Por MarcoPOA
Finalmente conseguiram fazer uma video decente dessa maravilha do Rick Wright que lembra um pouco a letra (realmente bem pessoal), mas que básicamente trata de mulheres e festas no verão de 68 (ano de revoluções)

Antes que falem alguma coisa: é a única coisa boa que lembro do Jornal Nacional!
Mario Mesquita
15 de agosto de 2015 9:54 pmEu tb lembro da música, que
Eu tb lembro da música, que chamava uma propaganda do Banco Nacional, não era isso?
Tô velho…
Ulisses s
15 de agosto de 2015 11:47 pmAtom Heart Mother
Ou simplesmente o disco da vaca. Praticamente início da fase de mudança do som psicodélico para o progressivo. Acho que Richerd Whrigt foi fundamental para esta mudança
Ulisses s
15 de agosto de 2015 11:56 pmAqui tá legendado
https://www.youtube.com/watch?v=8aJtOHdMZRs
Jair Fonseca
16 de agosto de 2015 12:06 amEm 1968, acabou o Pink Floyd
Em 1968, acabou o Pink Floyd de que mais gosto, com a saída de seu líder, Syd Barrett, devido a seus problemas mentais. Ele ainda fez algumas guitarras no segundo álgum da banda, A Saucerful Of Secrets, inclusive na primeira canção de autoria de Rick Wright gravada pela banda: “Remember a Day (before today/a day when you were young)”…
[video:https://www.youtube.com/watch?v=JGgnu4MWanc%5D
Ulisses s
16 de agosto de 2015 12:13 amAcho mais que atingiu a maioridade
Se continuasse naquela cacofonia psicodêlica nunca atingiria o patamar na musica mundial que chegou. Foi como o Rush que saiu do rock pesado para os sintetizadores em Signal. O mesmo não podemos dizer do Genesis que com a saída de Peter Gabriel e com o domínio progressivo do Phil Collins, perdeu sua aurea progressiva para musica comercial americana em Duck. É de lascar
Jair Fonseca
16 de agosto de 2015 12:43 amApesar de psicodélica, a
Apesar de psicodélica, a música de Syd Barrett era canção pop da melhor qualidade. As duas únicas faixas “cacofônicas” do primeiro álbum não são de Barrett. A “cacofonia” se acentuou depois de sua saída, com Ummagumma e outras coisas, lembra? Claro que ao vivo o Pink Floyd já era bem experimental, na primeira fase. Passou a ser também nos estúdios. Um exemplo, entre muitos, da qualidade pop de Barrett. Realmente, basta comparar com a baba pop de Phil Collins, pra sacar a diferença.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=p6HFknUsh9E%5D
johnnygo
16 de agosto de 2015 6:29 amNós e elas
O texto abaixo foi escrito em 2013, baseado na faixa “Us and them” do álbum The Dark Side of the Moon”. Procurei mostrar como esta música foi importante para o meu desabrochar (meigo, hein?).
Nós e Elas
Corriam os anos 70, mais precisamente o ano de 1973. Eu tinha 15 anos e cursava o chamado primeiro colegial. A turma da escola era bem unida, inventava-se de tudo para ficar junto. Aos sábados, rolavam os famosos bailes de garagem regados a cuba-libre. Naquela idade, nossos hormônios atingiam ponto de ebulição e dançar música lenta, com os corpos agarradinhos, costumava prometer muitas delícias. Praticamente todos éramos virgens e as espinhas no rosto já começavam a incomodar. Tempos vetustos, creio que essa história de liberação sexual não passou por mim. Até mesmo mais tarde, quando fui conhecer minhas primeiras namoradas, se a gente tentasse tocar os seios de uma garota, lance que somente acontecia depois de muita manobra aproximatória, a “vítima” parava imediatamente de respirar e enrijecia o corpo inteiro num misto de terror e rejeição, de tal forma que nos víamos obrigados a recuar da investida, sob pena de causar grave ofensa e estragar todos os planos de sedução. Foi assim comigo, fui meio tardio no assunto, quem quiser pode tirar sarro à vontade. Essas passagens carregadas de erotismo juvenil ficaram gravadas a fundo na memória, mas a verdade é que, até mais ou menos os dezoito, atividades prosaicas como futebol e estudos ocupavam quase todas as minhas atenções.
De volta aos bailinhos, as músicas que davam liga à dança eram baladas melosas de grupos como The Stylistics, baladas tão melosas como o aconchego de nossas cuecas e, quem sabe, das cobiçadas calcinhas alheias. Numa daquelas festas, eu devia ter comido menos sanduíche de pão pullman com patê de atum e, para desequilibrar, devia ter bebido mais cuba-libre com gelo e limão: como resultado, criei coragem e tirei uma menina pra dançar. Era uma menina negra, de porte imponente se comparado ao meu aspecto franzino, linda, segundo minhas reconstruções mnemônicas, também tímida. Acho que estava meio isolada do resto do pessoal e isso me ajudou a tomar iniciativa. A fita cassete girava e a atmosfera foi soprada pelos primeiros acordes de “Us and them”, do Pink Floyd. Um teclado anunciou as notas iniciais do sax tenor. O clássico “The Dark Side of the Moon” acabara de ser lançado. Para quem não conhece, “Us and them” é bem lenta e possui estupefacientes 7 minutos e 46 segundos de duração, uma autêntica viagem sideral, semelhante a um caminhar ritmado sobre nuvens com o som dos passos ecoando no infinito de estrelas. Fazia-se no pequeno ambiente uma escuridão mágica, apenas eletrizada pelas faíscas espargidas por um globo de luz que pendia do teto. Todo mundo se abraçava, surgiam aqui e ali uns esbarrões involuntários, mas ninguém estava pensando no que acontecia ao seu redor. De minha parte, a música, o perfume doce e o corpo quente da amada – sim, eu já sentia amor no coração que ribombava – exerciam total domínio sobre meus pensamentos.
Ah, o desejo… Agarrei-me ao corpo daquela deusa negra, abracei-a com tanta força que parecia querer violar o princípio físico das prerrogativas de ocupação do espaço. Os dois corpos buscavam se fundir, e se não fosse a maldita física creio que até se atravessavam. É certo que, no ritual pactuado daquelas danças, os homens deveriam cingir suavemente a cintura de suas parceiras, enquanto as mulheres repousariam as mãos delicadamente sobre os ombros de seus pares. Deveria ser assim, mas quem falou que jovens aprendizes guardam algum apreço pelas regras? As mãos de minha amada revolviam os cabelos na minha nuca, num gesto de cumplicidade e carinho comoventes. Aquelas mãozinhas quase tocavam minhas orelhas! E meus braços passaram a envolver aquelas costas por inteiro, como duas imensas cobras. Não é preciso dizer que, lá embaixo, tudo zumbia espremido. Meus braços de réptil passaram, então, a buscar um destino arrojado. Pensava eu, quanto mais aperto, mais a minha mão direita se aproxima, caminhando pela linha imaginária da alça traseira desse sutiã que não consigo perceber sob a malha espessa, quanto mais abraço, mais me aproximo do seio direito da minha dulcineia. A música é longa, eu vou chegar lá!
Us and them (com eco no infinito azul de estrelas – você tem que ouvir a música para sentir o que é isso), and after all, we’re only ordinary men… Como seres ordinários, sob o efeito hipnótico daquele fluido cor-de-rosa, eu abraçava cada vez mais apertado, enquanto experimentava as mãos daquela mulher que tecia volutas em meus cabelos. Homem-elástico, meu braço esticava rumo ao monte sagrado. Depois de muito esforço, já à beira da asfixia mútua, meu dedo indicador alcançou algo além do Cabo das Tormentas, algo quase intangível, porque estava no limite de seu percurso. Não havia como avançar mais. Um toque com a polpa do dedo, tão somente um avarento milímetro de pele, porém suficiente para incendiar o sangue. O que é bom dura pouco. A voz de Roger Waters decaía melancolicamente, a música chegava ao fim. Nossos corpos se afastaram devagarinho, para nunca mais se encontrarem. Foi naquele momento, quando nos afastamos um do outro, que percebi, para meu desalento, que o tecido grosso e quase inalcançável de seus seios era, em verdade, a extremidade do seu cotovelo direito.