Monark se afasta do Flow Podcast após defender existência de Partido Nazista

Victor Farinelli
Victor Farinelli é jornalista residente no Chile, corinthiano e pai de um adolescente, já escreveu para meios como Opera Mundi, Carta Capital, Brasil de Fato e Revista Fórum, além do Jornal GGN
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Após perder patrocinadores, os Estudios Flow anunciaram um suposto desligamento do youtuber, versão que choca com o fato de ele estar registrado como administrador e “quase” único sócio da empresa. Deputado Kim Kataguiri (MBL) também defendeu nazismo no mesmo programa

Monark durante programa do Flow Podcast (foto: Reprodução Youtube)

A polêmica pela declaração do youtuber Monark defendendo a ideia de que a existência de um Partido Nazista seria algo correto, segundo o conceito de liberdade de expressão, gerou tanto repúdio na opinião pública que apenas algumas horas depois, o podcast Flow já tinha perdido boa parte dos seus patrocinadores, que debandaram após a repercussão do programa.

Tamanho repúdio levou os Estúdios Flow a anunciar, no final da tarde desta terça, o “desligamento de Bruno Aiub”, usando o nome verdadeiro e não o pseudônimo do youtuber. Afirmando que ele não faz mas parte do programa, se buscava conter a fuga de patrocinadores daquele que se vangloria de ser “o maior podcast do Brasil”.

No entanto, esse mesmo nome, Bruno Monteiro Aiub (Monark), é o único que consta no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas como administrador e praticamente o único sócio da Flow Produção de Conteúdo Audiovisual Ltda., empresa que está por trás do podcast.

Esse “praticamente” se dá pelo fato de que aparecem dois nomes entre os sócios da Flow Produção de Conteúdos: um deles é o do próprio Bruno Monteiro Aiub (Monark), apontado como “administrador”. O outro sócio seria a empresa Ib Holding de Participações Ltda., porém, o registro também explica que este outro sócio é representado na sociedade por mesmo Bruno Aiub, também indicado como o responsável pela empresa.

Por sua parte, a Ib Holding de Participações está registrada em nome de Bruno Monteiro Aiub (sócio-administrador), Igor Rodrigues Coelho (sócio-administrador) e Gianluca Santana Eugenio (descrito apenas como sócio). O registro também afirma que os dois sócios-administradores são os responsáveis pela empresa.

O comunicado dos Estúdios Flow não especifica se o desligamento de Aiub significa que ele deixa de fazer parte das duas empresas, ou se apenas não participará mais dos programas.

Apologia ao nazismo

A entrevista ocorreu na noite desta segunda-feira (7/2) e a polêmica surgiu em meio a um bate-papo entre Monark e os deputados paulistas Kim Kataguiri (DEM, mas também representante do MBL) e Tábata Amaral (PSB).

Em um determinado momento, Monark voltou a defender uma de suas polêmicas preferidas, de que o nazismo seria de uma corrente política de esquerda – ideia contestada por acadêmicos judeus e alemães dos mais conceituados – mas o fez afirmando que, apesar do que ele acredita, os nazistas não deveriam ser censurados: “eu acho que o nazista deveria ter um Partido Nazista reconhecido pela lei”.

A declaração foi contestada pela deputada Tábata Amaral, mas apoiada por Kim Kataguiri, que afirmou que “a melhor forma de se lidar com o nazismo não é censurando, e sim dando luz a ele, para que seja rechaçado socialmente”.

O conteúdo já não está na página do Flow Podcast, já que a empresa também anunciou que ele foi apagado, no mesmo comunicado sobre o desligamento de Monark.

Victor Farinelli

Victor Farinelli é jornalista residente no Chile, corinthiano e pai de um adolescente, já escreveu para meios como Opera Mundi, Carta Capital, Brasil de Fato e Revista Fórum, além do Jornal GGN

3 Comentários

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  1. De tanto ver triunfar as nulidades…
    E as nulidades seguem triunfando. Ser ignorante e idiota agora é meio de vida. Além de altamente lucrativo para as big techs. Entre Neil Young e Joe Rogan…
    As big techs ficam com Joe Rogan, que dá mais grana. Eventualmente, descartam essa gente; não importa, tem um monte deles esperando uma oportunidade.
    Há tempos, os pais sonhavam com filhos médicos, engenheiros, advogados.
    Depois, viam seus rebentos como pagodeiros/funkeiros, jogadores de futebol, etc.
    Agora, acho que sonham ver os filhos brilhando como digital influencers.
    O que quer que isso seja – o diabo sabe.
    Acho que qualquer semelhança com a própria degradação econômica e social do país não é mera coincidência.
    O que chama a atenção nesses podcasts – dos quais só assisto, e muito de vez em quando, os tais cortes, pelos clickbaits – é não só a absoluta indigência mental e intelectual desses monarks da vida, mas também a incapacidade de desenvolver raciocínios simples, banais.
    Em algum momento, ao defender a existência legal do partido nazista, esse sujeito disse que, se a pessoa quer ser anti-judeu, isso é um direito dela.
    Ou seja, ele não consegue desenvolver um raciocínio até simplório, caso ele tivesse lido alguma coisa sobre o assunto: o nazista não quer ter o direito de ser contra os judeus, ele quer ter o direito de exterminar os judeus, ou os ciganos, ou os homossexuais, enfim, quem quer que ele julgue ser inferior ou indigno de viver.
    Poderia mencionar aqui, também, que, antes de exterminar, o nazista se julga no direito de explorar, como escravos, esses mesmos “indesejados”.
    Mas acho que isso seria demais para a cabeça (sic) dessa gente.
    E chega. Tratar desse assunto é tão nojento quanto tratar de William Waack.
    É puro diversionismo, e nos rouba tempo precioso, que deve ser usado para lutar contras as causas desse problema.
    Podcasts, william waacks, são apenas a consequência.
    O pedestal sobre o qual pontificam essas nulidades, são as redes sociais. Empresas privadas, que visam lucros, não importa a maneira como os ganham.
    As big techs são ‘o’ inimigo. E nós as tratamos como amigos, benfeitores.
    Não são. Estão nos explorando, como os nazistas aos judeus, ciganos, homossexuais, negros, etc.,etc.,etc. E nós nem percebemos.

  2. O próprio Governo de Israel mantém a Palestina como Campos de Concentração a céu aberto. Uma aberração, excrecência fascista em pleno 2022. O mesmo Governo de Israel que deu todo tipo de apoio ao abjeto, criminoso, genocida Regime de Apartheid da Africa do Sul. Aliás, apoiado por todas Nações que se diziam democráticas e deram Nobel da Paz ao comandante da Eugenia. Os mesmos “Civilizados Democratas Humanistas” e suas Marcas que condenam Opiniões, enquanto aceitam Mulheres, Crianças, Desesperados morrendo afogados a poucos metros das praias européias, fugindo de guerras, perseguições e miséria da Ásia ou África. Cancelado, antes de tudo, precisa ser a Hipocrisia.”…Se a rosa tivesse outro nome, ainda assim teria o mesmo perfume…” Ter e dar uma opinião, virou Crime para certos Déspotas Esclarecidos?? Cuidado, o Nazismo está mais presente que transparece.

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