5 de junho de 2026

Senado entra no radar do governo como campo de batalha central de 2026

Planalto acende o alerta para o risco de uma maioria de extrema-direita capaz de pautar o impeachment de ministros do STF e travar a agenda

A disputa eleitoral de 2026 começa a se desenhar muito além do Planalto. Embora a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja vista como um cenário provável, o Senado Federal emerge como o principal foco de preocupação do campo democrático. A possibilidade de a extrema-direita conquistar maioria na Casa é tratada, hoje, como um risco real à estabilidade institucional do país.

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O alerta foi explicitado pelo senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), nesta segunda (12), em declaração à coluna de Igor Gadelha. Segundo ele, Lula pode iniciar um eventual quarto mandato com um Senado disposto a abrir processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Pela Constituição, cabe à Câmara Alta fiscalizar o STF e julgar esses pedidos — um poder que, sob maioria hostil, pode se converter em instrumento de pressão política sobre o Judiciário.

O desenho da eleição

O temor ganha corpo diante do desenho eleitoral de 2026. Estarão em disputa 54 das 81 cadeiras do Senado, em uma renovação capaz de alterar a correlação de forças no Congresso. Das 27 cadeiras que permanecem até 2030, eleitas em 2022, 14 já estão sob controle da direita, garantindo à oposição um piso expressivo.

Para alcançar a maioria simples de 41 senadores, suficiente para controlar a pauta da Casa e tensionar instituições, a oposição precisaria eleger 27 das 54 vagas em jogo.

Dos senadores que deixam o cargo em 2026, 21 são governistas, 16 de oposição e 17 independentes. Já entre os que permanecem até 2030, apenas 7 têm vínculo direto com o Planalto, contra 17 alinhados à oposição.

Pesquisas e projeções recentes reforçam o sinal de alerta. Levantamento do Poder360 sobre algumas intenções de voto mostra a oposição à frente em cerca de 21 disputas estaduais, enquanto candidaturas governistas lideram em 11; outras 22 corridas permanecem indefinidas, dependentes de alianças regionais e da definição dos nomes que efetivamente entrarão no jogo.

Estratégia do Planalto

É nesse contexto que o presidente Lula tem sinalizado, em encontros internos do PT, que o Senado será prioridade estratégica em 2026. O presidente admite ampliar alianças com MDB, PSB e PSD, mesmo que isso implique abrir mão de candidaturas próprias em estados considerados menos competitivos. A avaliação no Planalto é de que a governabilidade de um eventual quarto mandato dependerá diretamente da correlação de forças na Câmara Alta.

Estados-chave e nomes cotados

Com essa diretriz, o governo já trabalha na montagem de chapas em estados considerados decisivos.

No Rio Grande do Sul, um dos poucos cenários mais adiantados, os nomes do campo progressista são Paulo Pimenta (PT) e Manuela d’Ávila (PSol). Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, circulam Fernando Haddad (PT), Geraldo Alckmin (PSB) e Simone Tebet (MDB).

Em Minas Gerais, aparecem Marília Campos (PT) e o ministro Alexandre Silveira (PSD). No Rio de Janeiro, os nomes mais citados são Alessandro Molon (PSB) e Benedita da Silva (PT).

Reduto eleitoral estratégico

O Nordeste, onde estão 18 das 54 vagas em disputa, é tratado como decisivo. Na Bahia, são dados como certos Jaques Wagner (PT) e Rui Costa (PT).

Em Pernambuco, a aposta é a reeleição de Humberto Costa (PT).

Em Alagoas, o principal nome governista segue sendo Renan Calheiros (MDB). No Rio Grande do Norte, a preferência recai sobre a governadora Fátima Bezerra (PT). Em Sergipe, aparecem Rogério Carvalho (PT) e Márcio Macêdo (PT).

Já no Pará, surgem Helder Barbalho (MDB) e Celso Sabino (sem partido).

Alerta antecipado pelo GGN

O alerta não é novo. Ao GGN, ainda em 2025, o historiador João Cezar de Castro Rocha sintetizou o risco. “A verdadeira ameaça da extrema-direita é tentar controlar o Senado, porque sem manietar o judiciário não há ditadura possível. Caso a direita controle o Senado, a ditadura começa mesmo que eles percam a Presidência”.

É por isso que, em 2026, a disputa central pode não se dar apenas no Planalto. A composição do Senado tende a definir, de forma concreta, os limites da governabilidade e a capacidade de resistência da democracia brasileira.

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Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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