Enviado por Mara L. Baraúna

Raul Machado de Barros (25 de novembro de 1915 – 8 de junho de 2009)
Raul de Barros iniciou seus estudos com Ivo Coutinho em 1930, tendo aula de sax-horn (um tipo de bombardino contralto) e em seguida descobriu o trombone de vara, passando a estudar com Eugênio Zanata.
Em 1935, começou a carreira de músico tocando em gafieiras de bairros e subúrbios do Rio de Janeiro. Seu trombone tocou alto na gafieira, a ponto de se tornar um instrumento fundamental em qualquer casa de baile do gênero. Gafieira sem trombone, não era mais gafieira. Mais tarde trabalhou nos Dancings Carioca e Eldorado, onde conheceu o maestro Carioca, que o levou para a Rádio Tupi. Nos anos 40 passa a ser solicitado a acompanhar os mais famosos nomes do rádio em gravações e excursões.
Formou sua orquestra para a Rádio Globo, participando do programa Trem da Alegria. Além da Orquestra Raul de Barros, tendo como crooner Gilda de Barros, liderou também a Raul de Barros and the Brazilian Serenaders.

Em 1949, compõe o famoso choro Na Glória, que se tornou seu prefixo musical. Antigamente, qualquer cantor ao afinar sua voz com a orquestra ou com o conjunto, primeiramente entoava o bordão: na gló-ria, a que os músicos ecoavam: sol-dó-DO. Até hoje, muitos se valem desse recurso para poderem pegar o tom.
https://www.youtube.com/watch?v=fSa0q4ODuXU]
Nos anos 50, foi para a Rádio Nacional, onde chegou a apresentar um programa semanal, além de participar de outros na mesma rádio. Integrou, no Copacabana Palace, uma orquestra pioneira formada apenas por negros, dirigida pelo maestro Carioca, que era admirador confesso da sua maneira de tocar.
Em 1952, gravou em solo de trombone seu choro Pororó…pororó, outro grande sucesso de sua carreira, e com sua orquestra o choro Gilda, feito em homenagem à sua mulher, Gilda de Barros.
https://www.youtube.com/watch?v=sTgI4Hvr0C4]
Em 1954, Raul grava um compacto com a versão de uma música que muitos consideram como o 1º rock brasileiro: Neurastênico.
Foi num concurso promovido pelo crítico Ary Vasconcelos na revista O Cruzeiro que Raul foi eleito o melhor trombonista de 1955. Raul foi um dos mais tradicionais trombonistas de gafieira. Trabalhou nas rádios Tupi, Nacional e Globo, foi da orquestra do Copacabana Palace, sob regência do Maestro Carioca, tocou na orquestra RCA Victor com Pixinguinha, teve sua própria orquestra e com músicos renomados, como Ary Barroso, Pixinguinha e Radamés Gnattali.
Em 1955, lança Raul de Barros – Com seu trombone romântico; Em 1958, Raul de Barros: ginga de gafieira.
Convidado pelo então presidente Juscelino Kubitschek, tocou na inauguração da cidade de Brasília, em 1960.
Inventou um estilo chamado hot samba e foi referência para inúmeros trombonistas brasileiros, inclusive Raul de Souza, que tomou-lhe emprestado o nome artístico (seu verdadeiro nome é João).
Foi um dos músicos em destaque no LP gravado em 1964 por Sérgio Mendes, Sérgio Mendes e Brasil 66. Excursionou pela América do Sul acompanhando outros artistas e, em 1966, fez parte da delegação brasileira no I Festival de Arte Negra de Dacar, Senegal, ao lado de Clementina de Jesus, Ataulfo Alves, Paulinho da Viola e Elton Medeiros, onde tocou com Louis Armstrong.
O quarto volume da série Brasil Chorinho, lançada pela Discos Marcus Pereira lançou foi Brasil Trombone com Raul de Barros com participação especial de Abel Ferreira na clarineta.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=kCkuoEh8wBI
Raul foi também membro da Orquestra de Jazz do Rio a partir de 1973, acompanhando Altamiro Carrilho, Márcio Motarroyos, Alcione, João Donato, Marcos Valle, Elza Soares, Idriss Boudria, Paulo Moura, Mauro Senise, Raul Mascarenhas, Paulinho Trompete e Maurício Einhorn.
Gravou 48 discos, a maioria na década de 60. Nos anos 70 e 80 trabalhou em redes de TV e jingles comerciais.
Em 1994, fez show na casa de espetáculos Sassaricando na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Nos anos 2000, continuou recluso em Maricá, saindo eventualmente para se apresentar em bares e pequenos shows. Em 2004, voltou a se apresentar ao lado do gaitista e arranjador Rildo Hora na casa de espetáculos Carioca da Gema, na Lapa.
Em 2006, homenageado no programa Palco Iluminado, na Rádio Nacional, mostrou que o tempo não mudou em nada o seu fôlego e muito menos o talento. O maestrol, ao mesmo tempo em que tocava o trombone, não deixou de orientar os seus músicos. Emocionou a todos. Ele ainda contou aos presentes porque a sua energia é tanta. Ela vem de berço: o artista é filho de pai índio e mãe escrava.
Nos últimos anos Raul ficou isolado e esquecido em Maricá, com dificuldade para sobreviver. Sinto falta da união com meu grupo. Todos moram no Rio. Fico aqui fazendo arranjos a maior parte do tempo. É o que eu gosto. Fiz isso milhares de vezes para outras pessoas, de graça. Lembra aquela música para a Seleção Brasileira? É minha. Fiz a melodia e o Miguel Gustavo, a letra. Só que ninguém registrou no meu nome. Fiz por fazer, num estúdio no Bairro Peixoto. Ele estava sem voz e ficou assobiando. Compus a introdução, ele fez um sinal de positivo, pois se encaixou perfeitamente, e seguimos em frente – conta Raul, referindo-se à canção do popular refrão ”todos juntos vamos, pra frente Brasil, salve a Seleção!.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=prMI6K9BOp4
Em 2009, Raul foi o homenageado do Carnaval de Maricá, aos 93 anos. Em 29 de maio, o músico foi internado no Hospital Municipal Conde Modesto Leal, em Maricá, na Região dos Lagos. Em 3 de junho, foi transferido para o Hospital Desembargador Leal Junior, em Itaboraí, RJ, onde morreu em decorrência de uma insuficiência renal e de um enfisema pulmonar, em 8 de junho, aos 93 anos. O enterro aconteceu no cemitério do município de Maricá, onde o músico morava.
Foi casado com a cantora Gilda de Barros, que era crooner de sua orquestra, com quem teve Raul de Barros Jr, Raul. Deixou cinco filhos e a companheira, Romilda Dias Pereira, de 63 anos, com quem vivia desde 1978.

Nas palavras de Elton Medeiros: Extrovertido e brincalhão, Raul dá vazão a esse temperamento através do trombone, pois sempre foi um grande improvisador, esbanjando frases musicais surpreendentemente alegre. Até mesmo em suas composições essa alegria se faz presente, como, por exemplo, nos choros Na Glória e Pororó-Pororó.
Rildo Hora assim se refere a ele: O maestro e trombonista Raul de Barros, que morreu anteontem em Itaboraí aos 93 anos, é uma grande perda, para mim e para a música popular brasileira. Era uma grande referência do trombone no Brasil. Com Raul, praticamente nasce o estilo do trombonista de gafieira. Todos que tocam nesse estilo se referem a ele, ao sopro meio rasgado que ele criou. (…) Sua influência é bastante larga. Com sua morte vai-se embora uma grande escola. Diria que desaparece uma biblioteca com vários volumes.

Fontes:
Raul de Barros no Dicionário Cravo Albin
Raul de Barros luta contra o ostracismo
Gravações raras: Raul de Barros
Jair Fonseca
25 de novembro de 2015 3:53 pmMúsico genial, Raul
Músico genial, Raul do Trombone. Instrumentista visrtuose e compositor inspirado. Entre muitas outras de suas músicas, chamo a atenção para “Bronzes e cristais”, que não está sozinha no youtube. Segue nesse álbum excelente da Marcus Pereira, aos 17 minutos. Mas vale ouvir todo. Inclusive “Dora”, de Caymmi. A turma que o acompanha:
Bateria – Wilson das Neves
Cavaquinho – Canhoto (Waldyro Frederico Tramontano)
Clarinete – Abel Ferreira
Ritmo – Armando Vieira Marçal, Doutor, Elizeu Felix, Luna
Violão – Meira (Jaime Tomás Florence)
Violão 7 Cordas – Dino (Horondino José da Silva)
[video:https://www.youtube.com/watch?v=kCkuoEh8wBI%5D
JMauricio
25 de novembro de 2015 6:32 pmO inconfundivel trombone do
O inconfundivel trombone do seu Raul, como o chamavam meus vizinhos, sempre foi um mistério pra mim. Não sei até hoje, o porque daquele som mexer com os neurônios da alegria das pessoas. Era o sinal pra esquecer as tristezas e partir pra farra. Seu Raul certamente,deve estar fazendo suas estrepolias pra alegrar o Criador. Espero que nunca se deixe esquecer esse gênio brasileiro.
Valeu Mara.
GalileoGalilei
26 de novembro de 2015 1:23 amMais uma biografia completíssima
De biografia em biografia vamos aumentando nossos conhecimentos.
Mara Baraúna acerta mais uma vez.
Rafael José de Menezes Bastos
5 de agosto de 2024 7:12 pmRaul de Barros foi militar?
Rafael José de Menezes Bastos
12 de agosto de 2024 6:40 pmexcelente texto