4 de junho de 2026

Recordando Sylvinha Araújo

 

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“Risque”, clássico de Ary Barroso, ganhou em 1971 essa versão pop de Sylvinha Araújo, época em que a artista ainda assinava como Silvinha. A música foi originalmente gravada em 1952 por Aurora Miranda (irmã de Carmen Miranda), mas é na voz de Linda Baptista que esse samba-canção obteve estrondoso sucesso. Foi nesse mesmo ano que Ary – autor de Aquarela do Brasil – compôs “Folha Morta”, gravada por Dalva de Oliveira em Londres (para a Odeon) e lançada no Brasil com muito sucesso. Vale lembrar que o compositor, nascido na cidade mineira de Ubá em 1903, morreu na noite de 9 de fevereiro de 1964, um domingo de Carnaval, no momento em que a escola de samba Império Serrano entrava na avenida com o enredo “Aquarela do Brasil”. Em homenagem ao compositor, fez-se um minuto de silêncio.

A gravação de Sylvinha está presente em seu terceiro LP, o mesmo em que gravou Paraíba, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, criticado por alguns puritanos de plantão e elogiado por profissionais do disco, como Nelson Motta, que a comparou com Janis Joplin após ouvir a gravação. A cantora, falecida em 25 de junho de 2008, foi uma das principais artistas do movimento Jovem Guarda, ao lado de Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Wanderléa, Martinha, Ronnie Von, Renato e seus Blue Caps, Golden Boys, Os Incríveis e outros, como o próprio marido, Eduardo Araújo, um dos pioneiros do rock brasileiro.

Iniciou a carreira ainda adolescente, aos 15 anos, quando gravou o seu primeiro disco, o compacto simples pela Odeon com as músicas “Vou botar pra quebrar” e “Feitiço de broto”, ambas de Carlos Imperial. Foi, porém, com “Minha primeira desilusão” lançada em 1968 que a cantora atingiu as primeiras colocações nas paradas de sucesso, permanecendo entre as mais vendidas por aproximadamente dois anos.

Sylvinha nasceu em Mariana (MG) e tinha dois filhos, Eduardo e Mônica. Além do sucesso como cantora, a artista também obteve êxito como intérprete de jingles a partir de 1978, contabilizando mais de 2 mil gravações ao longo de 20 anos. Foi certamente a voz mais ouvida no Brasil em campanhas para McDonald’s, Coca-Cola, Unibanco, Varig, entre milhares de outras.

Chegou, nesse período, a participar do conjunto vocal “4 x 4″, grupo criado por Edgard Gianullo, que contava ainda com Ângela Márcia e Faud Salomão, todos cantores de jingles. Além dos clássicos da música brasileira e internacional, o quarteto gravou incontáveis jingles, para campanhas como Credicard, Fermento Royal, Gelatina Royal, dentre vários outros. Em parceria com o marido, abriu a gravadora “Number One” e lançou mais dois CDs Kinema e “Suave é a Noite”, em que comemora 35 anos de carreira, com participações especiais de Moacyr Franco, Dominguinhos, Claudya, Daniel e Zezé Di Camargo e Luciano. “Quis esse disco porque nunca perdi a esperança de voltar para os palcos e gravar uma coisa minha. Agora sou dona do meu produto, faço o que quero e estou feliz”, disse Sylvinha na época, após deixar de lado a carreira no mercado publicitário.

Desde 1994, a artista vinha lutando contra um câncer de mama e, mesmo enferma, continuava cantando. Antes de ser internada, no dia 04 de junho de 2008, Sylvinha estava envolvida na divulgação do DVD e do CD, gravados com o marido, em que celebra os 40 anos da Jovem Guarda.

Confirma a letra de Risque:

Risque meu nome do seu caderno
Pois não suporto o inferno
Do nosso amor fracassado
Deixe que eu siga novos caminhos
Em busca de outros carinhos
Matemos nosso passado
Mas se algum dia, talvez
A saudade apertar
Não se perturbe
Afogue a saudade
Nos copos de um bar
Creia
Toda quimera se esfuma
Como a beleza da espuma
Que se desmancha na areia

http://tube.aeiou.pt/sylvinha-araujo-risque-ary-barroso/

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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