Consagrada como a rainha do partido alto, Clementina de Jesus é lembrada por sua voz potente e inconfundível, somada a um repertório responsável por valorizar a herança africana na música brasileira, resgatando sambas de roda, cantigas de terreiro e outras manifestações culturais.
Nascida em Valença, no Rio de Janeiro, em 1901, Clementina viveu em contato direto com a cultura popular. Sua música era um hino à ancestralidade, carregada de emoção e força, que influenciou diversas gerações de sambistas e contribuiu para a renovação do samba nos anos 1970.
Após trabalhar como empregada doméstica por mais de 20 anos, Clementina despontou como cantora somente aos 61 anos de idade e só dois anos depois foi descoberta pelo grande público, quando participou do espetáculo “Rosa de Ouro“.
Seu primeiro disco solo foi gravado em 1966, com a participação de vários músicos em dez faixas que evidenciam o seu repertório diversificado, que vai do jongo “Cangoma me chamou” ao partido-alto na faixa “Barracão é seu”, em dueto com João da Gente.
Nesta última música, exibe um de seus dons: são 16 improvisações nos quase sete minutos de canção. Tamanha é sua habilidade nessa arte que o sambista Carlos Cachaça afirma que Clementina não é “cantora, mas cantadeira de jongo, de partido-alto, de batucada”.
A partir disso, diversos álbuns foram lançados e a cantora representou o Brasil em festivais pelo mundo, além de participar de filmes. Clementina de Jesus faleceu em 19 de julho de 1987.
Vista como uma das referências mais importantes para os amantes da música no Brasil, a cantora já foi homenageada por diversos artistas, como Clara Nunes e Elton Medeiros, que compuseram sambas em sua homenagem.
Escute a obre de Clementina de Jesus:
Com informações da Enciclopédia Itaú Cultural e do Gemini IA.
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+almeida
18 de setembro de 2024 12:48 amO seu nome talvez seja uma das maiores coincidências, que liga o ser humano, Clementina de Jesus, a sua ancestralidade existencial, cultural e espirutual.
Ele carrega a bandeira da clemência, da indulgência e do sentimento do perdão.
E o sobrenome “de Jesus” é o complemento indicador iluminado, por ser Jesus o próprio perdão em espírito, em pessoa e em filho da ancestralidade divina.
A trilha sonora dessa existência espetacular de Clementina de Jesus, não merecia outra, que não fosse a cadência nobre do samba e toda a nobreza ancestral abençoada, que representa para a história e para a riqueza do seu legado.