O castigo do bilontra

Resgate de Luciano Hortencio

Fui bilontra, decidido,

Por pagodes, fui perdido.

Nunca houve um folgazão

Mais amante do violão.

Já passei noites inteiras

No furor das bebedeiras.

Muitas vezes pelo dia

Prolongava-se a folia.

 

Mas por fim hoje casado

Quis-me à força comportado.

Eu que andava tão contente

Fui prender-me na corrente.

Deus ficando mal comigo

Quis me dar este castigo.

Moço belo, folgazão,

Não suporto calcanhão.

 

Quando fala, cospe a gente.

Quando ri fica indecente.

Velha horrível, descarada.

Fecha a boca, desdentada.

Seu nariz parece um paio.

Fala mais que um papagaio.

Sua boca é uma gamela,

Oh meu Deus, me livre dela.

 

Hoje em fim choro sozinho

Quando escuto a voz de um pinho.

Choro o baile e a pagodeira

Mas foi tudo a minha asneira.

Muito bem faria ela,

Se esticasse hoje a canela

E dormisse o sono eterno,

Nas caldeiras do inferno.

 

Fui bilontra, decidido.

Por pagodes, fui perdido.

Nunca houve um folgazão

Mais amante do violão.

Já passei noites inteiras

No furor da bebedeira

Muitas vezes pelo dia

Prolongava-se a folia.

Francisco Alves – ESTÁS COM O DINHEIRO AI – Julinho Braga (Bandurra).

Disco Parlophon 13.072-A.

Dezembro de 1929.

Disco constante do Arquivo Nirez.

Coisas que o tempo levou.

 

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