Foto: Duda Cambraia/GGN

Por Duda Cambraia

Jornal GGN – Na capital Paulista, o ato contra o governo Bolsonaro começou às 16 horas, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (MASP). Após 50 minutos de concentração, os organizadores já anunciaram 40 mil pessoas pedindo o impeachment de Bolsonaro e a aceleração do plano de vacinação no país. “Eu não consigo mais dormir de tanta revolta”, afirmou Emerson quando indagado sobre o motivo de estar na manifestação. Renata, uma das milhares que foram à rua, relatou que escolheu ir para o ato por causa dos desmontes da educação, da saúde, do audiovisual e da cultura, afirmando que “não dá mais para ficar em casa, se o povo está na rua em uma pandemia, é porque o governo mata mais que o vírus”.

Em torno das 17h40, a manifestação saiu em direção à Consolação, terminando na Praça Roosevelt por volta das 20 horas. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) anunciou que o ato chegou a ocupar dez quarteirões ao longo do dia. As entidades que planejaram o protesto estimaram que 80 mil pessoas participaram da manifestação na cidade de São Paulo.

Apesar do número alto de pessoas nas ruas, os organizadores pediam, constantemente, o uso correto de máscaras e o distanciamento social. A maioria significante dos manifestantes estavam de máscaras e usavam o modelo PFF2, que segundo os especialistas é o mais seguro.

”Eu não tive medo porque apesar do risco que a gente está correndo, o pior mesmo é esse genocida continuar matando como ele está matando, continuar fazendo tudo que ele está fazendo de ruim. A gente tem medo de dormir, de sonhar com o Salles, com o senhor Guedes, com medo de acontecer alguma coisa com o Renan e com o pessoal da CPI. Se a gente tiver medo, vai morrer mais gente. Eu arrisco a minha vida por todos os que estão aqui, para salvar outras que vão morrer de fome, de descaso, de desprezo, de preconceito, de arma, de tudo. A gente está totalmente vulnerável”, relatou uma idosa entre os milhares de manifestantes que escolheram ir para a rua. Confira mais relatos aqui.

”Eu não tive medo porque apesar do risco que a gente está correndo, o pior mesmo é esse genocida continuar matando como ele está matando, continuar fazendo tudo que ele está fazendo de ruim”, diz uma idosa ao GGN, durante o protesto contra Bolsonaro na Av. Paulista, em 29 de maio de 2021

Antes da caminhada, durante quase duas horas de concentração, algumas lideranças partidárias e estudantis falaram no caminhão de som principal, entre eles Guilherme Boulos (PSOL). Boulos pediu um minuto de aplausos às 460 mil vítimas da Covid-19 e afirmou que não se trata em dividir quem foi para rua e quem ficou em casa, “a divisão hoje é quem quer derrubar esse verme que está na Presidência da República e quem está com ele”. Boulos ainda afirmou que é só o começo e que “não dá para esperar sentado até 2022”. Acompanhe o discurso completo de Guilherme Boulos aqui. 

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR), presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, também falou aos manifestantes. “Está certo quem está aqui e também está certo quem ficou em casa, errado está Jair Messias Bolsonaro”, disse. Além de figuras políticas, entidades estudantis estavam em peso na organização e na participação, lutando contra os cortes de verbas e pedindo mais investimentos no ensino público.

No último ato, em torno de 20 horas, um grupo de estudantes queimou um boneco do Bolsonaro como um ato simbólico. Assista ao momento clicando aqui. 

Nesse período, na cidade de São Paulo, não houve intervenção policial, foi “uma manifestação pacífica, em que a polícia não atacou e as lojas todas estavam abertas”, como relatou uma jovem manifestante. Um cenário diferente na capital pernambucana, em Recife, onde a vereadora Liana Cirne (PT) foi agredida e dois homens perderam a visão por causa de tiros com bala de borracha. Daniel Campelo da Silva, de 51 anos, teve que retirar o glóbulo ocular depois de ter sido vítima da brutalidade policial. Ele não fazia parte da manifestação e estava no local a trabalho. A outra vítima foi Jonas Correia de França, de 29 anos, que perdeu parte da visão e que também não participava do ato.

No domingo, um dos assuntos mais comentados das redes sociais foi a repercussão, ou a falta dela, dos protestos na grande mídia nacional. Apesar das manifestações terem sido noticiadas por jornais internacionais, como The Guardian, La Nación, Reuters e Al Jazeera, os apoiadores dos atos contra Bolsonaro criticaram jornais de renome, como “O Globo” e o “Estadão”, que não colocaram os protestos como principal manchete do dia. Apenas Folha de S. Paulo, entre os grandes veículos de jornalismo impresso, deu destaque de capa às manifestações que pediram o fim do governo Bolsonaro.

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