A fantástica política cultural da gestão Gilberto Gil, por Luis Nassif

Foi quando conheci a mais brilhante equipe cultural que o país já teve, comandada pelo Secretário-Executivo Juca Ferreira,  Antônio Risério, Roberto Pinho, Paulo Miguez, entre outros.

Sempre acreditei na cultura como agente econômico e instrumento de inclusão social, especialmente no ramo que mais me toca, a música. Por isso mesmo, no início dos anos 90 passei a escrever sobre o tema em minha coluna na Folha de São Paulo. Por conta disso, fui convidado pelo Ministro da Cultura de Fernando Henrique Cardoso, Francisco Weffort, a integrar um recém-criado Conselho da Cultura. Recusei o cargo, mas aceitei participar das reuniões, como observador.

Foi apenas uma, no Rio de Janeiro. Nela, um grupo de músicos de primeiríssima passou a discutir como controlar as verbas da cultura, acabando com o desperdício de distribuir instrumentos para bandinhas do interior, conforme fazia o “ministro caipira do Sarney”, Aluisio Pimenta. Segurei a indignação ante aquela ignorância provinciana, de não saber quem era Aluisio Pimenta, nem a importância cultura das bandinhas do interior, e alertei suavemente, que se aquela sugestão vazasse, o Conselho não chegaria à segunda reunião.

Vazou, não foi por mim, e não teve segunda reunião.

Ajudei de certa forma na consolidação do Clube do Choro de Brasília, ao fazer um lobby do bem com Paulo César Ximenes, presidente do Banco do Brasil, Clóvis Carvalho, da Casa Civil. E, nos 80 anos do BB, fui incumbido de abrir o evento – um concerto em Brasilia, com convidados diplomatas, autoridades e grandes clientes do BB – para tentar abrir a cabeça do mundo oficial sobre a importância da música brasileira como instrumento da diplomacia e dos negócios.

Já tinha esse histórico quando, recém empossado Ministro da Cultura, Gilberto Gil, me convidou a ir a Brasilia palestrar em um encontro de conselhos estaduais da Cultura, quando anunciaria seu plano cultural. Um pouco antes, havia defendido sua posição em relação à “classificação indicativa”  nos programas de TV, ante uma avassaladora ofensiva de depoimentos de atores globais, taxando a medida de censura. Na época, havia escrito também sobre o modelo inglês, de criação de uma economia da cultura.

Foi quando conheci a mais brilhante equipe cultural que o país já teve, comandada pelo Secretário-Executivo Juca Ferreira,  Antônio Risério, Roberto Pinho, Paulo Miguez, entre outros.

A reunião foi curiosa. O representante do Rio de Janeiro, notável pianista, começou a discussão dizendo que o mais importante elo da cadeia da música era o músico. Pedi licença e disse-lhe que não. No Brasil, músico era matéria prima abundante e de altíssima qualidade. O que faltavam eram modelos de negócios.

A Internet começava a se alastrar e surgiam as primeiras redes sociais, com o Orkut. Expliquei que as redes iriam promover o relacionamento de jovens de todos os mundos, irmanados em novos valores, como a natureza, o estilo informal, a afetividade, o colorido. E tudo isso era Brasil, a Amazonia, as festas populares, a música, o afeto. Esses valores se comunicavam digitalmente, através das imagens e da música. Sugeri, então, a criação de uma plataforma digital onde se colocaria a enorme diversidade da música brasileira. E, depois, o treinamento de “brigadas culturais”, jovens com afinidade com a Internet e com o inglês, que entrariam em comunidades digitais como anunciadores da nova cultura, Brasil.

Muita coisa esbarrou na burocracia estatal, inclusive o pedido deles para que eu indicasse um grupo de trabalho capaz de mapear a economia da cultura brasileira.

Mas colocaram em pé o mais contemporâneo e abrangente projeto cultura do novo Brasil, os Pontos de Cultura, uma concepção de Célio Turino. Foram distribuídos equipamentos digitais para tribos de indígenas, comunidades quilombolas, grupos de periferia. E anualmente havia um encontro nacional, com representantes de todas as culturas.

Olha a maravilha, que contamos em um programa Brasilianas

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