o golpe de 2016.

  3. Hildermes José Medeiros

    30 de setembro de 2018 5:59 pm

    Canalhas, canalhas, canalhas.

    Canalhas, canalhas, canalhas. isto é que na realidade são: canalhas! Querem enganar quem? Se, é do interesse da Folha de São Paulo, agora,  o respeito aos resultados da eleição, em 2018, . é muito bom. Que divulgue e defenda, é um bom começo na defesa da Democracia, que o grupo de mídia vem aviltando há tanto tempo. Que fique por aí, não venha pousar de defensores do Estado Democrático de Direito,  porque não são há muito tempo. Que pratiquem um jornalismo isento, deixem de persguir os trabalhistas, socialistas e progressitas, que deixem de fazer seus assinantes de idiotas.. 

  4. Hildermes José Medeiros

    30 de setembro de 2018 5:59 pm

    Canalhas, canalhas, canalhas.

    Canalhas, canalhas, canalhas. isto é que na realidade são: canalhas! Querem enganar quem? Se, é do interesse da Folha de São Paulo, agora,  o respeito aos resultados da eleição, em 2018, . é muito bom. Que divulgue e defenda, é um bom começo na defesa da Democracia, que o grupo de mídia vem aviltando há tanto tempo. Que fique por aí, não venha pousar de defensores do Estado Democrático de Direito,  porque não são há muito tempo. Que pratiquem um jornalismo isento, deixem de persguir os trabalhistas, socialistas e progressitas, que deixem de fazer seus assinantes de idiotas.. 

  5. Renato Lazzari

    30 de setembro de 2018 8:23 pm

    “Folha” cheira a formol

    Otimismo exagerado, caro Sérgio Saraiva. A “Folha” não apenas não se arrependeu como não mudou em nada a posição golpista e antidemocrática. Apenas está ajustando seu produto para tentar vendê-lo a mais pessoas, já que a soma dos simpáticos a Bolsonaro aos simpáticos a Haddad dá mais da metade da população. E a rigor não se pode falar de “Folha” sem pensar que há pessoas, dirigentes, executivos e trabalhadores, cuidando dos produtos dessa firma.  Essas pessoas não mudaram, apenas estão tentando convencer ao incauto cosumidor que o produto mudou.

    (***)

    É bem raro ver um grupo tão grande de pessoas aparentemente “modernas e descoladas” mas, na verdade, com posturas tão retrógradas, antigas e muito, muito aquém do que já temos de evolução civilizatória, juntas. Poucas pessoas conseguem ser  tão aparentemente “modernosas” e realmente tão antiquadas quanto a turma que trabalha nessas firmas, UOL, Folha etc.

    Um velho com o cabelo branco tingido não é um moço, é um velho com o cabelo branco tingido.

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