5 de junho de 2026

Le Boeuf sur le Toit, a música brasileira de Milhaud

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Esses franceses são, de fato, très sympathiqhes. Enquanto cobram de nós royalties pelo Cristo Redentor, deixam em branco o maior plágio da nossa música, promovido por um diplomata-compositor, o Darius Milhaud.

Durante a sua estadia no Rio, já no final da Primeira Guerra, esse simpatico amigo de ideias musicais alheias foi colhendo farto material dos nossos então melhores compositores, para construir seus maiores sucessos de público, quando voltasse à sua terra natal.

Dessa colheita surgiu, entre outras pecas, o balé surrealista, em parceria com Cocteau, chamado Boi sobre o Telhado (Le Boeuf sur le Toit).

Segundo análises de musicólogos nossos, Manoel Aranha Correa do Lago e Baptista Siqueira, seguintes plágios são reconhecíveis  (verhttp://daniellathompson.com/Texts/Le_Boeuf/boeuf_table.htm http://daniellathompson.com/Texts/Le_Boeuf/boeuf.pt.29a.htm):

1 – Marcelo Tupinambá

Sao Paulo Futuro (maxixe curtido; 1914)
Viola Cantadeira (tanguinho/canção sertaneja; 1917) 
O Matuto (caterete/canção cearense; 1918 )
Tristeza de Caboclo (tanguinho; 1919)
Maricota, Sai da Chuva (tanguinho; 1917)
Que Sodade! (cena sertaneja; 1918)
Sou Batuta (tanguinho; 1919)

2 – José Monteiro (Zé Boiadeiro)

O Boi no Telhado (tango; 1918)

3 – Ernesto Nazareth

Ferramenta (tango; 1905)
Carioca (tango; 1913)
Escovado  (tango; 1905)
Apanhei-te, Cavaquinho (polka; 1915)

4 – Soriano Robert

Olh’Abacaxi! (samba; 1918)
Seu Amaro Quer (tango carnavalesco; 1918)

5 – Chiquinha Gonzaga

Gaúcho-A (corta-jaca; 1895)

6 – Alvaro Sandim

Flor do Abacate (polka; 1915)

7 – Catulo da Paixão Cearense

Caboca di Caxangá (cancao; 1913)

8 – Juca Castro

Vamo Maruca, Vamo (samba; 1918)

9 – Alexandre Levy

Tango Brasileiro (1890)

10 – Carlos Pagliuchi

Sertanejo (tango/batuque-danca brasileira; 1919)

11 – Eduardo Souto

Para Todos (samba carnavalesco; 1919)

12 – Alberto Nepomuceno

Galhofeira (No. 4 de Quatro pecas liricas, op. 13; 1894)

De qualquer forma, o balé foi sucesso absoluto, dada a qualidade não só musical de boa fonte, mas também da encenação criada pelo genial Cocteau.

E deixando o rancor de lado, podemos apreciar uma performance interessante tocada pela Radiosinfonieorchester Berlin.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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