Um disco lindo de Chico Adnet, por Aquiles Rique Reis

Triste conta com a participação de duas orquestras de cordas – uma no Rio, formada por 22 músicos, e outra em Tallin, Estônia, com 24

Um disco lindo de Chico Adnet

por Aquiles Rique Reis

Há algumas semanas, venho curtindo Triste, o novo álbum independente do pianista, compositor e arranjador Chico Adnet. Gente, sinceramente? Música e sons bons na veia! Neste quarto trabalho, ele gravou onze músicas, sendo dez composições suas (nove inéditas) e uma do compositor russo Alexander Scriabin, “Feuillet D’album, op. 45 no. 1”.

            Não há surpresa alguma ali! E não há, simplesmente, porque o labor do Chico é coisa de gente grande: composições de um cara que sempre primou por qualidade e bom gosto.

            E aí é que se começa a ver o que importa na vida desse músico carioca e o que sempre o caracterizou, o esmero com que cuidou de cada momento de sua carreira: Triste conta com a participação de duas orquestras de cordas – uma no Rio, formada por 22 músicos, e outra em Tallin, Estônia, com 24 instrumentistas. O cara é f..a!

            Sugiro: tornem-se ouvintes de Triste (nas plataformas de música e no formato LP). Seus ouvidos ficarão eternamente gratos pelo presente que vocês lhes darão. Para começar o papo, deliciem-se com “Overture”,* tema que abre a tampa. Gente, que delicadeza é essa que cria algo tão bonito? Talento, ora!

            Está no release que Chico convidou os irmãos Mário, Maúcha e Muiza para participarem de algumas músicas do álbum, como “Doce companheira” e “Fria madrugada”, as quais têm letras do compositor (e tio) Luiz Fernando Gonçalves.  “A primeira é sobre a perda de um ente querido e a estranheza de ver que o mundo continua girando, indiferente à sua dor.” Já a segunda, segue Adnet, “foi uma das primeiras coisas mais sérias que eu fiz, mas que ficou adormecida na gaveta”.

            Já em “Companheiro de Viagem”,** Chico homenageia seu filho Marcelo Adnet (o ótimo comediante), feita, segundo Adnet, “quando o Marcelo tinha uns 3 anos e a gente andava na rua de mãos dadas”. A outra ele dedicou ao seu casal de gêmeos de 8 anos: “Para os caçulas, a música surgiu, antes de eles nascerem, de uma brincadeira com a enteada, Luisa, de chamar a mãe de ‘Tatu’ – então ficou ‘Dois Tatuzinhos’”.

            A paixão que rola nas músicas citadas acima é de enternecer. E afirmo: só ouvindo para notar que a vida do músico, repleta de verdades, está ali exposta em carne viva. Assim, os arranjos e a cantoria de Chico Adnet são uma descarga de emoção musical elevada à quinta potência.

            E o que dizer do tema instrumental “Dorme”? Os sopros, tendo o clarone em destaque, nos preenchem de alegria por estarmos diante de um momento decididamente especial.

            “Feuillet D’album, op. 45 no. 1”, que fecha a tampa, é de arrasar, tamanha é a competência com que Adnet a interpreta: com encanto de um craque. Tudo pela experiência de fazer as cordas soarem, permitindo que jorrem amor pelos dedos.

            Fazia tempo que eu não me emocionava tanto com o conjunto de uma obra, como ocorreu ao ouvir Triste (o álbum, não eu), de Chico Adnet.

Aquiles Rique Reis, vocalista do MPB4

https://fb.watch/mChr6erkav/ *Companheiros de Viagem

https://music.youtube.com/watch?v=utHIXTkGw3E **Dois Tatuzinhos

Aquiles Rique Reis

Crítico de música.

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