4 de junho de 2026

A morte do compositor Henryk Górecki

Henryk Górecki (1933-2010)

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Do Público

Morreu o compositor polaco Henryk Górecki

Nome maior da vanguarda polaca e do moderrnismo europeu

12.11.2010 – 14:39 Por Mário Lopes

O compositor polaco, Henryk Górecki morreu hoje em Katowice aos 76 anos, depois de vários anos a lidar com um frágil estado de saúde. O seu trabalho, seguido com admiração junto dos meios melómanos, onde foi reconhecido como um dos mais originais compositores do seu tempo, ganhou reputação junto do grande público com uma gravação da sua Sinfonia nº3, a chamada “Sinfonia das Canções Tristes”, editada em 1992 em homenagem às vítimas do Holocausto e que atingiu vendas acima do milhão de exemplares, ou pelas colaborações com o Kronos Quartet.

Nascido em Czernica, na Silésia, a 6 de Dezembro de 1933, Górecki, filho de músicos amadores, tornar-se-ia uma figura fulcral do renascimento da música polaca no pós-Guerra. Inicialmente influenciado pelo vanguardismo de Webern, Luigi Nono ou Karlheinz Stockhausen, dedicar-se-ia a partir da década de 1970 à música sacra, de um lirismo acentuado e onde se destacava a influência da música popular do seu país. A influência polaca é fulcral em todo o seu percurso (apesar de alguns períodos a estudar em Berlim ou Paris, passou toda a sua vida na Polónia), marcando-lhe a música e a intervenção social que desenvolveu. Foi figura de proa da chamada Nova Música Polaca, no pós-guerra, e célebre opositor ao regime comunista que liderou o país até 1989.

ApesApesar do seu precoce interesse em música, Górecki só iniciaria uma verdadeira formação musical aos 19 anos, quando venceu a oposição inicial do pai e da madrasta (a mãe morrera quando tinha dois anos de idade, e a ela dedicaria o compositor grande parte dos seus primeiros trabalhos). A sua férrea dedicação, contudo, levou a que completasse em apenas três anos o curso de quatro na Escola Estatal de Música Irmãos Szafrankowiem, em Rybnik, onde estudou violino, o seu primeiro instrumento, clarinete, piano e teoria musical. Completaria a sua formação na Academia Musical de Katowice, onde se graduou com distinção em 1960.

A sua música, inicialmente marcada pelo serialismo e pelo modernismo de Webern, Xenakis e Boulez, revela-se numa Sinfonia nº1, de 1959, recebida com entuasiasmo na Polónia e vista como revelação de um enorme talento nos meios musicais europeus. A Sinfonia nº2 surgiria apenas 13 anos depois. Composta para celebrar o 500º aniversário do nascimento de Copérnico, revela já uma evolução estética onde o vanguardismo de outrora dá lugar a um lirismo mais acentuado e a um investimento melódico mais tradicional.

Católico devoto, procuraria a partir dali incutir na sua música um sentido espiritual profundo, que atingirá o auge na sua obra mais conhecida, a Sinfonia nº3, construída sobre que um lamento de século XV, as palavras que uma adolescente escreveu nas paredes de uma prisão polaca da Gestapo e uma história do folclore da Silésia, em que uma mãe chora o filho perdido na guerra. Conhecida como “Sinfonia das Canções Tristes”, tornaria Górecky um caso raro de sucesso transversal, ainda que os mais de um milhão de discos vendidos em 1992 não tenham gerado interesse no restante da sua obra.

Comparado a compositores como Olivier Messiaen ou Arvo Pärt pela estrutura musical, pelo temperamento romântico e pelos temas religiosos, Górecky foi também um professor marcante. Não só pela protecção da Academia de Katowice, onde começou a ensinar em 1968, daquilo que via como ingerência abusiva do estado comunista, mas também pela sua lendária exigência. Ele que abandonou o seu cargo na Academia em 1979, em protesto pela recusa do regime em acolher uma visita a Katowice do então Papa João Paulo II, costumava reservar um conselho aos seus alunos, como recorda hoje o “Guardian”: “Se conseguem viver sem música durante dois ou três dias, então não componham – talvez seja melhor passarem algum tempo com uma rapariga ou à volta de uma cerveja”.

Após a saída da Academia, Górecky colaboraria com a Sinfonietta de Londres ou com o Kronos Quartet, o que foi aumentando a sua visibilidade fora da Polónia, o país onde nasceu e que o condecorou este ano com a Ordem da Águia Branca, a mais alta distinção do estado polaco.

Mais informações :

http://noticias.terra.com.br/noticias/0,,OI4788522-EI188,00-Morre+compos…

http://pt.wikipedia.org/wiki/Henryk_Górecki

http://en.wikipedia.org/wiki/Henryk_Górecki

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados