A peleja de Belchior e Raulzito

Por jns

do Xapuri Agora

Um pouco do polêmico Belchior

por Raimari Cardoso

Em VELHA ROUPA COLORIDA, cujo título já anuncia uma forte ironia, Belchior aponta a sua navalha para os ideais hippies, os valores tropicalistas vigentes e tenta anunciar um novo rumo à música popular brasileira – um rumo mais comprometido com a realidade política e social do país.

 

Mas nem tudo eram flores e, nada mais nada menos que o eterno Maluco,  na canção EU TAMBÉM VOU RECLAMAR faz chacota do posicionamento de Belchior, acusando-o de apenas querer vender os seus discos:

Mas é que se agora
Pra fazer sucesso
Pra vender disco
De protesto
Todo mundo tem
Que reclamar

Eu vou tirar
Meu pé da estrada
E vou entrar também
Nessa jogada
E vamos ver agora
Quem é que vai güentar

Ligo o rádio
E ouço um chato
Que me grita nos ouvidos
Pare o mundo
Que eu quero descer

Apesar dessa voz chata
E renitente
Eu não tô aqui
Prá me queixar
E nem sou apenas o cantor

Eu já cansei de ver
O Sol se pôr

Agora eu sou apenas
Um latino-americano
Que não tem cheiro
Nem sabor

Mas agora eu também resolvi
Dar uma queixadinha
Porque eu sou um rapaz
Latino-americano
Que também sabe
Se lamentar

E sendo nuvem passageira
Não me leva nem à beira
Disso tudo
Que eu quero chegar
– E fim de papo!

http://youtu.be/2B8ungdFS94 height:450]

A crítica de Raulzito, cujo alvo também atingia Silvio Brito e Hermes Aquino, era focada no posicionamento deles de  que tudo aquilo, talvez se referindo à ditadura, era ‘nuvem passageira’. Belchior, no entanto, encarou o desafio e não deixou o homem que ‘nasceu há dez mil anos atrás’ sem resposta.

Em A PALO SECO ele diz:

Se você vier me perguntar por onde andei
No tempo em que você sonhava
De olhos abertos, lhe direi:
Amigo, eu me desesperava
Sei que assim falando pensas
Que esse desespero é moda em 76
Mas ando mesmo descontente
Desesperadamente eu grito em português
Mas ando mesmo descontente
Desesperadamente eu grito em português

[video:http://youtu.be/DrM2IafO4RU height:450

Belchior não ficou ressentido e gravou a excelente ‘Ouro de Tolo’ de Raulzito, em 1984, no LP ‘Cenas do Próximo Capítulo’.

Com polêmicas saudáveis como essa só resta dizer, admitindo a saudade, que a MPB, que, hoje, tem gosto de sopa de macarrão aguada e sem sal, já foi muito mais interessante.

Fonte: http://raimari9.blogspot.com.br/2012/11/um-pouco-do-polemico-belchior.html

12 comentários

  1. Raul e Tropicalha

    O Raul sempre foi um musico “desgarrado” dos movimentos aqui do Brasil. O Caetano chegou a o chamar de “egoista” por isso.

    E Raul como resposta compõe uma musica com o mesmo nome.

    • Onde eu tô não há bicho papão não

      A peleja entre Caetano e Raul Seixas

      Por Toninho Buda

          Foi com grande interesse que procurei o site de Caetano Veloso, quando soube que ele tinha feito uma música em homenagem ao Raul Seixas.

          Fiquei horas lendo e relendo a letra de Rock’n’Raul, prá ver se conseguia descobrir naquilo o gênio-de Caetano. Ali está dito até que a grande luta de Raul foi exibir uma enorme vontade de ser americano. Será?… Ora, o povo nordestino sempre foi tão humilhado e estigmatizado, que muitas e muitas vezes na vida eu os vi  envergonhados responderem que eram “cidadãos do mundo”, quando alguém lhes perguntava onde é que tinham nascido. Realmente, pode ser que Raul tivesse uma certa vergonha de ser brasileiro e nordestino… Mas curiosamente, em suas entrevistas no site http://www.caetanoveloso.com.br, Caetano se exclui do grupo que “queria ser americano”, e diz que os tropicalistas queriam ser “universais”, originais e nunca imitar ninguém… não seria isso também uma nova faceta dos cidadãos do mundo?!…

          A realidade pode ser até mais cruel. Aquela caricatura, por exemplo, criada por Chico Anísio Baiano e os Novos Caetanos – mostrava claramente o quão bairrista, limitada e até caipira poderia parecer, aos olhos das outras regiões, a pretensa universalidade dos tropicalistas. Mas é um fato que – com sua luta, capacidade de superação e o talento de seus artistas – os nordestinos conseguiram impor suas culturas regionais ao resto do país. No entanto, se a Tropicália tivesse realmente se universalizado, me parece muito mais provável que ela não teria globalizado, mas sim bahianizado… o Brasil. E hoje, até que ponto a dionisíaca bahianização de nossa cultura é de boa ou má qualidade, o próprio Caetano discute com eloqüente competência.

          E é exatamente por causa de seu talento é que é de doer que ele – vestindo aquela velha persona nordestina -, venha posar outra vez de cidadão do mundo e chamar o conterrâneo Raul Seixas de macaco dos americanos. Se Raul queria ser americano, mesmo que fosse apenas pela fartura de maconha e éter, o seria evidentemente by Timothy Leary/Castañeda and Lennan/Huxley/Crowley. E há mais o que lamentar, quando sabemos que este “desafio” entre Caetano e Raul é uma peleja muito antiga. Pois Raul Seixas fez, pouco antes de sua morte (em parceria com Marcelo Nova, no disco A Panela do Diabo, em 1989), uma música-testamento chamada Rock’n’Roll. Nela, ele começava dizendo “Há muito tempo atrás, na velha Bahia, eu imitava Little Richards, e me contorcia. As pessoas se afastavam, pensando que eu estava tendo um ataque de epilepsia. E no Teatro Vila Velha, velho conceito de moral, bosta nova prá universitário, gente fina, intelectual”. Ora, Caetano Veloso – junto com Gilberto Gil e a Orquestra de Carlito -, tocavam exatamente naquele teatro. Enquanto isso, Raulzito e os Panteras tocavam rock, para empregadas domésticas, no Cinema Roma. Mas isso foi há quarenta anos! Será que agora, em plena passagem do milênio seria a hora ideal para uma revanche do calibre desse duelo Rock’n’Roll x Rock’n’Raul?!!!…

          Acho que não, meu caro Caetano! Vocês podem até ensaiar, com o fantasma de Raulzito, este tango de tapas e beijos, morde e assopra (que já foi chamado até de “inimizade íntima”). Mas a glande luta dele foi contra o Sistema, Matrix, Monstro Sist ou qualquer nome que se lhe dê. Acho também que ele merece muito toda a reverência tardia que está recebendo agora. Sempre acreditei que a Jovem Guarda, a Tropicália e a Sociedade Alternativa tiveram muito mais semelhanças do que diferenças; muito mais traços de união do que divisão. Pois existia um inimigo comum, o Caretão. Hoje, este inimigo apenas se escondeu nas sombras das coxias. E está adorando o que você está fazendo neste campo de cruzes, debaixo dos holofotes. Quando Raul fez bolero, fez Sessão das Dez; quando fez música caipira, fez Capim Guiné; quando fez ponto de umbanda, cheio de axé, fez Mosca na Sopa. Agora você, fazendo rock… é uma vontade fela-da-puta de voltar no tempo e ir cantar rock-peleja no cinema Roma. Mas como dizia Sinatra: “But if it’s your way, please, let me remember you: the end is near, the dream is over. See the final curtain !…” (Mas se este é o seu caminho, deixe-me lembra-lo: o fim está próximo, o sonho acabou. As cortinas se fecham!…)

       

      Raul Seixas dizia que "ninguém morre, as pessoas despertam do sonho da vida". Jornal do Brasil: 22 de agosto de 1989

      “Se o diabo é o pai do rock, Raul Seixas foi o ajudante que meteu a colher de pau no caldeirão do demo e ainda tascou-lhe uma mosca na sopa”.Jornal do Brasil

       

      Se você acha que tem pouca sorte 
      Se lhe preocupa a doença ou a morte 
      Se você sente receio do inferno 
      Do fogo eterno, de Deus, do mal 
      Eu sou estrela no abismo do espaço 
      O que eu quero é o que eu penso e o que eu faço 
      Onde eu tô não há bicho papão não
      Eu vou sempre avante no nada infinito 
      Flamejando meu rock, o meu grito 
      Minha espada é a guitarra na mão 

      Se o que você quer em sua vida é só paz 
      Muitas doçuras, seu nome em cartaz 
      E fica arretado se o açúcar demora 
      E você chora, você reza, você pede, implora 
      Enquanto eu provo sempre o vinagre e o vinho 
      Eu quero é ter tentação no caminho
      Pois o homem é o exercício que faz 
      Eu sei, sei que o mais puro gosto do mel 
      É apenas defeito do fel 
      E que a guerra é produto da paz 

      O que eu como a prato pleno 
      Bem pode ser o seu veneno 
      Mas como vai você saber… sem tentar? 

      Se você acha o que eu digo fascista 
      Mista, simplista ou antissocialista 
      Eu admito, você tá na pista 

      eu sou ista, eu sou ego 
      eu sou ista, eu sou ego 
      Eu sou egoísta (2x)
      Por que não… Por que não… 
      Por que não… Por que não…

      [video:http://youtu.be/JeYA_2IOBAI width:600 height:450]

      Pseudômino de Antonio Walter Sena Júníor, Tôninho Buda, 49, engenheiro cívil, maratonista,  ator de teatro, escritor com quatro livros publicados, cantor das bandas “Os Portera” e “Titiu Crowley Travelíng Band” e membro consultor para assuntos esotéricos da Fundação Raul  Seixas. Foi amigo pessoal de Raul Seixas durante 7 anos. Militou ao lado de Paulo Coelho pela União das Comunidades Alternativas até 1986. 

      toninhobuda@hotmail.com.br

  2. ACALANTO

     

    Maísa Moura

    Chico ‘Angelical Voz’ Aafa

    Certa vez ouvi contar
    Que muito longe daqui
    Bem pra lá do são francisco, ainda pra lá…
    Em um castelo encantado,
    Morava um triste rei
    E uma linda princezinha,
    Sempre a sonhar…

    Ela sempre demorava
    Na janela do castelo
    Todo dia à tardezinha, a sonhar…
    Bem pra lá do seu castelo,
    Muito além, ainda mais belo,
    Havia outro reinado,
    De um outro rei.

    Certo dia a princesinha,
    Que vivia a sonhar
    Saiu andando sozinha,
    Ao luar…

    E o castelo encantado
    Foi ficando inda prá lá
    Caminhando e caminhando,
    Sem encontrar.

    Contam que essa princezinha
    Não parou de caminhar,
    E o rei endoideceu,
    E na janela do castelo morreu,
    Vendo coisas ao luar.

    ‘O ai roxo dessa lavora tardã’

    [video:http://youtu.be/r45hGmgVwA4 width:600 height:450]

    [video:http://youtu.be/NPOFMPf4yQY width:600 height:450]

    [video:http://youtu.be/-8wtKS3aDYM width:600 height:450]

    [video:http://youtu.be/1rawYjyxgeY width:600 height:450]

    [video:http://youtu.be/XiSZjb_Mt90 width:600 height:450]

  3. As canções de ambos foram

    As canções de ambos foram feitas e gravadas na mesma época, então “A palo seco” não foi feita em resposta a “Eu também vou reclamar”, pois não haveria tempo pra isso. Mas certamente elas dialogam, isso é certo, dado que Raul Seixas já havia aludido a outra canção de Belchior. Aliás, Raul volta e meia se referia criticamente às canções de alguns colegas, principalmente a seus conterrâneos tropicalistas, principalmente a Caetano Veloso, que aliás também tocou Raul, como Belchior…

    • Alucinação clássica da MPB

       

      Revivendo a alucinação de Belchior

      EDUARDO RODRIGUES | 10.03.14

      “Clássico” e “gênio” são duas palavras bem banalizadas nos tempos de hoje. Mas nesse caso se encaixam  perfeitamente: Belchior é um gênio e “Alucinação” um dos maiores clássicos da música brasileira. Pois o disco de 1976 vai ganhar um tributo da nova geração da música brasileira, nos moldes do que já foi feito com Los Hermanos e Raça Negra, em 2012.

      Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes

      O álbum será lançado na segunda quinzena de março, no Scream & Yell. A data é assim imprecisa, pois o lançamento mesmo acontece quando “todo mundo entregar” o material. 

      O produtor Jorge Wagner, também responsável pelo “Jeito Felindie”, está por trás do projeto, batizado de “Ainda somos os mesmos”. Ele explica que a ideia era fazer um tributo a Belchior, mas achou que seria “injusto ficar pinçando coisas aleatórias da discografia toda”, então escolheu o disco mais representativo. Jorge promete, no entanto, um faixas-extras com sucessos de outros discos do cantor.

      Manoel Magalhães (do Harmada) fez a mixagem e assina a versão de “Velha roupa colorida”. Marcelo Perdido, ex-Hidrocor, é outro remascente da trupe de “Jeito Felindie”, com uma interpretação do quase jingle “Antes do fim”. Sem Letícia, Lucas Vasconcellos canta “Como o diabo gosta” e Nevilton aparece em “Sujeito de sorte”.

      Mas a missão mais dura fica com Phillip Long. O cantor folk de Araras ficou com a responsabilidade de regravar “Como nossos pais”, provavelmente a música mais conhecida do disco, que além da versão original ainda tem uma interpretação definitiva na voz de Elis Regina. 

      — Confesso que não pensei muito na Elis. Ela é sagrada, mas eu estava mais preocupado com o fato de estar interpretando uma canção de um sujeito que me salvou de tanta coisa na vida, de um cara que eu queria encontrar por aí e dizer que continuo amando e mudando as coisas por conta de tudo aquilo que eu ouvi ele dizer. Sabe, isso pra mim foi o grande lance de trabalhar nessa versão. O disco todo se tornou parte de mim, se enraizou tanto que eu me transformei. Então, meu lance era estar a altura do que esse disco e essa canção significaram e significam para minha vida. Eu tinha que ser o mais honesto possível com aquilo que mudou meus rumos. — diz Phillip,

      O cantor paulista afirma que “Alucinação” é um dos discos de sua vida e confesa uma “profunda relação com a obra de Belchior”.

      — O “Alucinação” é uma doutrina para mim. Um disco que me ensina muito, o tempo inteiro, sobre a vida mesmo. É uma dessas doações grandiosas que um homem que sente as coisas pode fazer por outros tantos corações. Tudo tem um significado profundo, tudo é muito violentamente honesto e brutal.

      ALUCINAÇÃO foi gravado em 1976

      Confira abaixo o a lista de canções do disco:

      Dario Julio & Os Cabotinos – “Apenas Um Rapaz Latino Americano”
      Manoel Magalhães – “Velha Roupa Colorida”
      Phillip Long – “Como Nossos Pais”
      Nevilton – “Sujeito de Sorte”
      Lucas Vasconcellos – “Como o Diabo Gosta”
      Bruno Souto – “Alucinação”
      Lemoskine – “Não Leve Flores”
      Fábrica – “A Palo Seco”
      Transmissor – “Fotografia 3×4”
      Marcelo Perdido – “Antes do Fim”

      http://oglobo.globo.com/blogs/amplificador/posts/2014/03/10/revivendo-alucinacao-de-belchior-525128.asp

      HÁ DEZ MIL ANOS ATRÁS foi lançado em 1976

  4. Desespero é moda em 73

    A primeira versão da música  “A Palo Seco” está gravada no LP Mote e Glosa, lançado em 1974 pela gravadora Continental, que não teve grande sucesso – embora traga alguns dos clássicos do compositor: além da citada “A Palo Seco” também estão nesse LP “Todo sujo de batom” e “Hora do almoço”. 

    Nessa versão inicial da música o refrão diz “Que esse desespero é moda em 73”. A letra é cantada uma única vez e a canção encerra com um longo solo instrumental.
    http://youtu.be/BZ0HXf8atd8

    Em 1976, Elis Regina lança o LP Falso Brilhante e duas músicas de Belchior estouram nas paradas: “Como nossos pais” e “Velha roupa colorida”. A gravadora Polygram aproveita a onda e lança um novo LP de Belchior, Alucinação, com os dois sucessos gravados por Elis, e inclui também uma regravação de “A Palo Seco”.

    O refrão foi atualizado para “Que esse desespero é moda em 76”. Com novo arranjo, a segunda parte da letra é cantada duas vezes e desaparece o final instrumental.
    http://youtu.be/SEsWJJAZ8pY

    Também está em Alucinação a música “Apenas um rapaz latino americano”, que fez bastante sucesso em 1976/77. Ela é citada por Raul em “Eu também vou reclamar”. Portanto, “A Palo Seco”, por ser muito anterior, não pode ser uma resposta a “Eu também vou reclamar”.

    Curiosidade 1: salvo engano, o LP de maior vendagem de Belchior foi Era uma Vez um Homem e Seu Tempo, lancado pela Warner em 1979, como o sucesso “Medo de Avião”, em parceria com Gilberto Gil.

    Curiosidade 2: Belchior completou os “25 anos” citados na música em outubro de 1971.

    • no estrondoso sucesso de

      no estrondoso sucesso de “apenas um rapaz latino americano” (do belo disco de 1976) Belchior diz:

      Por favor, não saque a arma no “saloon”, eu sou apenas o cantor

      ouvindo a faixa da música “eu também vou reclamar” (também de 1976) observa-se a ênfase dada ao artigo “o” na frase: “E nem sou apenas ‘o’ cantor”

      Desse modo, creio que Raulzito está apenas marcando presença e dizendo “porque EU fui o PRIMEIRO e já passou tanto janeiro…”

      acho que o Raul levou um choque com o sucesso do Belchior e tentou dizer: tô aqui gente!

      foi o primeiro rockeiro, ok! parabéns!  mas Raul foi muito mais…. Raul misturou baião com Rock (se bem que Chico Buarque fez a belissima “Baioque”!!) fez coisas belissimas!!! “metrô linha 743”, “é fim de mês” e as clássicas que todos conhecem.

  5. Prefiro Belchior a Raul Seixas, mas gosto de “MDC da minha vida”

     

    JNS,

    Hoje, domingo, 07/09/2014 às 12:33, eu enviei um comentário para Nicolas Crabbé junto ao post “A repaginação e um retrospecto de Dilma, por Nicolas Crabbé” de quinta-feira, 04/09/2014 às 12:56, aqui no blog de Luis Nassif em que falo de Raul Seixas e Belchior. O endereço do post “A repaginação e um retrospecto de Dilma, por Nicolas Crabbé” é:

    http://jornalggn.com.br/noticia/a-repaginacao-e-um-retrospecto-de-dilma-por-nicolas-crabbe

    O post “A repaginação e um retrospecto de Dilma, por Nicolas Crabbé” é originado de um comentário que Nicolas Crabbé fizera junto ao post “A repaginação de Dilma Rousseff” de quinta-feira, 04/09/2014 às 06:00, aqui no blog de Luis Nassif e de autoria dele e que pode ser visto no seguinte endereço:

    http://jornalggn.com.br/noticia/a-repaginacao-de-dilma-rousseff

    O comentário de Nicolas Crabbé que se encontrava na terceira página do post “A repaginação de Dilma Rousseff” e que em virtude de outros comentários que fiz deve ir para a quarta página junto com três outros comentários que o acompanham e que foi transformado no post “A repaginação e um retrospecto de Dilma, por Nicolas Crabbé”  tocava na questão de mudança e por isso eu lembrei de Raul Seixas e de Belchior. A parte em que eu lembrei de Raul Seixas é a que se segue:

    “De certo modo, o retrospecto de todo mundo não é muito favorável à mudança, a não ser que não se tenha opinião. É aquela história: antigamente as pessoas cantavam “Opinião” e hoje cantam “Metamorfose Ambulante”. A letra de “Metamorfose Ambulante” é de Paulo Coelho o que não é em meu entendimento muito recomendável para escolher o partido da mudança”.

    E continuando no mesmo parágrafo eu não cheguei a mencionar Belchior, mas transcrevi frase da canção dele “Apenas um rapaz latino-americano” como se pode ver a seguir:

    “A maioria dos seres humanos precisa de terra firme e se apega aos valores que conhece e que lhe deu o que tem hoje. Então a resistência a mudança é natural no ser humano. Por outro lado, “tudo muda e com toda razão” e o ser humano até por conformismo se adapta às mudanças”.

    No original eu não havia colocado em negrito o título das canções nem colocado entre aspas a frase “tudo muda e com toda razão” da canção de Belchior “Apenas um rapaz latino-americano”. A intenção era apenas mostrar que a mudança, embora o ser humano até lute contra ela, lhe é inevitável. E assim não via muita substância em dizer que Dilma Rousseff não é favorável a mudança.

    E lembro que a canção “A Palo Seco” de Belchior é uma por assim dizer repaginação de “Let’s Play That” (Anjo Barroco) de Torquato Netto que é uma repaginação de “Poema de sete faces” de Carlos Drummond de Andrade que é uma repaginação de “L’Albatros” de Charles Baudelaire.

    E embora a discussão sobre a mudança não faça muito sentido aqui, creio que os que combatem a Dilma Rousseff por não ser favorável a mudança apenas gostariam que ela adotasse uma política mais próxima daquela que esses que a combatem defendem. Talvez valesse também dizer que quem diz que Dilma Rousseff não muda também não muda.

    Clever Mendes de Oliveira

    BH, 07/09/2014

    • foi ao fundo do mar

      “Lembro que a canção “A Palo Seco” de Belchior é uma por assim dizer repaginação de “Let’s Play That” (Anjo Barroco) de Torquato Netto que é uma repaginação de “Poema de sete faces” de Carlos Drummond de Andrade que é uma repaginação de “L’Albatros” de Charles Baudelaire.”

      Wandering albatross

      • Tem um pouco, tem muito e tem tudo a ver

         

        JNS (Segunda-feira, 08/09/2014 15:25),

        Valeu o retorno.

        Todos os quatro são belos poemas que tratam do desafino em desafio cortante e deslocado do poeta.

        Clever Mendes de Oliveira

        BH, 08/09/2014

  6. É uma falsa polêmica

    Como fã desses dois gênios, preciso dizer que essa polêmica é falsa. Raul, quando retornou do seu exílio, compôs “Eu também vou reclamar”, que entrou no álbum de 76, “Há dez mil anos atrás”. A música era uma ironia com a rebeldia tardia de certos segmentos da música, que, então estavam em evidência. Não era nem uma crítica direta (exceto no caso de Sílvio Brito, que já vinha explorando a fama de Raul para se promover com um discurso auto-ajuda fake), mas um tipo de balanço bem humorado sobre o que estava em voga, num tempo em que a censura começava a “afrouxar” (em relação ao final dos ’60 e início dos ’70), quando Raul e Chico Buarque eram os campeões de músicas censuradas. Entre as diversas referências, havia, obviamente, uma referência a Belchior, cuja música “Apenas um Rapaz Latino-americano” tinha estourado pouco antes.
     

    “A Palo Seco” não é um resposta, pois já havia sido escrita bem antes (provavelmente em 71, quando Belchior completou seus 25 anos). A primeira versão foi lançada em ’74, quando Raul estava sendo expulso do país. Se analisarmos com um pouco mais de cuidado, podemos ver que a mensagem da música é muito próxima à mensagem de “eu tambpem vou reclamar”, ou seja, uma crítica ao lamento despolitizado dos sonhadores. 

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