A batalha perdida de Paulo Guedes contra as Santas Casas, por Luis Nassif

Quando a CMPF dançou, com a recusa de Bolsonaro, Guedes ficou com a broxa na mão. Sua próxima investida, agora, é a tentativa de taxar instituições filantrópicas. Taxar igrejas, nem pensar porque Bolsonaro não deixa.

Paulo Guedes não é apenas um executivo mambembe, sem experiencia de liderar equipes ou administrar organismos minimamente complexos. É também um impulsivo, que não se guia por um planejamento racional das ações. Vai lançando ideias, como coelhos da cartola, parecendo que sempre escolhe a primeira que lhe vem à cabeça. À medida em que as ideias se revelam inviáveis, não dá uma pausa para uma análise de situação, continua despejando novas ideias sem nexo.

Insistiu ideologicamente na questão do teto de gastos. Apostava que, cortando todos os recursos, a Nação viesse de joelhos avalizar sua proposta de desvinculação total do orçamento – acabando com as vinculações obrigatórias para educação e saúde.

Descuidou-se completamente da queda da demanda, impedindo qualquer recuperação mais consistente da economia. Veio com a história da fada da confiança, a ideia de que, concretizadas as reformas, os investimentos voltariam para o país. Pior: acreditava no que dizia.

Quando se deu conta do fracasso de suas estratégias, Guedes recorreu aos mesmos erros de Dilma Rousseff, pretendendo desonerações como forma de estimular investimentos. Mas, para as desonerações de folha, precisava de um reforço de caixa. Propôs então a volta da CMPF.

Quando a CMPF dançou, com a recusa de Bolsonaro, Guedes ficou com a broxa na mão. Sua próxima investida, agora, é a tentativa de taxar instituições filantrópicas. Taxar igrejas, nem pensar porque Bolsonaro não deixa.

Significará inviabilizar toda a rede de Santas Casas que, na maioria das pequenas cidades, impede o desmoronamento final da saúde, depois dos cortes de gastos no SUS (Sistema Único de Saude).

Não surpreende a insensibilidade de Guedes com a saúde pública. Apenas sua supina ignorância de não se dar conta que sua proposta não terá a menor viabilidade política.

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10 comentários

  1. O desmonte irresponsável é total. Nós postos de saúde não tem vacinas, isto alguém vai pagar um dia. E o “gado” não reage! Triste, pra não dizer “fudidos”.

  2. Quero que essa pústula erre feio e cada vez mais, para que se torne um peso insuportável nesse governo… também insuportável.
    Não tenho percebido ressonância quanto ao suposto corte de quase R$1 bi na verba federal para vacinação de 2020. Isso procede?

  3. Esses dias vi artigos que me lembraram – sim, como quase todo brasileiro, tenho esses terríveis lapsos de memória – que, no governo do temeroso, a indústria de petróleo (coitadinha) foi favorecida com modificações na legislação que abriram mão de 1 trilhão de reais em tributos.
    Veja a coincidência, justamente a meta do posto Ipiranga para a economia (roubo seria a palavra mais adequada) com a reforma da previdência.
    Por que não reverteram esse absurdo?
    Por que esse argumento não foi esfregado na cara desses cafajestes “mercadistas”?

  4. Guedes não tem nada de incompetente. Sabe muito bem o que está fazendo. Está simplesmente seguindo e radicalizando a agenda iniciada por Temer com o Meirelles.
    Houve forte desoneração tributária de vários setores, o que efetivamente quebrou as contas do Estado. É o projeto de recolonização do Brasil, que segue a pleno vapor. Vejam como estão fundos de investimento regidos pelos BTG Pactual da vida e confiram se são realmente incompetentes. Se não têm pão, que comam brioches.

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