25 de junho de 2026

O lugar de Arlindo Cruz, por Carlos Motta

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O lugar de Arlindo Cruz, por Carlos Motta

Um show no Credicard Hall, em São Paulo, reunindo uma turma boa de samba, presta hoje (14 de setembro) uma homenagem ao aniversário de 60 anos daquele que, pela sua extensa e consistente obra, talvez seja o maior compositor popular brasileiro vivo – Arlindo Cruz.

Se essa homenagem é mais que merecida e motivo de alegria, o fato de o artista estar acamado há um ano e meio, vítima de um forte AVC, e portanto impossibilitado de cantar, tocar cavaquinho e banjo e compor, funções que exercia com a maestria dos seres tocados pela genialidade, nos dá o que pensar.

Primeiro, o ocorrido nos deixa certos do quanto somos frágeis e sujeitos toda espécie de acidentes. Viver é muito perigoso, já dizia Guimarães Rosa pela boca de seu imortal personagem Riobaldo.

Fora isso, há que se lastimar a má sorte deste imenso e desgraçado país, de tão poucos sábios e tantos ignorantes, de tão escassos criadores e tantos imitadores, de tão raros artistas e tantas celebridades instantâneas.

Não era para Arlindo Cruz estar fora do bom combate.

 Uma batalha tão feroz como essa entre o belo, o perene, o sentimento de que o homem é mais do que barro, e as excrescências que nos são impostas pelos magnatas mercadores de lixo intelectual, exige um general com a autoridade, competência e sensibilidade do artista que compôs, junto com Mauro Diniz, outro craque, uma música chamada “Meu Lugar”, um retrato mais que poético, realista, do verdadeiro Brasil.

O meu lugar

É caminho de Ogum e Iansã

Lá tem samba até de manhã

Uma ginga em cada andar

O meu lugar

É cercado de luta e suor

Esperança num mundo melhor

E cerveja pra comemorar

O meu lugar

Tem seus mitos e seres de luz

É bem perto de Osvaldo Cruz,

Cascadura, Vaz Lobo e Irajá

O meu lugar

É sorriso é paz e prazer

O seu nome é doce dizer

Madureir, lá laiá, Madureira, lá laiá

Ahh que lugar

A saudade me faz relembrar

Os amores que eu tive por lá

É difícil esquecer

Doce lugar

Que é eterno no meu coração

E aos poetas traz inspiração

Pra cantar e escrever

Ai meu lugar

Quem não viu Tia Eulália dançar

Vó Maria o terreiro benzer

E ainda tem jongo à luz do luar

Ai que lugar

Tem mil coisas pra gente dizer

O difícil é saber terminar

Madureira, lá laiá, Madureira, lá laiá, Madureira

Em cada esquina um pagode num bar

Em Madureira

Império e Portela também são de lá

Em Madureira

E no Mercadão você pode comprar

Por uma pechincha você vai levar

Um dengo, um sonho pra quem quer sonhar

Em Madureira

E quem se habilita até pode chegar

Tem jogo de lona, caipira e bilhar

Buraco, sueca pro tempo passar

Em Madureira

E uma fezinha até posso fazer

No grupo dezena, centena e milhar

Pelos sete lados eu vou te cercar

Em Madureira

E lalalaiala laia la la ia

Em Madureira

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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6 Comentários
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  1. Júlio Pereira

    14 de setembro de 2018 8:35 pm

    Arlindo Cruz
    Arlindo é ótimo, mas Chico é o melhor…

    1. Gilson AS

      15 de setembro de 2018 12:18 am

      São gênero e estilos
      São gênero e estilos diferente.
      Não tem como comparar.
      Até o público alvo é diferente.
      Cada um no seu quadrado.

    2. Antonio Victor

      15 de setembro de 2018 5:49 am

      Concordo e protesto pelo absurdo
      Com todo respeito ao Arlindo Cruz, gostaria de lembrar que ainda estão vivos Chico Buarque de Holanda e Paulinho da Viola. Será que alguém vai querer provar que estes não são compositores populares ? Só se for louco.
      Chico e Paulinho são patrimônios nacionais que merecem reconhecimento. Se não fizermos isto nestes tempos de barbárie, estaremos colaborando com a perda de nossas referências culturais.

  2. B.V.D.

    15 de setembro de 2018 12:24 am

    Pois é

    Sou fá dessa, do O show tem que continuar e do tema da Vila Isabel campeã. Por essas três, o defendo das críticas contra ele.

  3. Teo Santos

    16 de setembro de 2018 12:49 am

    Maior compositor popular

    Maior compositor popular vivo?
    Menos né!

  4. Teo Santos

    16 de setembro de 2018 12:49 am

    Maior compositor popular

    Maior compositor popular vivo?
    Menos né!

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