Estamos atravessando uns tempos de muita atiração de pedra, Nassif, todo mundo jogando pedra. E não estou falando do Irã, não. A coisa tá braba por aqui mesmo. Está faltando perdão, pedir e perdoar.
“Atire a Primeira Pedra” de Ataulfo Alves e Mario Lago com Orlando Silva
Em 1944, Ataulfo Alves e Mário Lago voltam a reinar no carnaval, com o samba “Atire a Primeira Pedra”, que nada fica a dever ao grande sucesso da dupla, “Ai, que saudades de Amélia”. Reproduzindo no título a sentença bíblica – que já denominara no Brasil um filme com Marlene Dietrich e um programa do radialista Raimundo Lopes -, este samba trata do apelo veemente de reconciliação de um amante que não teme ser chamado de covarde: “Covarde sei que me podem chamar / porque não calo no peito esta dor / atire a primeira pedra, ai, ai, ai / aquele que não sofreu por amor”. Cantado por Emilinha Borba no filme “Tristezas não pagam dívidas” e lançado em disco por Orlando Silva às vésperas do carnaval, “Atire a Primeira Pedra” foi fazer sucesso quando Mário Lago já não mais esperava. É o próprio Mário que relembra: “Na época eu estava trabalhando na Rádio Panamericana, em São Paulo, então recém-inaugurada, e vim de trem para o Rio na manhã do sábado gordo. Logo no percurso para casa, fui encontrando diversos blocos que cantavam “Atire a primeira pedra”. Surpreso, perguntei ao motorista do táxi se aquele samba estava fazendo sucesso. E ele respondeu, ‘É verdade, estourou esta semana’. Então, larguei as malas em casa e corri para o Café Nice, onde fui recebido por um Ataulfo eufórico: ‘Parceiro, estamos outra vez na boca do povo…’. Foi a única ocasião na vida em que vi o Ataulfo de pilequinho”. Por sua ótima letra e, principalmente, pela beleza de sua melodia, “Atire a Primeira Pedra” é um dos melhores sambas carnavalescos de todos os tempos. Atire a primeira pedra (samba, 1944) – Ataulfo Alves e Mário Lago Covarde sei que me podem chamar Porque não calo no peito essa dor Atire a primeira pedra, ai, ai, ai Aquele que não sofreu por amor Eu sei que vão censurar meu proceder Eu sei, mulher Que você mesma vai dizer Que eu voltei pra me humilhar É, mas não faz mal Você pode até sorrir Perdão foi feito pra gente pedir
Fonte: Arquivo Raíssa Amaral & Professor Sergio Napoleão Belluco – Piracicaba / SP – Brasil
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